Tive um amigo lá no far west que me apresentou a Leonard
Cohen. Agora que penso nisso, devo-lhe várias aproximações. Mas Songs
of Leonard Cohen (1967), gravado numa BASF, foi uma das mais relevantes. Mais
tarde tivemos uma daquelas discussões boas de se terem por causa de I’m Your
Man (1988), um dos primeiros CDs que comprei quando os CDs eram a grande
novidade. Esse meu amigo dizia que canções como First We Take Manhattan e Take
This Waltz eram sinal de uma decadência difícil de suportar pelos fãs dos
primeiros álbuns de Cohen. Arranjos sintetizados e sofisticados, coros
femininos muito eighties, afastavam definitivamente as canções da sua raiz. A
voz de Cohen também estava diferente, com uma gravidade que os anos não
perdoavam. Mas o pior, o crime, era praticamente não se ouvir violão, o
orgânico havia sido tomado pelo sintético. O bardo tinha-se transformado num crooner, e
isso era imperdoável. Assim pensava o meu amigo à época, e não estava de todo
enganado. Confesso que fiquei com sentimentos ambivalentes relativamente ao
álbum de 1988, embora tenha encontrado lugar excepcional para canções como
Everybody Knows e Tower of Song (bela versão lhe ofereceram os The Jesus &
Mary Chain). Acontece que o registo declaradamente pop de I’m You Man, com
Cohen na capa fotografado a comer uma banana warholiana, envelheceu como um bom
vinho envelhece. E 28 anos passados, com tanta tecnologia a tomar conta da
composição musical, chegam a parecer arcaicas as incursões pela electrónica
aqui levadas a cabo, conferindo ao registo um tom nostálgico que cai
perfeitamente com a ironia dos poemas na dança de uma valsa melancólica inflada
de sensualidade:

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