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segunda-feira, 24 de maio de 2021

TODE UME NOVE LÍNGUE

 

«Apenas podem concorrer textos inéditos, em língua portuguesa, respeitando o Acordo Ortográfico de 1945 e submetidos peles própries autores.» (…) «Admite-se a candidatura de autores e autoras que colaboraram ou colaboram com a Editorial Divergência e as suas chancelas, nos diferentes papéis editoriais que se lhe associam, desde que se garanta o total anonimato, conforme os termos dos números 12 e 16, e não estejam envolvides em qualquer fase do processo editorial do prémio. Em caso de empate com outre autore que não esteja nas mesmas condições, é escolhida a obra deste segundo.» (…) «Autores menores de idade podem concorrer desde que autorizados pele responsável legal. A autorização deverá ser remetida em conjunto com a submissão e responsável legal estar claramente identificade (nome, morada, idade, endereço electrónico, contacto telefónico).» (…) «Cada autore poderá submeter apenas um manuscrito.» (…) «Autore receberá uma mensagem de resposta acusando a boa recepção do texto no prazo máximo de 48 horas após o envio.» (…) «Autore deve apresentar os seus dados identificativos (nome, idade, endereço electrónico, contacto telefónico e morada) e o título da respectiva obra no corpo do e-mail remetido e enviar um ficheiro digital da obra, anexo ao mesmo e-mail, em que a primeira página é composta pelo título da obra e a sinopse com o máximo de 200 (duzentas) palavras, reservando as demais páginas à obras propriamente dita. Na obra propriamente dita não deve haver qualquer identificação de autore sob pena de desqualificação.» (…) «Autore será contactade previamente via correio electrónico.» (…) «O manuscrito vencedor será publicado pela Editorial Divergência e autore receberá um prémio monetário de 100 (cem) euros. Os direitos de autore serão pagos à parte.» (…) «Os critérios para a selecção de vencedore serão parametrizados em termos da envolvência da trama, credibilidade e coerência das personagens e mundos criados, originalidade e fluidez narrativa.» (…) «A Editora reserva-se no direito de propor a autore alterações à obra premiada caso entenda que venham melhor adequá-la à futura publicação. Estas sugestões poderão ser alvo de contra-proposta por parte de autore. » (…) «Sempre que solicitado pela Editora, autore vencedore deverá colaborar a participar activamente em actividades, eventos e campanhas a realizar com o objectivo de promoção, divulgação e comercialização da obra vencedora, também devendo fornecer fotografias, nota biográfica, bibliografia e outros elementos necessários à divulgação da obra.» (…) «Os direitos de autore são de 15% (quinze por cento) do preço de capa da obra em papel e 25% (vinte e cinco por cento) no caso dos livros em formato electrónico. Poderão ser pagos através da oferta de exemplares ou de transferência bancária. O modo de pagamento é escolhido pele autore.» (…) «A apresentação da obra a concurso implica, por parte de autore, que este compreende e aceita todas as alíneas estipuladas no presente regulamento bem como as explicações fornecidas pela Editora de acordo com a alínea 22.»

 

Para mais informações, aqui.

segunda-feira, 17 de maio de 2021

TERRA NATAL

 


(Mais informações: aqui)

Admito o preconceito, mas certos aspectos na biografia de um autor contribuem para reforçar ou atenuar o interesse gerado pela obra. Seduz-me a tentação de supor uma existência por detrás das palavras, imaginar que são o sangue vertido por um corpo a cicatrizar. Não sinto qualquer desconforto quando o anonimato quebra a corrente, mas como negar o fascínio exercido pelo desvio e pela errância? Já não tenho idade para me deslumbrar com ideias feitas acerca da grande aventura que é estar vivo, sendo-me facilmente perceptível quão misteriosa, angustiante e tremendamente dolorosa pode ser a existência de um gorila no interior de uma jaula. Esta clausura da natureza, o selvagem domesticado, é porventura a mais repisada das formas de viver na contemporaneidade, a qual tem as suas contradições e os seus paradoxos como qualquer outra, mas precisamente por me parecer tão vulgar e nela me encontrar tão imerso é que me espanta quem a contraria aventurando-se no interior de florestas desconhecidas, atravessando o deserto, experimentando adversidades, superando contrariedades, para tombar exausto no cume da montanha acabada de escalar. Ou quedando simplesmente a meio caminho, ainda assim caminhando. Quanto ao tédio e à monotonia do ramerrão doméstico vejo-os como ao desafio colocado a alguém atirado para dentro de um labirinto, convencendo-me de que em muitos casos aquele a quem fosse dado o mérito de encontrar a saída sentir-se-ia tão perdido do lado de fora que desejaria regressar imediatamente ao interior de onde saiu.

