quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

2016: BALANÇO PESSOAL

O ano que passou foi igual ao ano passado. Prevê-se que o próximo ano seja muito parecido com este ano. Os anos estão cada vez mais parecidos uns com os outros. 
As figuras do ano, para mim, são o Bob Dylan e o Rei da Noruega. A destacar um momento, destacaria o golo do Éder, na final contra os gauleses, obsidiado por um bando de traças. 
A gente olha para o mundo e vê tudo muito a negativo, olhamo-nos ao espelho e vemos mais peso, mais banha, mais cabelos brancos, mais olheiras, menos vontade, menos paixão. Depois dizemos que não importa, na Síria é que se está mal. 
A vida é uma opera buffa, o encenador uma desgraça. 
Em suma, dentro da casca de noz vai dormente o bicho, revoluteia-se a devorar páginas de um diário em branco, escreve mais para dentro do que para fora, chora mais para dentro do que para fora, iça bandeiras ratadas num mastro de febre enquanto o mercúrio sobe à temperatura de um desejo insatisfeito, promessas vãs, muitas promessas vãs coaxando num charco de confettis, a minha vida e a tua por um fio no encalço de uma banda sonora a preceito. 
Há que dizer não, há que dizer definitivamente não, denegar o convite para a dança adiada, adiar o convite, enterrar os pés numa poça de canalhices anódinas, confettis, e ficar o mais possível a desenhar com os olhos no tecto uma duas três figuras ecológicas. 
Já sabes quais são as palavras proibidas, agora livra-te de escrevê-las. E muito menos as profiras. O Bob Dylan pode ouvir-te, ainda lhe retiram o Nobel, ainda o atribuem ao Éder, ou ao Rei da Noruega pela rara sensatez num mundo de lunáticos. 
Pum! 
Acabou de rebentar uma bomba agora aqui mesmo ao lado agora, foi o cão que se fez implorar em nome de seu profeta. Que Deus o acompanhe, a mim bastam-me seus uivos de lobo doméstico. 
Saravá, irmãos, assim se fala entre os escravos. 

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