sexta-feira, 7 de julho de 2017

#99




Há qualquer coisa nos Fleet Foxes que os torna peculiares, talvez a obstinação em não se tornarem cativos de fórmulas sedutoras como as que podiam supor-se à época do álbum de estreia. O registo homónimo de 2008 colou-os à folk rock, mas rapidamente se dissiparam quaisquer dúvidas acerca das intenções idílicas destes rapazes oriundos de Seattle. Quem procurar canções bonitas e sedutoras, melodias atraentes e convincentes à primeira audição, pode mudar de caminho. Crack-Up (2017) volta a provar que a pop não é praia onde Robin Pecknold aprecie mergulhar. Logo ao primeiro tema, a sobreposição de gravações com ritmos diversos e até qualidades sonoras divergentes deixa-nos confusos. As harmonias vocais mantêm-se como imagem de marca, mais à maneira de Crosby, Stills & Nash do que dos The Beach Boys. Mas essas harmonias são apenas uma deriva intimista sobre estruturas rítmicas minimalistas e melodias dissonantes. As letras divagam sobre assuntos diversos, ora lançando um olhar dispersivo sobre a rua da cidade, ora voltando-se para dentro em caótica meditação. Ao fundo, escutamos arranjos de cordas e de sopros. Mas é como se não estivessem lá. O álbum desenvolve-se em canções ziguezagueantes, levando-nos das paisagens orientais e contemplativas de Ōdaigahara à catarse emocional de Fool’s Errand:


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