quinta-feira, 3 de março de 2016

UMA EXISTÊNCIA DE PAPEL


O escritor recebeu um lindíssimo ramo de flores. Colocou-o numa jarra e sentou-se a contemplá-lo. De pronto, surgiu-lhe uma vontade incontrolável de escrever sobre a beleza daquelas flores. Pegou num caderno e numa esferográfica e começou a escrever. Ininterruptamente. Quando voltou a olhar para a jarra, as flores tinham emurchecido. Esquecera-se de mudar a água enquanto escrevia. Agora já não tinha o objecto da sua contemplação, o objecto cuja beleza tentara descrever por palavras. Restavam-lhe ramos secos, flores mortas. Sobre o que poderia ele agora escrever? 

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