quarta-feira, 8 de março de 2017

#94


A década de 1990 foi fértil em tendências rockeiras, destacando-se entre as mais diversificadas o rock de gajas. Riot Grrrl é o termo para a coisa. Guitarras distorcidas, atitude punk, letras directas e libertárias, amiúde com conteúdos políticos, ofereceram a bandas tais como L7 ou mesmo as Hole uma posição nesse contexto específico. Escritoras de canções como P J Harvey e Stina Nordenstam (numa vertente estética obviamente diferenciada), ou as The Raincoats, que vinham dos oitentas, aproveitaram para impor o seu ideário feminista. Mais recentemente, as Savages revigoraram o que outrora foi tendência e agora é posição. O modo de colocar a voz praticado por Jehnny Beth é claramente devedor de Siouxsie Sioux, uma outra diva do rock no feminino. Porém, as autoras de Silence Yourself (2013) desviam-se das coordenadas góticas com um rock descarnado, muito mais directo, apoiado numa forte secção rítmica e em guitarras eléctricas noisy quanto baste. Adore Life (2015) é um álbum perturbador que manda às ortigas o romantismo melancólico das canções sobre amores desfeitos, concentrando energias numa raiva que reivindica renovação face à constatação do insucesso. O tema continua a ser o das relações humanas, mas observado de uma perspectiva repulsiva que não aceita subjugações nem se mostra minimamente complacente na hora de perdoar. A imagem da capa denota uma postura revolucionária que as canções não desrespeitam. Antes pelo contrário:


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