Há pormenores na biografia do dramaturgo Daniel Keene (Melbourne, Austrália, 1955) que permitem compreender quanto destas duas dimensões terá contribuído para a arquitectura de uma obra onde vislumbramos tanto o quotidiano trágico da vida doméstica como a errância daquele que parte à aventura. É um autor, como se costuma dizer, que terá passado as passas do Algarve antes de obter reconhecimento. Sabemos que chegou a quase mendigar na Nova Iorque dos anos 80, a dos yuppies capturados pelo grande sonho americano. Familiarizado com os movimentos de contracultura preponderantes no núcleo de resistência à massificação uniformizada do espectáculo, Keene optou por um teatro ao mesmo tempo realista e estranhamente poético no modo como aborda a história. As duas pequenas peças montadas pelo encenador Luís Varela no Teatro da Rainha ajudam-nos a equacionar mais esses mecanismos de aproximação à realidade do que a formular ideias feitas e generalizações sobre a forma como o quotidiano e a experiência vivida se imiscuem na linguagem poética e teatral. Desde logo, são duas peças muito diferentes uma da outra. A Chuva foi escrita como um monólogo, Terra Natal é um encadeamento de sketches fugazes. A primeira desloca-nos para o campo indefinido da memória, a segunda confronta-nos como um reflexo num espelho. O que ambas liga é do domínio da subjectividade, embora possamos encontrar nos dois textos a força de um passado que vem à tona através de memórias e de recordações que são também um questionamento sobre as raízes das personagens.

A Chuva remete-nos para o holocausto nazi, mas fá-lo a partir de um conjunto de alusões e não propriamente de enunciações claras e inequívocas. A velha interpretada pela actriz Isabel Lopes desdobra-se na voz manipulada e na presença física de duas outras actrizes, oferecendo ao discurso a profundidade e o intimismo de uma história enraizada em memórias particulares de um acontecimento universal. Olha-se aqui para a História tendo como ponto de partida uma experiência singular. Onerosas são as memórias que advêm ao rosto de Isabel Lopes e se prolongam nas vozes de Lavínia Moreira e Sara Delgado, elegia pelas vítimas de um extermínio que o tempo parece querer apagar como o faz à matéria transformada em pó ao longo dos anos. É também a esta transformação operada pelo tempo que assistimos, uma transformação projectada do eco fantasmagórico da infância ao rosto envelhecido à boca de cena. Já em Terra Natal este elemento ameaçador do esquecimento surge, precisamente, na personagem igualmente interpretada por Isabel Lopes, uma divertida mas ao mesmo tempo angustiada avó empenhada em transmitir ao neto o conhecimento das suas raízes. É uma peça social, se assim podemos dizê-lo, de forte consciência cívica e com a clara intenção de dar voz aos desafortunados, gente dilacerada pela rotina, pela monotonia, pela tal domesticação do selvagem no início deste texto aludida. A ameaça de desemprego que recai sobre o pai, vigorosa interpretação de Nuno Machado, produz efeitos nefastos no seio de uma família em crise. E essa pode ser uma das temáticas do texto, ou seja, o modo como a vida íntima acaba por ser afectada, condicionada, para não dizer determinada por golpes exteriores, pelo ambiente social e cultural em que o indivíduo se encontra. De sublinhar, porém, que o princípio e o fim da peça estão marcados pelo aniversário do filho adolescente, interpretado por Carlos Batista, o qual se vê no contexto muito mais ambíguo e ambivalente de entrada na vida adulta, até porque nesse contexto repercute a tragédia dos adultos em cena — como se ao vermos o jovem casal estivéssemos a ver o que o pai e a mãe foram, como se ao olharmos para o pai e a mãe estivéssemos a assistir ao que o futuro reserva para o jovem casal. Há uma espécie de herança processada entre as personagens que estabelece um jogo de intercâmbios: a solidão da avó, a ausência de perspectivas da mãe, a frustração do pai, parecem estar a ser transferidos para um casal de adolescentes em alegre vertigem passional mas prestes a descobrir, em bom português, o que a vida custa. E essa é a verdadeira tragédia, perceber que não há saída. Ou, em havendo, regressar ao labirinto.

domingo, 16 de maio de 2021

DISCURSO DO MÉTODO

 (...) Talvez seja essa a ordem hierárquica da disposição humana. As crianças são coagidas a mentir para proteger o orgulho dos pais. Os pais são coagidos a mentir para proteger o orgulho da família. A família é coagida a mentir para proteger o orgulho da nação. A nação é coagida a mentir para proteger o orgulho dos filhos. (...)
Marina Tadeu, aqui.

quarta-feira, 5 de maio de 2021

JOSÉ PASCOAL (1953-2021)

 


Natural de Torres Vedras, reuniu numa quadrologia, da qual fazem parte os livros Sob Este Título, Antídotos, Excertos Incertos, Ponto Infinito, poemas escritos entre 1970 e 2017. Mais recentemente, coligiu no volume intitulado Branza poemas escritos entre 2018 e 2019. Manteve durante anos a Gazeta de Poesia Inédita.
 
