quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

#77


De poucas bandas podemos dizer com inquestionável veracidade produzirem um som em conformidade com o lugar, servindo os Calexico de exemplo enquanto excepção a uma regra quase sempre mais empobrecedora do que seria suposto. Ambições desmesuradas levam a saltar fronteiras para terrenos que inevitavelmente levam ao precipício, sendo deveras mais aconselhável escavar bem fundo o buraco ao encontro das raízes e desse trabalho colher a semente que fortalecerá plantas de frutos suculentos. A Joey Burns e John Convertino devemos essa ousadia. Musicalmente situados algures na fronteira entre o México e os states, souberam aproveitar a paisagem sonora daquelas bandas transformando-a com uma dose conveniente de ecletismo mesurado. A história destes dois músicos é longa e merece uma espreitadela, embora para o efeito que aqui se pretende baste referir Feast of Wire (2003) como uma das melhores recolhas do duo desde a estreia ainda sob a designação de Spoke (1997). A miscelânea de instrumentos ao serviço das canções só impressionará quem desconheça o que ficou para trás, sendo o acordeão, o bandolim, o banjo, os arranjos de sopros ao melhor estilo mexicano ou as secções de cordas em sintonia easy listening estribos fundamentais para uma poética apurada da melhor música que filmes nunca realizados alguma vez exibiram. Se por obra de todos os santos alguma vez eu viesse a realizar um western, exigiria a inclusão de Close Behind na banda sonora. Aliás, quem ame um filme como Johnny Guitar não poderá ficar indiferente ao piano que num minuto e vinte e quatro segundos sufoca um coração sensível no tema The Book and The Canal. E depois há peças que ao vivo soam assim:


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