segunda-feira, 13 de novembro de 2017

BANDA SONORA ESSENCIAL #25



   Entre as muitas canções popularizadas por Chet Baker, “Like Someone In Love” ocupa um lugar especial. Composta por Jimmy Van Heusen, com letra de Johnny Burke, foi ao longo dos anos objecto de inúmeras versões. Em 1993, a islandesa Björk Guðmundsdóttir incluiu-a no álbum que acabaria por catapultá-la para a fama internacional.
   Antes de Debut (1993), Björk já tinha editado dois álbuns a solo e colaborara com várias bandas. Os The Sugarcubes serão a mais conhecida. O gosto pela música jazz ficara patente no álbum Gling-Gló (1990), pelo que a versão de “Like Someone In Love” não espantou. Às vezes amo Björk, outras vezes odeio-a. Esta relação bipolar tem na sua origem um preconceito para com o deslumbramento visual que acompanha amiúde as suas produções. O engenho vocal ninguém lho tira, pelo que por vezes lamenta-se o excesso de parafernália visual que se lhe sobrepõe. É como pôr demasiada maquilhagem num rosto naturalmente belo.
   Em Debut, “Like Someone In Love” afirma-se como um momento de irresistível intimismo. Acompanhada por uma harpa, Bijörk canta sobre o som das ondas do mar, depois de no início do tema ouvirmos o sorriso de crianças e o motor de um carro a chegar e a partir. Canta para as estrelas, canta para o mar, canta para o pôr-do-sol, enquanto à sua volta finda mais um daqueles dias que Lou Reed classificaria de “perfect”. Ou será que faz testes de som antes de iniciar uma noite de trabalho num clube nocturno?
   “Like Someone In Love” surge a meio do álbum, como uma espécie de pausa entre temas que percorrem tanto os domínios da pop electrónica, perfeitamente dançáveis, tais como “Big Time Sensuality”, e a elegância de baladas com orquestrações românticas ao género de “Come To Me”. Outro momento igualmente intimista e desnudado no álbum é o tema final, “The Anchor Song”. Já este ano, Björk presta-se a reaparecer com um visual directamente inspirado em obras de literatura fantástica ao estilo nórdico. O disco chama-se Utopia. Prefiro-a desmaquilhada ou como no magnífico tema “Aeroplane”, em busca de um lugar que suplante a solidão de corações ao abandono. 


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