Natural de Landsdowne, Pennsylvania, Kurt Vile (n. 1980)
começou cedo a compor e a gravar canções caseiras que mais tarde transportaria
para estúdio. Em 2005 fundou os The War on Drugs com Adam Granduciel,
abandonando posteriormente a banda para se dedicar a uma carreira a solo
repleta de colaborações. Constant Hitmaker, o álbum de estreia, data de 2008.
Dez anos passados, este Bottle It In não traz novidades quanto aos territórios
onde Vile pretende inscrever a sua música. Neil Young é a referência mais vezes
mencionada, porventura por ser a mais facilmente detectável e porque, tal como
Young, também Vile se recusa a circunscrever o campo de acção da sua música. São
igualmente perceptíveis as influências sónicas e experimentais de uns Sonic
Youth ou mesmo de uns The Flaming Lips. O registo vocal lembra-nos muitas vezes
o de Thurston Moore.
Curiosamente, este álbum tem lá pelo meio uma versão de
Rollin’ With The Flow, canção popularizada por Charlie Rich, estrela do
universo country. Outro momento mais pop, por assim dizer, é Come Again. Menos instantâneas são as restantes composições, raramente
construídas em torno de um refrão ou de uma melodia facilmente reproduzível.
Guitarras sobrepostas, programações ligeiras, loops, sintetizadores
atmosféricos, misturam-se como suporte de letras debitadas mais como quem conta
uma história do que como quem canta uma canção. Arranjos complexos conduzem
esta música para esquemas desafiantes, repetitivos e minimalistas, hipnotizantes.
A cinta temporal dos dez minutos aplica-se a temas tais como Bassackwards,
Bottle It In, Skinny Mini, resgatando desde logo este disco da prateleira
dos hits para rádio.

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