Oriundos de Duluth, no Minnesota, os Low são responsáveis
por algumas das canções mais lentas e melancólicas dos últimos 25 anos. Publicaram
o primeiro álbum em 1994. Sobre o irónico I Could Live in Hope os críticos falaram com
entusiasmo, sublinhado a sensibilidade e a austeridade instrumental. Estas
foram durante vários anos as características principalmente apontadas ao trio, que
partilha na linha da frente as vozes de um casal composto por Alan Sparhawk e
Mimi Parker. Ele também toca guitarra e ela é a baterista de serviço. Ao longo
dos anos, juntaram-se-lhes vários instrumentistas de proveniências diversas. No
mais recente Double Negative (2018) temos Steve Garrington no baixo e Maaike
van der Linde na flauta, mas não podemos deixar de notar a influente produção
de BJ Burton. Tendo em conta a base electrónica de todo o disco é justo considerá-lo
o arranjador invisível por detrás de um álbum que ecoa amiúde experiências já
anteriormente levadas a cabo com Bon Iver. Isso nota-se, antes de mais, na
manipulação das vozes, as quais surgem sobre ritmos desconstrutivistas gerando
atmosferas melódicas celestiais (por vezes lembram canto gregoriano). Temas como Fly, Always Trying to Work It Out e Dancing and Fire (carregado de delays) são o que de mais próximo do formato tradicional de canção encontramos neste
álbum. Os restantes temas podem até a espaços soar desconfortáveis, tal a
manipulação electrónica a que foram sujeitos. A prova a que o ouvinte fica exposto
é a de compreender as formas ocultadas sob um espesso manto de fumo, de modo a
que lhe seja possível decifrar o corpo melódico e harmónico dissimulado pelo
ruído, pelas atonalidades, pelos ecos e pelas dissonâncias. É, sem dúvida, o mais surpreendente
disco dos Low até à data. Como
teste, escute-se este Always Trying To Work It Out:

1 comentário:
É um álbum poderoso, amiúde desconfortável, acho-o muito tenso. Mas lá está, mexe. Muito.
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