terça-feira, 16 de agosto de 2016

CEGONHAS


De que me vale ter lido Marx se nada entendo de cegonhas? Observo-as encantado, procurando compreender a improbabilidade das suas opções. Como escolherão elas o lugar para o ninho? Terão algum critério? No alto da torre de uma igreja, juntam-se aos pares, aos trios, levantam voo, regressam, buscam no horizonte utopias indecifráveis. Não se perturbarão com o sino da igreja? Talvez ao olharem para a cruz de Cristo tenham pensado tratar-se de um poste de alta tensão, talvez percebam naquela torre uma corrente energética que me escapa. É-me certo que conferem beleza onde haveria apenas património morto se lá não estivessem, se a vida com que engrandecem a torre fosse apenas e tão-somente o anúncio de uma procissão a chegar. 

Sem comentários: