I
(canal sacral)
a postura incorrecta
do descrente
no chão frio
para que aprenda
à força da tortura sem algoz
o poder da fé
(forames sacrais dorsais)
nos querem de pé
as dores talvez
como as de quem sonha
quando deitado acorda
arfando horizontalmente
traz desconforto
o horizonte mente
a curva desmente
um quadrúpede de fé
com deslocamento
do sacro
não é passado
de que me orgulhe
(forames sacrais pelvinos)
na base da coluna esculpida
o homem gritou de raiva
ou de dor
incapacitante
que tudo confunde
conhece os enigmas do templo
(promontório)
uma maré de dores vagas
que arrastam o sono
e inundam a paciência
com os detritos da escrita
nem uma nota de conforto
(face articular lombossacral)
fazendo-te engolir as palavras
de vocábulos impronunciáveis
que só fora das margens
adquire sentido
(processos articulares superiores)
Expire fundo
Terei vendido a alma?
Do outro
Espiritualmente extinto
Deus não é dado a pormenores
(crista sacral mediana)
canto gregoriano
Da sua crista cristã sacral
evolavam padecimentos
acamada num silêncio
pesaroso
apenas uma dor que percorre a coluna
do sacro à cabeça
(faces auriculares do sacro)
que em nenhum encontro conforto?
a mesmidade do si-mesmo repetida
como alarme que a hora incerta
indica ao corpo as vias do alívio
e branca e lisa como a do comprimido?
(ápice do sacro cóccix)
enxotam o vento
Vejo-os daqui pela janela
que dá para o fim do mundo
E escuto os motores
em movimento
as nuvens que passam
como o tempo
lentamente
e tropeçam nas sombras dos astros
e caem por terra como cometas
da Terra
coberta pelo sal dos oceanos
e pelo sangue dos homens
e tento não pensar na demora
desta existência convalescente
num ápice aparecida
de súbito esquecida
enquanto lá fora até as árvores
parecem caminhar sobre raízes
e as rochas me surgem felizes
em torno de um eixo
fixo
deslocado
(processos transversos do cóccix)
pelas faces pálidas
li por lapso numa história
do século XIX
e logo me ocorreu cevar
nesta raiva
uns versos travestidos de dor
para não gritar
só a mim a dor perturba
e nestes versos que ninguém lerá
sobra o consolo que por lapso
a doença inventa
para se fingir saudável
(cornos do cóccix)
há que pegar o cóccix pelos cornos
ou elaborar trocadilhos
entre cornos e corpos
Mas eu não estou para piadas
falta-me riso à paciência
o quão espirituosa logra ser
a ciência das palavras
a doença que nos atinge
como Deus a marrar-nos por dentro
e o corpo feito arena
sem público
que atinge a coluna
esse pilar da consciência
que mantém de pé um corpo
diante da adversidade
compreenda a chama
que excita o pirómano
a falta de ar que agita
o peixe fora de água
o corno que perfura
o bandarilheiro
mesmo quando disfarçada de prazer
exalta o submisso
ou provoca o martírio
a dor é uma ruptura
uma fractura
e faz caminhar na direcção do outro
não isto que nos prende dentro de nós
como se nada mais houvesse
além do corpo que sentimos
sofrer
que fracture a primeira vértebra
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Yoga
Pilates
Yoga
Pilates
Com Jesus Cristo não resultou. É a minha Via Sacrossanta.
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