quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

DOUDA CORRERIA

Para o Nuno Moura e para a Joana Bagulho

Ai se o pensamento parasse, ai ai, se nas nuvens andasse um trovão, se o pombo chegasse à nuvem e se chovesse, ai se entre a chuva pudéssemos caminhar com os bolsos cheios de cabeças cheias de trovões, ai se o pensamento parasse e tu e eu fôssemos somente uma nuvem que passa e ao passar assumisse todas as formas do pensamento, e se ao olhar para o pensamento que passa disséssemos que parece um cão, que parece uma cabeça, que parece um boi, um cavalo alado, que parece o pensamento, ai se nos acusassem de doudice e nos internassem no hospício das ruas, e se em cada homem e em cada mulher que passam a caminho do trabalho nós tivéssemos uma enfermeira que nos parasse o pensamento e como uma nuvem adiasse a forma humana de sermos só a douda correria que pára onde nós andamos.

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