sexta-feira, 8 de junho de 2018

08 DE JUNHO DE 2018


   Aquele pranto bloqueado por não sei que diques, convulsão de lágrimas aos soluços, vindas a espaços intempestivamente, como que irrompendo de um peito onde tudo é tremura contida, travada, impedida de se manifestar.
   É preciso libertar a dor, deixá-la fluir por seus caminhos destravados, a dor, o medo, a angústia de perder para sempre quem nunca nos faltou.
   As manhãs crescem cinzentas por mim acima, bocados de céu azul surgem ao alto como poças na terra onde apetece mergulhar o corpo inteiro que pesava nos pés da infância. Pudéssemos pontapear o sofrimento como a uma pedra. Nem sequer uma trovoada estremece este desconsolo, é tudo espera, lenta espera, a angústia de perder para sempre quem nunca nos faltou.

1 comentário:

panaceia disse...

Um abraço, Henrique
Lia