domingo, 24 de janeiro de 2016

#73



Não sendo o mais popular dos álbuns de Bob Dylan, o primeiro continua a ser dos meus preferidos. Duas sessões de gravação, em Novembro de 1961, bastaram para que Dylan registasse 13 momentos que podem hoje ser tomados como os alicerces de todo o seu percurso posterior. É verdade que a figura do escritor de canções de protesto há muito foi substituída por uma ambivalente personalidade do mundo do espectáculo, mas o autor de Blonde on Blonde não se livrará de ficar para a História como um dos mais determinantes singer/songwriters norte-americanos. O álbum homónimo de 1962 é um compêndio de sementes imprescindíveis à compreensão de um universo musical riquíssimo, inquietante e deveras inspirador. São poucos os originais aí interpretados (Talkin’ New York, a genial In My Time of Dyin’ ou a popular Song to Woody), tendo a opção recaído sobre arranjos para tradicionais (Man of Constant Sorrow, Pretty Peggy-O, Gospel Plow, House of The Risin’ Sun, Freight Train Blues) ou temas conhecidos no contexto do chamado “country blues”. Munido de guitarra acústica e de harmónica, Dylan afirmou-se, desse modo, como um dos grandes cantores brancos de blues do seu tempo e um dos mais relevantes intervenientes da exigente e competitiva cena folk Americana. Woody Guthrie é espírito omnipresente, força ecóica na técnica vocal e no modo de abordar a guitarra, sendo tal influência especialmente notável em Man of Constant Sorrow:


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