Tinha 12 anos quando José Afonso faleceu. Lá por casa não
havia discos do Zeca, como todos quantos o ouviam se lhe referiam. O meu pai
cantava amiúde uma versão de Vampiros com letra alterada. Reminiscências da Guerra
do Ultramar. Já no tempo dos CDs, chegou-me às mãos uma compilação de baladas e
fados de Coimbra cantados por José Afonso. Vampiros era, estranhamente, uma das
canções incluídas. Não me parecia balada nem fado de Coimbra. Mas era possível
que fosse. O célebre concerto de 1983, que mais tarde vim a adquirir em CD
duplo, abriu porém as portas para o universo de José Afonso. Canções de
protesto, canções líricas, são meros conceitos como baladas ou fados de Coimbra.
Já antes disse que me soam sempre bem, mesmo quando são mal interpretadas. Basta
ouvir os Filhos da Madrugada (1994). Tenho pela música de José Afonso uma
devoção que dedico a poucas coisas, pelo que me é impossível escolher um álbum. Mantenho o que escrevi há cinco anos, adiantando que considero Era um Redondo Vocábulo a beleza transformada em canção, a canção de uma
vida. Por razões bem diversas, o álbum Com as Minhas Tamanquinhas (1976)
acabou por me marcar pelo que nele se mistura de espírito revolucionário com
desilusão. A participação de Quim Barreiros é o elemento caricato, numa música
de tal forma inclusiva e rica que percorria não apenas os sons nacionais como
os de toda a lusofonia. Por exemplo, na canção que ofereceu título ao álbum
é nítida a aproximação entre África e o Brasil. Com as minhas tamanquinhas não
tem tempo, apesar dos temas situados e das alusões históricas explícitas.
Trespassa a situação com inteligência, falando do que a todos importa. Ora
vamos lá descansar:

2 comentários:
«Redondo Vocábulo» <3
E isto: https://youtu.be/h8TpRnMU09M ...
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