Cristina Fernandes, no weblog Bicho Ruim, escreve sobre Cristina Bartleby (nunca li): O caso fraudulento de Cristina Bartleby (parte 1), O caso fraudulento de Cristina Bartleby (parte 2). Cito:
Apercebi-me do caso da Cristina Bartleby (na verdade
chama-se Cristina Freitas Branco, embora também já tenha assinado com o nome
intermédio Luísa Freitas ou até com as iniciais clrfb) em 2014. Na altura
investiguei um pouco e verifiquei que os textos que ela publicava — por
todo o lado e em grande quantidade — era corta e cola quase automático, sem
itálicos, sem referências, sem links, sem nada. A Cristina Bartleby não
trabalha sobre citações, não se dá à canseira de estabelecer variações ou
montagens (nem tem estaleca para tal), apropria-se de modo atabalhoado e
indevido de frases. Como um glutão, engole o que os outros escrevem, mistura e
depois regurgita fiapos disto e daquilo sem qualquer coesão interna nem deriva
total — é mesmo só um vómito.
(...)
CB assentou arraiais no condomínio maravilhoso do
facebook, imagino que tenha ganho fama e corte e, num salto arrojado de
consagração (e desvario?), saltou para o papel e para o espaço público.
Aqui convém fazer uma pausa para lamentar que o sentido crítico do que se
escreve e publica, principalmente em forma de poesia, está a nível abaixo de
rasteiro. Dá a impressão que já ninguém sabe ler, passam apenas os olhos pelas
palavras e pela pose do artista?
13 comentários:
Uma vez li mas coisas dela no facebook. Convidei-a para publicar na Medula. Na altura não me respondeu. E, pelos vistos, ainda bem. Não fiz uma pesquisa tão alargada, como a que aqui referes. Mas qualquer coisa não batia bem. Eis, hoje e agora, a resposta.
Puxa, acho isto muito triste. saúde
Herberto Helder aquecido no micro-ondas e servido em segunda mão:
terça-feira, março 26, 2019
Trago o pássaro de fogo num cantil
balanço-o e vibro com cada volta, as asas
o muito que se bate,
como depois o esforço arrefecendo
da água
e a cada gole estremece-me a boca,
aclara-me os olhos numa hora,
escurece-me a pele noutra,
como quem lesse música oiço-a sem fôlego
nos caules quebrados, as flores deitadas
aumentam-me a cabeça os sentidos
que dizia a chuva numa panela velha
faz muito, o vento nas ervas?
afastando a mesa, um verso
de pontaria distendida
montava armadilhas para pintassilgos
Era isto: acabava ali a terra, em tons suaves:
amarelos, azuis, rosas de sorriso carnívoro
teria uns dezassete, só depois chegam as idades
diferentes, a noite inteira
o sol dando a volta no interior de frascos
e que lâmpadas, como se nasce
saboreando novas expressões
a desordem do mundo como um lanho na carne
ter um nome dos últimos
e olhar desde aí essas raras impressões
enquanto a vida não se acaba
como a visão dela em flor de som
os cabelos escorrendo água
como do próprio perfume se sacode
e nele se move brandamente o arvoredo
Mas a pressa ainda é pouco, sigo-a
caules, salpicos de sangue ou suor nas silvas
bebendo nas folhas a gota estreita que me escapou
e brusco descrevo-a, isto circula
a flecha zumbe e o fogo espalha-se
deito a colher nas fontes que fervem
e nem me faltam crenças selvagens
a parte quebrada que do grito se volta
e fere como lâmina
um desejo de silêncio devorando os grilos
o sabor das coisas, respirando, sublinhadas
uma espécie de arte que fosse simples
como ter fome
Diogo Vaz Pinto
Anónimo indigno, a atirar gasolina para a fogueira, a ver se a chama levanta e faz muito fumo. Vá lá, diga pelo menos o apelido de uma das suas faces. Já que rosto não tem.
O caso do sonambulo chupista, viva o Luiz Pacheco.
biografia de Gabriel Resende Santos:
"Patologicamente romântico e tímido, encontrou na poesia um porto relativamente seguro"
biografia de Cristina Freitas Branco (Cristina Bartleby):
"Patologicamente romântica e tímida, encontrou a poesia e perdeu a vergonha na cara"
perdeu a vergonha na cara depois de encontrar "a poesia."
Sou eu, Diogo Vaz Pinto, o Robin dos Bosques da poesia portuguesa.
A verdade é que acredito que o caso de Cristina Bartleby não será caso único. Acredito que, com o passar do tempo, mais casos serão descobertos e revelados. Mas que fique claro: uma coisa é/são influência(s) e outra, completamente diferente, é o plágio. O caso de Cristina Bartleby é puro plágio. Não há qualquer dúvida sobre isso. As influências existem: ora a favor ora contra. Tentar colar plágio a uma influência é desonestidade. E dizer que o plágio é uma influência, ou intertextualidade, também.
Muito divertido.
O que eu acho piada é ao silêncio de tanta gente que nas mesmas circunstâncias puxaria de imediato o megafone à boca. Por outro lado - 0é o que me choca no meio disto tudo - não me surpreende nadinha. Era até inevitável. O mistério no entanto mantém-se: como é que a literatura é a falta delas é tanto uma escola de tontos, vaidosos, desleais e maus-caracteres. E putas baratas.
Henrique, desculpa o comentário um tanto ou quanto desproporcionado. E exagerado, mas no geral o tom da critica mantém-se, acho que se andam a ultrapassar todos os limites mínimos aceitáveis, e obviamente não é só na literatura (antes fosse). Só há coisas que nos enervam mais que outras, por uma questão, vá-lá, de proximidade, de afeição. Em relação à Douda então sou daqueles que é adepto, com quotas em dia, bilhete de época, sempre pendente dos grandes jogos, nem poderia ser de outra maneira...
Falta gente como o Pacheco!
Falta gente como o Pacheco!
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