quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

SPRINGSTEEN #2


Depois de escutarem New York City Serenade, a última canção do segundo álbum de Bruce Springsteen, talvez aqueles que lhe reduzem a obra a cançõezinhas de um pop-rock desenxabido pensem duas vezes. Mas The Wild, The Innocent & The E Street Shuffle (1973) nunca foi um álbum consensual. Se Asbury Park e New Jersey tinham sido afirmados no disco de estreia enquanto cenários privilegiados para as crónicas de Springsteen, no segundo registo voltam a estar presentes com as fronteiras abertas para todo um novo mundo. Entretanto as crónicas davam lugar a um contador de histórias e a música predispunha-se a territórios musicais multicolores, mais próximos do funk e do rhythm and blues. Algumas composições de E Street Shuffle são até bastante complexas para um mero disco de rock, encarnando ritmos diversos ao longo de uma mesma linha melódica ou aceitando rupturas inesperadas em ambientes ora festivos, ora nostálgicos. A secção de sopros e o sintetizador ganham especial relevância, não subvertendo um princípio fundador que vinha da folk inspirada no mais controverso dos seus representantes: Bob Dylan. Comparado, por vezes, a Astral Weeks, de Van Morrison, este foi também o disco que permitiu a Springsteen ser visto como “o futuro do rock n’ roll”. Os desafortunados continuam a povoar as suas canções, as ruas têm habitantes ao mesmo tempo caricatos e trágicos, a vida fervilha muito aquém dos contos de fadas. Fãs de Tom Waits, escutem isto com atenção:


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