quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

#110



Natural de Landsdowne, Pennsylvania, Kurt Vile (n. 1980) começou cedo a compor e a gravar canções caseiras que mais tarde transportaria para estúdio. Em 2005 fundou os The War on Drugs com Adam Granduciel, abandonando posteriormente a banda para se dedicar a uma carreira a solo repleta de colaborações. Constant Hitmaker, o álbum de estreia, data de 2008. Dez anos passados, este Bottle It In não traz novidades quanto aos territórios onde Vile pretende inscrever a sua música. Neil Young é a referência mais vezes mencionada, porventura por ser a mais facilmente detectável e porque, tal como Young, também Vile se recusa a circunscrever o campo de acção da sua música. São igualmente perceptíveis as influências sónicas e experimentais de uns Sonic Youth ou mesmo de uns The Flaming Lips. O registo vocal lembra-nos muitas vezes o de Thurston Moore.


Curiosamente, este álbum tem lá pelo meio uma versão de Rollin’ With The Flow, canção popularizada por Charlie Rich, estrela do universo country. Outro momento mais pop, por assim dizer, é Come Again. Menos instantâneas são as restantes composições, raramente construídas em torno de um refrão ou de uma melodia facilmente reproduzível. Guitarras sobrepostas, programações ligeiras, loops, sintetizadores atmosféricos, misturam-se como suporte de letras debitadas mais como quem conta uma história do que como quem canta uma canção. Arranjos complexos conduzem esta música para esquemas desafiantes, repetitivos e minimalistas, hipnotizantes. A cinta temporal dos dez minutos aplica-se a temas tais como Bassackwards, Bottle It In, Skinny Mini, resgatando desde logo este disco da prateleira dos hits para rádio.


Sem comentários: