domingo, 25 de março de 2018

ÁGORA, A RUA, AGRURA, A GRUA




   Antes de me dirigir à Malaposta para mais uma leitura integral de A Grua, passei pelo Jardim da Parada, em Campo de Ourique, onde decorre uma Feira do Livro de Poesia. Trouxe livros da Averno, da Douda Correria, da não (edições), da Livraria Snob, da Pianola, da Mariposa Azual. Hoje, pelas 17h, a Margarida Vale de Gato estará por perto a apresentar Mulher ao Mar e Grinalda (Mariposa Azual, Março de 2018). É na Casa Fernando Pessoa. 
   Lido A Grua, depois de meia dúzia de palavras trocadas com amigos, durante o jantar olhava para as minhas filhas e pensava no futuro. Será que quando elas tiverem 20, 30, 40 anos ainda haverá malucos a publicar poesia? São indispensáveis grandes doses de obstinação, resistência, perseverança, “amadorismo”, para publicar poesia onde há tanto quem a escreva e tão poucos que a leiam. Os eventos sucedem-se, as comemorações, os lançamentos fazem-se, mas os livros circulam ao ritmo do caracol. A indiferença e o descaso genéricos só não derrotam definitivamente os poemas por haver neste mundo excepções com crostas impermeáveis ao ferrão venenoso da regra. 
   Mas depois lembrei-me desta história que aconteceu com Thoreau e das palavras de Gualter Cunha na introdução a A Terra Devastada, de T. S. Eliot: «Prufrock and Other Observations, em 1917, numa edição de quinhentos exemplares que demoraria cinco anos a esgotar». Foi há um século. 
   Portanto, sobrando ainda umas dezenas de exemplares de A Grua não me resta senão persistir no convite a um e-mail para voltadmar@gmail.com. É simples, basta dizerem ao que vão e o maluco do editor encarregar-se-á de dar resposta às vossas solicitações. Seria interessante ver o livro esgotado em menos de cinco anos. Seria mesmo muito deveras assaz interessante.

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