EPÍLOGO
 
O poeta só precisa
De mar,
De terra,
De fogo,
De ar,
Dormir de vez em quando,
Passar,
Este, o verbo que mais uso
Para tentar ignorar
A imobilidade,
A inutilidade
De tudo.
 
José Pascoal, in Branza, Editorial Minerva, Agosto de 2019, p. 156.

domingo, 2 de maio de 2021

O VERDADEIRO ARTISTA

"Sou pintor, pinto uns quadros de vez em quando. E também sou mágico", referiu aos deputados. Questionado sobre se vendeu muitas sociedades através da firma Morais Leitão, declarou que vendeu "algumas". Instado a precisar, disse não conseguir lembrar-se do número. E também disse não se lembrar dos nomes das sociedades em que é atualmente sócio-gerente.

António João Barão, aqui.

domingo, 25 de abril de 2021

FASCISMO NUNCA MAIS

 


(Arte do José Serrão)

sexta-feira, 23 de abril de 2021

ANNOBON (1993)


 

A culpa é do Emanuel, que partilhou o tema no Facebook. Ocorreu-me que tinha dado poema há anos, um daqueles que desaparecem para só por acaso voltarmos a dar com ele. Encontrei-o aqui. Merece explicação breve, à época tinha um pseudónimo. E escrevia coisas que dava, desfazia-me delas, sem guardar registo pessoal das mesmas. Vai fazer 21 anos que os vi ao vivo no Seixal (aqui). O tempo passa rápido, as palavras voam:
 
Quando chegámos à ilha de Annobon,
a primeira coisa que fizemos foi procurar
um sítio onde arrumássemos as lágrimas.
Não havia como chorar num sítio assim,
com mulheres dançando ao ritmo do vento,
polpas de palmeira em troncos de papel,
sombras conduzidas pelo sopro de deus
como a areia nas dunas de um deserto distante.
A música é o vento que leva o corpo.
E a dança é só uma técnica de respiração.
Assim é em Annobon. Recordo os olhos
das crianças, pequenos focos de luz
a saltarem da carne preta. Os seus sorrisos
de estômago vazio, uma ternura que é impossível
vislumbrar onde as árvores têm nome de gente grande.
Ninguém precisa de saber o nome das árvores
para amá-las. Ninguém precisa de saber o nome
das árvores para amar. Annobon vibra dentro de nós
sempre que os sopros prenunciam a maresia,
o calor, a declinação do sol sobre as águas do Biafra.
Não sei se ainda lhe consegues sentir o cheiro.
Parece distante mas não está.
Basta escutá-lo com atenção.
Gostava de adormecer todos os dias em Annobon,
esses cinco minutos que fazem valer uma vida.
Mesmo quando o sono me trai e o acto de sonhar,
escutar para dentro, rende o silêncio dos nervos à flor da pele.

quinta-feira, 15 de abril de 2021

OPERAÇÃO MARQUÊS

Dois bons artigos, para serem lidos e reflectidos. Um, de Garcia Pereira, a meter o dedo na ferida: aqui. Outro, de Pedro Tadeu, de uma clarividência exemplar: aqui. Curioso que sejam duas pessoas assumidamente de esquerda — e quando digo esquerda não me refiro ao socialismo engavetado de Soares e comparsas — a assinarem tais textos, os quais revelam algo muito mais preocupante do que o folclore promovido por incendiários porno como calha serem quase todos os comentadores de serviço das televisões. 

quarta-feira, 7 de abril de 2021

OUTRO POEMA DE MANUEL DE FREITAS

 




PAULINE E VILHELM

O meu marido foi para Skagen, pois
acredita, mais do que eu, que
a missão da actual pintura dinamarquesa
é trazer-nos com rudeza e pormenor
imagens cruas da província,
daquilo a que chamamos Natureza,
mesmo no que possa ter de humano.

Preferi ficar em Copenhaga e passear
logo de manhã pelos lagos, na
companhia de Vilhelm, que por uma vez
condescendeu. Vimos — além de cisnes,
patos e parais — aqueles graciosos e ridículos
pássaros azuis cujo nome desconhecemos
ambos. Saltitam, voam mal e grasnam ainda pior.

