terça-feira, 2 de maio de 2017

BANDA SONORA ESSENCIAL #1



Há tempos, em cavaqueira com o amigo Godinho, questionávamos a possibilidade de reduzir as colecções de discos a um total de 100 exemplares. Porquê 100? Porque é um número redondo, porque transmite sensação de suficiência, porque 100 é 10 vezes 10, quanto basta para garantir o bem-estar de uma família inteira. Terei de fazer batota, seria incapaz de me desfazer de certas edições que trazem 1, 2, 3, 4, por vezes a integral dos talentos em questão. Considerá-los-ei unidade, uma unidade divisível como divisíveis são todas as unidades. Sucede que tal unidade vem desdobrada em partes distintas, mas não autónomas, de um mesmo corpo. Está justificada a batota. Dêmos início à selecção. Em Novembro de 1978, sete anos depois de ter sido declarada a morte de Jim Morrison em Paris, surge nas discotecas (lojas onde se vendiam discos) um objecto intitulado An American Prayer. Nele, James Douglas Morrison lia a sua poesia e contava histórias por cima da música dos The Doors. Spoken word, diríamos hoje, muito provavelmente, contaminados por uma poesia tão devedora do misticismo de Blake como do niilismo de Nietzsche. An American Prayer é um longo poema aqui extraordinariamente remisturado, uma homenagem dos sobreviventes ao guerreiro tombado no campo de guerra. Raro era atravessar incólume o caos representado no diagnóstico de Morrison:

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