segunda-feira, 2 de julho de 2018

02 DE JULHO DE 2018


   Ao telefone, um amigo chama-me a atenção para as personagens femininas que povoam A Festa dos Caçadores. Não me tinha apercebido. Pego no livro e enumero-as: 
   Belinha, Berta, Dona Cunha, Maria Suália e as filhas gémeas, Dona Esmeralda, a puta no prédio maior da Praça da República, Ana Rita, Gracinda, professora Vitória, a velha da cesta de vime, Dona Ilda, a mulher do porqueiro que acabou presa em França por tráfico de droga, Rute, Júlia, a rapariga da tabacaria, Eva, a mulher que traiu o professor de Matemática com um cigano, as beatas, a mulher do enforcado, as enfermeiras, Sofia, as várias amantes de Arnaldo, Filipa, amores anónimos, Otília, Maltesa, a fã, minha mãe, a Cidade, Maria, mulher de José, adúltera involuntária, a velha do outro lado da rua, a mulher do Primeiro Monólogo, as mulheres que gostam de homens com sentido de humor, as miúdas vestidas de preto, Maria José, a prostituta, Susana e Mónica, a mulher a quem M cravou uma faca no ventre, a ex-mulher de Franquelim de Almeida Santos Peixoto, Estther, a presidenta da Associação Unida de Mulheres Anarcas Separadas, Nanete Bezerra, Deolina Caxias, Donzília Confusa, Duartina Ratanji, Umbelina Trindade, uma holandesa que conheci em São Martinho no ano de 1989, a mulher de Juraan Vink, Esther, Catarina, a colega de redacção no jornal Tribuna, a minha BarCode, a responsável pelo departamento editorial de uma das nossas grandes editoras, várias clientes especiais, mãe e filha no conto Cão, a colega do turno da noite, o Homem, que era também Mulher, porque Deus ordenou que se fizesse o Ser Humano à sua imagem e semelhança, mulheres anónimas com a voz distorcida, uma ninfomaníaca fora de prazo, a parceira de um speed dating, a mulher no quadro de Edward Hopper, a professora Gertrudes, a vizinha do segundo esquerdo, a mãe pedinte, mães carregadas de sacos com compras, Luísa Maria, Quitéria, Licínia, uma mulher que segurava dois sacos aparentemente pesados, duas testemunhas de Jeová, duas velhas no café Bocage, a professora primária da Rosinha, uma miúda com metade da minha idade… 
   O meu amigo diz-me que A Festa dos Caçadores é o mais feminino dos meus livros. Não sei exactamente o que pretende dizer com isso, nem se o facto de haver tanta mulher espalhada pelas histórias oferece género ao livro. Regista-se aqui apenas uma constatação, o que fica de quem lê.

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