Pergunto-me às vezes se a arte, o futuro
que dela nos é lícito imaginar, nõ será
uma coisa assim, uma cáustica despedida
do real que constitui, para Heinrich,
um valor supremo. Mas seria indelicado,
da minha parte, colocar essa questão a Vilhelm.
Já foi violência bastante tê-lo obrigado a este passeio.

De resto, ele nunca se interessou por animais.
A não ser, claro, por aquele a que chamamos
homem. Onde eu via pousar uma ave, ele via
apenas uma árvore, a irrepetível configuração
das sombras que a envolvem e é a imagem
mesma de tudo o que se perde numa
manhã de Agosto, ou durante a vida inteira.

Talvez seja por isso que se obstina
em pintar mulheres sem rosto,
salas desertas e lições de trevas, portas
tão fechadas como os dias. Não me surpreendeu
que recusasse tomar um chá connosco 
na próxima semana e msotrar-nos os seus últimos
trabalhos, que Heinrich moderadamente apreciaria.

Tentei desaconselhá-lo de pintar interiores
estéreis, quase previsíveis. «A melancolia,
caro Vilhelm, é um vício plebeu, um disparate».
Só quando nos despedimos percebi que a vida
de que lhe falava tinha, para ele, a espessura
exacta da morte, das portas tão fechadas como os dias.

Copenhaga, Agosto de 2007

Manuel de Freitas, in Brynt Kobolt, Averno, Abril de 2008, pp. 31-32. O poema remete para Heinrich e Pauline Hirschsprung, detentores de uma colecção de arte hoje instalada nos parques do Østre Anlæg nas antigas muralhas de Copenhaga (aqui). A imagem ao alto é do quadro Interior com jovem a ler (1898), de Vilhelm Hammershøi.

quarta-feira, 3 de março de 2021

JORNALISMO

"Como é possível eu ter achado que isto era, apenas, um exercício editorial insensato e incompetente, mas genuíno?" A seguir vem o desgosto: "Como é que a minha profissão chegou a este ponto!?"


Para ler na íntegra, aqui.

terça-feira, 2 de março de 2021

CASA EM CHAMAS

Leio nos jornais que passou um ano desde o aparecimento dos primeiros infectados pelo coronavírus em Portugal. Entretanto, os comentadores e analistas, de todas as classes e géneros, exigem do governo um «plano de desconfinamento», para que «não se repitam os erros do passado». Lembro-me do final de O Sacrifício, de Tarkovski: a famosa cena da casa em chamas. Há um documentário curioso sobre a rodagem do filme chamado Sätta Ljus, de Kerstin Eriksdotter. Nesse documentário, acompanhamos a preparação e as filmagens de várias cenas, e dessa última em especial. Tarkovski e a equipa, que incluía um corpo de bombeiros e outros especialistas em incêndios, planearam tudo até ao mais ínfimo pormenor, mas houve um problema com a câmara. As imagens do rosto de Tarkovski, dominado pelo desespero, são impressionantes. Para ele, o filme só era concebível com aquela cena. O investimento era avultado. Preparam tudo pela segunda vez. A casa ergue-se de novo, no mesmo local. Repete-se o plano, agora sem erros, e, desta vez, a casa arde ainda melhor.


Rui Manuel Amaral, aqui.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

sábado, 13 de fevereiro de 2021

FEVEREIRO

 
Fevereiro avança 
indiferente aos nossos mortos e moribundos.
A natureza ri-se das dores dos homens 
E dá-lhes, por exemplo, esta inoportuna chuva
de fevereiro.
Os dias não esperam que fechem as feridas dos animais.
Ignoram a ética do luto. 
Caiu fevereiro sobre os nossos mortos e moribundos. 
A chuva assusta as vidraças da janela, 
afoga a papoila que se esforça por nascer,
escorre pela campa do meu último morto e 
enlameia as patas do próximo. 
Há sessenta noites que todos os dias
são regados pela tristeza.
Ensopou o tecido e colou-se aos ossos.
Por vezes, dou por mim a sacudi-los,
no gesto atávico do animal incomodado. 
Se houvesse um raio de sol, 
deitar-me-ia nele,
encostada às paredes da rua, 
com o focinho de encontro ao chão.
Mas não há sol, nem paredes, nem chão.
Só esta chuva triste,
e fevereiro,
e o desrespeito da natureza pelo tempo 
que demoram a sarar, as feridas dos animais.

