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terça-feira, 12 de março de 2013

STARE MIASTO



(zona histórica de Varsóvia)


Sentes-te envergonhado aqui.
De que débil nação
provéns tu?
Um povo livre há um século
que nem sequer uma catedral
reconstruiu, quanto mais a sua língua.

Um povo orgulhoso lembra os seus tiranos.
E Sigismund Vasa
está de volta à Praça Zamkowy com a sua coluna.

Não foi para honrar reis e patriarcas
que reconstruiram a cidade pedra a pedra,
mas antes as mãos anónimas que por eles
escravizadas ainda encontraram júbilo na obra.

Olav H. Hauge, in A Few Blades of Grass (1980)
Versão de HMBF

quarta-feira, 6 de março de 2013

SERREI A MACIEIRA JUNTO À JANELA



Serrei a macieira junto à janela.
Por um lado, tapava a vista,
a sala de estar ficava pálida no Verão,
por outro lado, os grossistas já
não queriam aquela qualidade de maçã.
Pensei no que diria
meu pai, ele gostava
daquela macieira.
Ainda assim, serrei-a.

Está muito luminoso, posso
ver para lá do fiorde
ou observar
mais vizinhos,
a casa está agora à vista
de todos, mostra
mais de si mesma.

Não quero admiti-lo, mas sinto falta da macieira.
As coisas não são o que eram. Dava um bom abrigo
e boa sombra, o sol espreitava através dos ramos
em direcção à mesa, e à noite eu costumava deitar-me
a ouvir as folhas ao vento. E as maçãs –
de sabor mais apimentado, na Primavera, não há.
Dói sempre que olho o cepo: quando
enfraquecer, irei desfazê-lo em lenha.

Olav H. Hauge, in Ask the Wind (1971)
Versão de HMBF

sexta-feira, 1 de março de 2013

TENHO TRÊS POEMAS




Tenho três poemas,
disse.
Pensar em contar poemas.
Emily lançou-os
numa caixa, não
consigo imaginá-la a contá-los,
apenas espalhou um pacote de chá
e escreveu um novo poema.
Parece-me correcto. Um bom poema
deve cheirar a chá.
Ou a terra crua e lenha acabada de rachar.
 

Olav H. Hauge, in Drops in the East Wind (1966)
Versão de HMBF

domingo, 24 de fevereiro de 2013

SOB AS ESTRELAS




O que me terá levado a sair debaixo
deste carregado céu da manhã?
Estas rigorosas estrelas azuis,
que pretenderão elas?

As colinas nada prometem – apenas
dão forma, deixando que o fiorde encha
e os rios se atropelem. As colinas
nada sentem debaixo da neve.

Mas as encostas arvoradas prostram-se,
mostrando a sua carência sob as estrelas.
É a minha própria dor, a minha ferida
ali estendida, preta como ferro e sangrando
e prometendo voltar a ser verde e cantar.
 

Olav H. Hauge, in On the Eagle’s Tussock (1961)
Versão de HMBF

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

LENTAMENTE A VERDADE AMANHECE




Despertar, e sentir
o teu coração afundar-se
pesado e escuro
e endurecido…

Lentamente o mar ergue as vagas,
devagar a floresta cora no desfiladeiro,
devagar as chamas consomem no inferno,
lentamente a verdade amanhece.


Olav H. Hauge, in Slowly the Woods Redden in the Gorge (1951)
Versão de HMBF

domingo, 17 de fevereiro de 2013

DEBAIXO DO PENHASCO




Vives debaixo de um penhasco,
sabendo que assim é.
Mas semeias o teu acre
e depressa constróis telhados
e deixas que as crianças brinquem
e deitas-te à noite
como se ele não estivesse lá.

Talvez
numa noite de Verão
enquanto te apoiares na foice
os teus olhos passem
pelo penhasco
onde dizem
estar a fenda,
e talvez uma noite destas
fiques acordado
à espera de ouvir
uma pedra tombar.

E quando a lúbrica rocha vier
não será uma surpresa.
Mas tu irás limpar e compor
o canteiro verde
debaixo do penhasco
− assim a vida o permita.


Olav H. Hauge, in Beneath the Crag (1951)

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