Antes de me dirigir à Malaposta para mais uma leitura
integral de A Grua, passei pelo Jardim da Parada, em Campo de Ourique, onde
decorre uma Feira do Livro de Poesia. Trouxe livros da Averno, da Douda Correria,
da não (edições), da Livraria Snob, da Pianola, da Mariposa Azual. Hoje, pelas
17h, a Margarida Vale de Gato estará por perto a apresentar Mulher ao Mar e
Grinalda (Mariposa Azual, Março de 2018). É na Casa Fernando Pessoa.
Lido A
Grua, depois de meia dúzia de palavras trocadas com amigos, durante o jantar
olhava para as minhas filhas e pensava no futuro. Será que quando elas tiverem
20, 30, 40 anos ainda haverá malucos a publicar poesia? São indispensáveis grandes
doses de obstinação, resistência, perseverança, “amadorismo”, para publicar
poesia onde há tanto quem a escreva e tão poucos que a leiam. Os eventos
sucedem-se, as comemorações, os lançamentos fazem-se, mas os livros circulam ao
ritmo do caracol. A indiferença e o descaso genéricos só não derrotam
definitivamente os poemas por haver neste mundo excepções com crostas impermeáveis
ao ferrão venenoso da regra.
Mas depois lembrei-me desta história que aconteceu
com Thoreau e das palavras de Gualter Cunha na introdução a A Terra Devastada,
de T. S. Eliot: «Prufrock and Other Observations, em 1917, numa edição de
quinhentos exemplares que demoraria cinco anos a esgotar». Foi há um século.
Portanto, sobrando ainda umas dezenas de exemplares de A Grua não
me resta senão persistir no convite a um e-mail para voltadmar@gmail.com. É simples, basta
dizerem ao que vão e o maluco do editor encarregar-se-á de dar resposta às
vossas solicitações. Seria interessante ver o livro esgotado em menos de cinco
anos. Seria mesmo muito deveras assaz interessante.

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