quinta-feira, 21 de julho de 2016

ESPELHOS DE EVA

Esta noite tive um sonho erótico. Estava sentado na erva, no centro de uma planície indefinida. À minha volta, centenas de vulvas. Mas as vulvas não eram bem vulvas, eram ecrãs de telemóveis e de smartphones e de tablets... Peguei num malho, uma gigantesca marreta priápica, e desatei a malhar nas vulvas. À medida que a cabeça do malho acertava nas vulvas, estas desfaziam-se em milhões de pedacinhos de vidro e de plástico e de todos os materiais que compõem o lixo tecnológico com que vamos adornando os dias. Senti um enorme prazer ao constatar que estava tudo destruído, nem um ecrã para massajar com o indicador da mão direita. Restava-me uma pilinha para brincar. Ao fundo da paisagem, Eva colhia uma maçã e dava uma trinca. Uma nova aliança havia começado, sem pecado, nem veneno, nem víboras por perto. Só eu e Eva ao fundo, os dois nus, sem sentirmos vergonha por isso.

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