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sexta-feira, 10 de maio de 2019

CRIOULO DO UNIVERSO



O oceano branco circula no meu coração
enquanto canta outro oceano de prata dourada,
que se solta das águas do sol.

Já é demasiado tarde para ser só de uma província,
             e muito cedo para pertencer,
             todo,
             ao planeta vindouro e sangrante
             resplendor.

Oh, acode, acode minha hierarquia de peão do planeta,
             gaúcho com tranças de sangue,
             meu pai,
e aparelha-me o melhor cavalo ruão do universo:
para atravessar a água dourada da morte,
              e ouvir-me,
              todo,
              sempre em ti.

O oceano branco soluça pela imortalidade.

Francisco Madariaga, versão de HMBF a partir do original coligido por Marta Ferrari, in Antología – La poesia del signo XX en Argentina, vol. 7 da colecção La Estafeta del Viento, dirigida por Luis García Montero e Jesús García Sánchez, Visor Libros, 2010,  p. 264.

segunda-feira, 6 de maio de 2019

FRANCISCO MADARIAGA



CANÇÕES NUMA VIAGEM A CAVALO

1
Os cavalos nascem para amar secretamente como as madrugadas.

2
Os cavaleiros viajam com ponchos de pele de cervos celestes manchados de sangue.

3
Uma dor como o chilreio de um pássaro de água, perdido na imensidão.

4
O amor de um guerreiro cuja lança tem aço de água.

5
O terror de paisagens afundadas com os tesouros do Diabo.

6
Há uma certa água de ouro na imensidão:
apenas  Jesus Cristo e Rimbaud a conheceram.

7
Conservar sempre uma talha dessa água.



Francisco Madariaga nasceu a 9 de Setembro de 1917 na Provincia de Corrientes, vivendo até à adolescência rodeado da Natureza selvagem. Influenciado pelo idioma guarani, manteve forte atracção pelas raízes. Estudou em Buenos Aires, aproximando-se dos surrealistas que publicavam na revista Letra y Línea. Publicou o primeiro livro de poesia em 1954, com o título El pequeño patíbulo. Foi Premio Nacional de Poesía em 2005. A sua poesia é marcada por um forte contraste entre a paisagem selvagem da infância e a mundanidade urbana de Buenos Aires. Versão de HMBF a partir do original coligido por Marta Ferrari, in Antología – La poesia del signo XX en Argentina, vol. 7 da colecção La Estafeta del Viento, dirigida por Luis García Montero e Jesús García Sánchez, Visor Libros, 2010,  p. 265.

domingo, 5 de maio de 2019

UM POEMA DE FRANCISCO MADARIAGA



OS POETAS OFICIAIS

Ajustais vossa esfera ao mais íntimo do porvir?

Débeis cães anões, tendes a vosso serviço os escritores nacionais, passarões da pátria.

Canastreiros dos frutos do ódio, não estou arrependido
de ter a meu serviço as jóias e os frutos do desejo.

Principezinhos destronizados de todo o sangue em decomposição na natureza.

Eugenios, Equis, Clauditos, cachorrinhos de cinza.


Francisco Madariaga (1927-2000), versão de HMBF a partir do original coligido por Marta Ferrari, in Antología – La poesia del signo XX en Argentina, vol. 7 da colecção La Estafeta del Viento, dirigida por Luis García Montero e Jesús García Sánchez, Visor Libros, 2010,  p. 254.