terça-feira, 30 de maio de 2017

CADUCIDADE

Apodreceu, tem bolor, estava encostada a fruta estragada, não, fruta fresca não dura nada, prazo de validade limitado ao stock existente, excesso de stock, prazo curto, é de um dia para o outro, quando uma pessoa menos espera, já esperava, nada surpreende já a espera, nem dás por isso, da noite para o dia caducou o pedido, do centro deslocas-te para a periferia e ficas sentado a um canto a observar quem passa, corre lesto o tempo, não corre, projecta-se, num piscar de olhos o esquecimento cai no fosso do esquecimento, a memória enrodilha-se em desperdício, depois desinfectas as mãos no pavimento do trabalho e recebes a mensagem: tem três dias para renovar a identidade, consultas o catálogo e desatas a escrever à parva, palavras sobre palavras, palavras parvas, larvas, lavras as palavras parvas como larvas, num redemoinho interminável de prescrições, isto, prazos de validade caducados, pensamentos bolorentos, ideias podres, emoções bafientas, um mal-estar nas coisas que deteriora tudo ao efémero passageiro avariado, no imo, no imo dos quinze minutos decretados pelo guru pop, já foste. 

Sem comentários: