sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

#111



Oriundos de Duluth, no Minnesota, os Low são responsáveis por algumas das canções mais lentas e melancólicas dos últimos 25 anos. Publicaram o primeiro álbum em 1994. Sobre o irónico I Could Live in Hope os críticos falaram com entusiasmo, sublinhado a sensibilidade e a austeridade instrumental. Estas foram durante vários anos as características principalmente apontadas ao trio, que partilha na linha da frente as vozes de um casal composto por Alan Sparhawk e Mimi Parker. Ele também toca guitarra e ela é a baterista de serviço. Ao longo dos anos, juntaram-se-lhes vários instrumentistas de proveniências diversas. No mais recente Double Negative (2018) temos Steve Garrington no baixo e Maaike van der Linde na flauta, mas não podemos deixar de notar a influente produção de BJ Burton. Tendo em conta a base electrónica de todo o disco é justo considerá-lo o arranjador invisível por detrás de um álbum que ecoa amiúde experiências já anteriormente levadas a cabo com Bon Iver. Isso nota-se, antes de mais, na manipulação das vozes, as quais surgem sobre ritmos desconstrutivistas gerando atmosferas melódicas celestiais (por vezes lembram canto gregoriano). Temas como FlyAlways Trying to Work It Out e Dancing and Fire (carregado de delays) são o que de mais próximo do formato tradicional de canção encontramos neste álbum. Os restantes temas podem até a espaços soar desconfortáveis, tal a manipulação electrónica a que foram sujeitos. A prova a que o ouvinte fica exposto é a de compreender as formas ocultadas sob um espesso manto de fumo, de modo a que lhe seja possível decifrar o corpo melódico e harmónico dissimulado pelo ruído, pelas atonalidades, pelos ecos e pelas dissonâncias. É, sem dúvida, o mais surpreendente disco dos Low até à data. Como teste, escute-se este Always Trying To Work It Out:

1 comentário:

jonesy disse...

É um álbum poderoso, amiúde desconfortável, acho-o muito tenso. Mas lá está, mexe. Muito.