quarta-feira, 6 de junho de 2018

06 DE MAIO DE 2018


   Quatro dias de descanso em Aljezur, com paragem em Melides. Estreámos a Casa da Pedra, do L. e da L., com vista para o vale, na encosta do castelo, banda sonora de gatos, galos, restolho e uma bandeira agitada pelo vento. Encontrámos as ruas como outrora as encontrávamos em pleno Agosto, relativamente calmas, sossegadas. E da casa trouxemos uma paz reinventada pela suspensão dos deveres.
   De novo a oeste, a imagem de uma Fonte das Mentiras de origem árabe. Dizem que lá se esconde uma moura amada por um cristão. Guerras escusadas e fastidiosas que atraem centenas de visitantes. As pessoas adoram lendas, colocam-se na margem a sorver pela calada o desfecho das querelas como quem assiste a uma partida de boxe entre a verdade e a mentira.
   Os meus preferidos são os neutros, a discrição dos neutros comove-me, faz-me pensar que se o país fosse invadido eles seriam os primeiros a baixar as calças. Não por medo, nem por convicção, simplesmente por ser sempre mais forte neles o umbigo do que a consciência. O crânio ainda não fechou, a moleirinha está desprotegida. Nos neutros é assim, mete-se o dedo e sente-se a gelatina. São às centenas.

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