quarta-feira, 25 de outubro de 2017

YINKA SHONIBARE MBE


After initialy entertaining us, these acephalous mannequins pose questions about cultural, racial, and national identities.


As a metaphor for contemporary society, they are Europeans sumptuously dress in African wax cloth.


It suggests that the luxury we enjoy is due to others who are much less fortunate.


Can one be happy amid some much poverty?


Yinka Shonibare MBE é um artista britânico de origem nigeriana. Ao tornar-se membro da prestigiada Order of the British Empire, adicionou ao nome próprio a sigla MBE (Member of the Most Excellent of the British Empire).


Os manequins acéfalos com indumentária sumptuosa são uma representação peculiar da moda inglesa no séc. XVIII. As roupas escondem o segredo da sua origem africana, gerando um sugestivo contraste entre a luxuosa ostentação de riqueza na Europa e a exploração de povos de outros continentes de onde provinham matéria prima e mão de obra.   


Por detrás da alegria, do luxo, da ostentação, esconde-se um historial de exploração e de miséria. Os manequins acéfalos apelam à consciência ao mesmo tempo que metaforizam a sua ausência. 


Podemos transportar este trabalho para a realidade portuguesa, vendo na cena de galanteio uma relação entre o Coelho demissionário e a rainha dos kiwis.

YINKA SHONIBARE MBE
FAKE DEATH PICTURE 
(THE DEATH OF CHATTERTON – HENRY WALLIS)
2011


   Já terás reparado que verso é um anagrama de servo, terás reparado que somos o verso dessa coisa um dia parida no paraíso perdido das ilusões, terás reparado que nos transformámos em servos de uma ideia. Não me toques, pois, a viola fresca dos frutos por colher, não me cantes em falsete a canção de protesto, não esperes do meu riso a poesia original dum riacho despoluído nem do meu choro algo diferente desta fonte seca de espanto. Nem me julgues no reverso da medalha. Nada me falta para ser feliz, escolhi a solitude encantada daqueles que se descobriram falha, escolhi a solitude encantada das vozes robotizadas, este estar à janela como quem vê quem passa desconfiando que nada se passa com quem passa. Não me julgues no reverso da medalha. Não te admires que olhe para ti como quem olha a nouvelle cuisine e pergunta: é para comer ou está só a enfeitar?

Henrique Manuel Bento Fialho, in Suicidas, Deriva, Julho de 2013. p. 109

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