sexta-feira, 20 de outubro de 2017

#102


The Wild Bunch é o título de um western realizado por Sam Peckinpah no final da década de 1960, ao qual alguns músicos de Bristol foram buscar o nome para a incubadora do projecto que viria a gerar os populares Massive Attack. Entre eles, ainda numa fase iniciática, destacou-se o frenético Tricky. O álbum de estreia, intitulado Maxinquaye (1995), granjeou-lhe um lugar na história do então chamado trip hop. Tricky diferenciou-se por uma música onde confluíam as novas tendências da música electrónica e a velha inspiração dos blues, do rock, da soul. O mais recente Ununiform (2017) recupera-o numa forma invejável, mantendo a veia sombria que caracterizou muitos dos últimos trabalhos. Dark Days é puro electro-punk, com um riff de guitarra a pautar os sussurros do maestro e a voz límpida de Mina Rose (que voltamos a ouvir no excelente Running Wild). As colaborações com vozes femininas são, de resto, uma constante que Ununiform não interrompe. Francesca Belmonte oferece o tom bluesy e espiritual a New Stole, Avalon Lurks colabora numa versão para Doll, original das Hole de Courtney Love, Terra Lopez aparece em Armor num tema ao melhor estilo electropop com uma potente malha de baixo, a actriz, modelo e mais qualquer coisa Asia Argento oferece o tom sensual a Wait For Signal, Martina Topley-Bird, companheira de sempre, encerra o capítulo das parcerias femininas. Depois há ainda a participação de Scriptonite, rapper originário do Cazaquistão, a emprestar a alguns temas a excentricidade do idioma. Ao entrar na casa dos 50, Tricky não se desvia da zona de risco onde há muito se instalou. A sua música não é tipicamente de massas, ainda que nos ofereça momentos de uma simplicidade e de uma beleza que poucos quererão questionar (por tocarem, lá está, na ferida essencial):



2 comentários:

Marta Figueiredo disse...

Adoro adoro adoro adoro ❤️

hmbf disse...

É bom, é. :-)