Não é a primeira vez que Dan Auerbach se aventura a solo.
Já em 2009 havia feito uma pausa dos The Black Keys, publicando então o álbum
Keep It Hid. O merecido sucesso de El Camino (2011), muito por culpa de uma
canção orelhuda intitulada Lonely Boy, gerou espectativas que o álbum seguinte
da banda dividida com Patrick Carney não gorou.
Os temas a solo enveredam por
texturas menos arreigadas ao rock, mesmo quando, ao contrário do que por vezes
parece, o rock dos The Black Keys se desvia da tradição e adopta ritmos e nuances
melódicas próximas tanto da pop como da soul. Waiting on a Song (2017) é uma belíssima
recolha de composições pautadas por uma saudável atitude retro, recuperando
métodos de produção que o levaram a rodear-se de músicos experimentadíssimos.
Impressiona, logo à partida, a paleta de géneros, com tons provenientes tanto
da country music como da folk rock, passando por essa coisa desconforme a que
se deu o nome de R&B, com arranjos sofisticados lembrando, a espaços, alguma
da melhor soul music produzida na década de 1970. Em termos comparativos,
talvez desde o Beck de Odelay (1996) que não ouvia um álbum tão ecuménico
(Cherrybomb é o tema que há muito falta a Beck).
Mas impressiona também, apesar
das inúmeras evocações, a capacidade de Dan Auerbach oferecer ao todo uma
coerência que não se reduz apenas às suas particularidades vocais. A boa
disposição exibida na maioria dos temas é uma resposta inteligente ao ar dos
tempos, sobretudo quando pisca um olho irónico ao mestre nobelizado na mais groovy
das canções deste ano: «Guess I'll stay on desolation row / Go get stoned and
hang around».
É ouvi-lo:

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