Durante a década de 1990, os The Smashing Pumpkins foram
uma das bandas que melhor soube aproveitar a vaga grunge em favor de um rock ambicioso na diversidade das suas propostas. Liderados por Billy Corgan,
personagem perturbadora e, ao que se sabe, perturbada, nos The Smashing
Pumpkins confluíam tanto a herança do heavy metal da década de 1970 como a pop
neo-romântica, de inspiração gótica, da década seguinte. A perda de fôlego
começou a desenhar-se já no séc. XXI, com Corgan a envolver-se em novos
projectos onde ficavam patentes as mazelas de uma depressão profunda. Não será
exacto considerar Ogilala (2017) o primeiro álbum a solo de William Patrick Corgan,
embora o registo intimista e acústico, ao jeito mais tradicional de escritor de
canções, o permita. Apoiado por um piano e pela guitarra folk, aceitando
ocasionais arranjos de cordas e a colaboração de James Iha, guitarrista fundador
dos The Smashing Pumpkins, Corgan esconjura em baladas simples e sem segredos,
apesar da obscuridade das letras, os demónios de um universo pessoal serenado
pela vida familiar. A produção do experimentadíssimo Rick Rubin, que trabalhou
com Johnny Cash as American Recordings, dá uma ajuda:

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