terça-feira, 15 de maio de 2018

15 de MAIO DE 2018


Anteontem: agrada-me o ritmo dos filmes de Jim Jarmusch, em contraponto à tensão insinuada por personagens contidas. Paterson (2016) não foge à regra. Ode à poesia de William Carlos Williams, mantém com esta um apego ao quotidiano e ao belo que irrompe da banalidade. O mínimo de palavras reflecte-se num mínimo de imagens, distribuídas por uma semana na vida da personagem que tem o nome do lugar onde vive. Tocou-me especialmente o encontro de Paterson com o japonês leitor de Williams, por haver nele algo de intraduzível que alcança a essência do poema. Mesmo quando o poema busca a claridade e a objectividade de dias pautados pela rotina.
Ontem: bem diferente é a adaptação de On The Road (2012) por Walter Salles, repleto de clichés capazes de transformar um livro de culto num retrato medíocre do jovem escritor em busca de material para a grande estreia. A amizade entre o aventureiro Dean Moriarty e Sal Paradise, que a espaços partilham uma Marylou em cenas de sexo filmadas à pressão, está longe de ter sido representada com a intensidade que merecia. Este On The Road mais se parece com uma viagem de finalistas na actualidade do que com a alucinante aventura existencial registada por Kerouac.   

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