sábado, 19 de maio de 2018

19 DE MAIO DE 2018


   Noite mal dormida. As inquietações sobrepõem-se em camadas, a despeito de amanheceres claros, noites sóbrias e dias relativamente desprendidos. Sucede que uma pessoa olha, observa as esquinas, tenta reconhecer as leis, e acaba invariavelmente sujeito aos acidentes, ao caos, à desordem.
   Agora a loucura ameaça nas proximidades. Reconheço os olhos de um louco, aquele que volta costas a mundos alheios e se fecha em si mesmo num gemido descontínuo, perturbador, gemido de dores cuja origem desconhecemos. Físicas? Mentais? Será o medo? Temo que seja medo, redundância apreensiva de quem tenta comunicar com o indisponível.
   Sou o primeiro a levantar-se, escuto os pássaros com uma inveja contemplativa. Calhou-me ser homem. Fosse insecto, talvez a vida assumisse outras complexidades. Ou talvez fosse tudo mais simples.

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