domingo, 8 de janeiro de 2017

DIMINUTIVO

Quero envelhecer como se envelhece na minha terra, quero ser um velho numa taverna sem diminutivos, a pegar dignamente no seu copo de vinho e a bebê-lo de um trago, quero comer tremoços e pevides e partir nozes, quero sentar-me num banco do jardim a descansar o olhar sobre raparigas novas, estou ansioso por ser um velho na minha terra, sem diminutivos, satisfeito com uma sopa de feijão verde e um cigarro de enrolar, a boina a tombar para uma das fontes, talvez um lápis de carvão na orelha e um caderno de folhas onde desenhar letras, só para não me esquecer de como se escreve e pronuncia o teu nome, que saudades tenho já desse velho sem diminutivos, a olhar para o mar, a sonhar com o futuro, sem questionar o passado que já lá vai porque a morte é simplesmente quando tiver que ou de ser, sem diminutivos. 

2 comentários:

maria disse...

se calhar tens de abrir tu a taverna. :) mas gosto da ideia, "sem diminutivo". aprender a ser velho...

hmbf disse...

É isso.