 
 
 
Cuca, a Pirata (aqui)
7/Fevereiro/2021

terça-feira, 15 de dezembro de 2020

UM POEMA DE KATERINA GÓGOU


   Bom dia doutor.
   Não.
   Não se levante. De resto, não tenho nada de grave.
O do costume.
Passe-me valium metaqualona triptizol — já sabe de cor —
Torne-me socializável
arrume-me, vá, junto dos seus semelhantes
junto aos seus bufos
foda-me se quiser
bonitas as gravuras na parede.
Aqui tem uma nota de mil
e dê-me lá a receita
porque já perdi a paciência meu paneleiro de merda
e dê por onde der vou rebentar.
Não. Não se levante doutor. Não é grave.
   Obrigada.
Muito bom dia.

Katerina Gógou, in Três Cliques à Esquerda, tradução de José Luís Costa, Barco Bêbado, Outubro de 2020, p. 53. 

sábado, 12 de dezembro de 2020

NA CAMA COM OFÉLIA


 

O desafio/estímulo para escrever uma peça veio do Fernando Mora Ramos, director do Teatro da Rainha, actor e encenador com larga experiência em palcos diversos. Sobre o texto disse: «Na cama com Ofélia explora os “desentendimentos” situados entre a realidade e a ficção na relação amorosa de Pessoa com a famosa Ofélia, sendo que, na perspectiva de Henrique Manuel Bento Fialho, Ofélia é corpo-sujeito de muitas Ofélias, figura de extraordinário relevo tanto na ficção literária — Shakespeare, por exemplo — como na pintura». Na próxima terça-feira iremos apresentar o texto que estará na base de um espectáculo a realizar em 2021. O ponto de partida são as cartas trocadas entre Fernando Pessoa e Ofélia Queiroz, mas para quem tenha interesse na matéria está agora acessível uma conversa curta que mantive com o Fernando. No Sinal Aberto: aqui.

sábado, 28 de novembro de 2020

A SEMENTEIRA DE BRUMAS

O nevoeiro faz da paisagem uma noiva frígida à espera que ele se levante. Do terraço consigo a custo vislumbrar os ciprestes, os giacomettis das árvores. Uma morta da família tinha-os carinhosamente plantado para, um dia, ocultarem a autoestrada que agora só desliza até casa pelos seus sons marítimos. Talvez aproveitem o nevoeiro para trocarem de lugar mas a esse espectáculo me furto. Tenho de descer para fazer o almoço deixando que a Terra gire a sua aliança com o desvelo de quem pode exprimir à vontade uma enorme repulsa por tudo o que a ordena.


Marina Tadeu, aqui.

domingo, 11 de outubro de 2020

QUEM DÁ MAIS

Quem é que vai chegar-se à frente com o primeiro livro de Louise Glück em português? Assírio & Alvim, Relógio D'Água, Tinta-da-China? Porto Editora, Bertrand? Entretanto encontrei poemas traduzidos para português (de Portugal) nos weblogs "Do Trapézio, Sem Rede", "Enfermaria 6", "O Melhor Amigo" e "Rua das Pretas". Quem dá mais? Seria lindo que aparecesse numa pequena editora.

sexta-feira, 2 de outubro de 2020

CONFORMISMO DESOLADOR

Excelente texto de Vasco M. Barreto no Ouriquense, acompanhado de uma óptima ideia. Eu apoio: 


Pedroso já disse que não vai dar troco a Ventura durante a campanha, mas o povo tem aqui uma segunda oportunidade, se Pedroso permitir: participar numa campanha de crowdfunding para processar o Chega e pedir uma indemnização milionária que deixasse Ventura sem um tostão. Se nada for feito, a Justiça em Portugal passará oficialmente a ser uma piada e fica demonstrado que o povo realmente não presta

terça-feira, 29 de setembro de 2020

APONTAMENTOS SOBRE JOGO DO FIM #5

Um artigo de 2013 onde se especula sobre a influência do xadrez nas peças de Samuel Beckett, nomeadamente em "Endgame" ("Jogo do Fim", na tradução de Isabel Lopes para o Teatro da Rainha). A dado momento, a grande dúvida coloca-se nos seguintes termos:

"Endgame in particular is, as the title makes clear, infused with chess. "Me – to play," announces Hamm, the king on a battered throne, at the outset. In chess, the king is the key piece around which the game revolves, yet also the most restricted and impotent, able to move only a square at a time, just like Hamm, who is shuffled round the stage by Clov, the pawn who glimpses freedom. In chess, the feeble pawn, if it can progress to the eighth rank, becomes an all-conquering queen, the true monarch of the game. Who really holds power – Hamm or Clov?"