quinta-feira, 4 de maio de 2017

BANDA SONORA ESSENCIAL #2



Deve ter sido pelos meus 17 que comecei a ouvir Tom Waits assiduamente, levado por um dos seus mais mórbidos registos: Bone Machine (1992). Canções tais como Earth Died Screaming, Jesus Gonna Be Here ou I Don’t Wanna Grow Up, da qual The Ramones fizeram uma belíssima versão de inclinação punk, estimularam o interesse por uma discografia iniciada em 1973 com um título algo irónico para quem está a começar: Closing Time. Os primeiros álbuns de Tom Waits eram bastante diferentes do que encontrei em Bone Machine e reencontrei em The Black Rider (1993), escrito para um drama musical em colaboração com Robert Wilson e William Burroughs. Dessa primeira fase, Nighthawks at the Diner (1975), gravado ao vivo, foi sempre o disco que mais me impressionou, por trazer para a linha da frente um grande escritor de canções em pose de entertainer, por vezes roçando a stand-up comedy, ao mesmo tempo que revelava um extraordinário poeta. Na realidade, a maioria das canções de Nighthawks at the Diner são autênticos poemas recitados sobre um fundo de música jazz. Com um formato de canção mais convencional, só mesmo Better Off Without a Wife, Warm Beer and Cold Women, Nobody e, talvez, Eggs & Sausage, canções ideais para o ambiente de clube nocturno aqui reproduzido. Os preâmbulos que antecedem alguns dos momentos musicais não são propriamente intróitos, são autênticos exercícios humorísticos magistralmente alinhados com a poesia de Tom Waits. The drinks are on me tonight


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