quinta-feira, 19 de março de 2020

OMAR



Omar estranhou a ausência de movimento na avenida. Aproximou-se de um quiosque e tentou ler as manchetes dos jornais, apercebendo-se da palavra emergência associada ao grande chefe da nação. O homem do quiosque enxotou-o como a moscas, ordenando-lhe que fosse para casa. Omar abrigou-se na arcada de um prédio, junto à montra de uma loja de móveis encerrada. Felizmente ainda não tinham colocado gradeamentos naquele prédio, pelo que Omar pôde acomodar-se com os olhos postos num quarto exemplarmente decorado. Antes de adormecer, ouviu a alguém que passava,
«Agora que se anda tão bem na rua é que temos de ficar em casa.»

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