segunda-feira, 4 de junho de 2018

ERRAR PELAS ESQUINAS



«Esta é a verdadeira história de Zé Petinga, o homem que não parava de escrever». A imagem assim escrita por Henrique Manuel Bento Fialho, no início de uma das histórias do seu mais recente livro, é o mais fiel, simples e absoluto retrato do Zé Petinga. Nada mais se poderá dizer dele, pelo menos quem se cruza com ele nas esquinas e ruas da Nazaré. Henrique, no entanto, revela mais. E faz dele personagem até de uma outra história que contracena com Taranta (quem é do Sítio reconhece o nome). Mas é na página 227 do livro «A Festa dos Caçadores» que está este «amante de baronesas a tempo inteiro». Não uma biografia completa, é somente um relato com expressão do que o homem pode ser. Um breve diálogo e destreza de imaginação, um lirismo que compromete todos os seus amigos, uma vida contada sob um nome, mas que tem vários mundos lá dentro. De resto, vale a pena ler as mais de 330 páginas deste livro escrito por um autor que também erra pelas esquinas quando o vento o empurra até à praia.


Mário Galego, aqui.


Adenda: e a Maria, no Jardim de Luz, partilha um excerto do conto O Homem Que Anotava a Cor dos Cabelos, pp. 151-153. 

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