Alguns dos momentos mais ricos da poesia portuguesa devem-se, a meu ver, a autores cuja singularidade desfaz, pela raiz, todos os cânones construídos. É claro que uma identidade mais individual exige um preço a pagar. Há quem lhe chame marginalidade, outros falam de ostracismo. Dependerá dos pontos de vista com que se abordem estas questões. Pessoalmente, agrada-me o termo liberdade. Repare-se no caso do poeta Fallorca: nascido em 1949, viria a publicar o primeiro livro – Imitação da Morte dos Outros – no ano da graça de 1976; seguiram-se-lhe outros títulos, poucos, e praticamente toda uma década de 90 sem publicar; em 2001, a editora Frenesi recolheu-lhe a obra, em «versão (quase) original», no volume Fruta da Época; desde então, tem dado à estampa novos títulos todos os anos, entre os quais Longe do Mundo (Maio de 2004). Percurso especial, pois então, “quase” tão inaudito quanto me parece ser a sua poesia. Longe do Mundo está organizado em três partes - Memória Descritiva, A Cegueira do Levante e Sueste -, sendo que a segunda parte subdivide-se noutra tantas três secções - Longe do mundo, Conferência do vento e Antes da chuva. É importante referi-lo pela heterogeneidade que cada uma das partes confere ao todo e, também, pelo facto do livro levar o título de uma das secções da segunda parte. Memória Descritiva é um conjunto de poemas escritos em registo íntimo, que não direi confessional apenas por o poeta “confessar” que «gostaria que o tom fosse considerado como um desabafo, e / não confessional.» (p. 16) Nestes poemas, alguns bastante curiosos, até pela ruptura com um colorido algo hermético que se lhe conhece de outros livros, tudo se torna explícito, numa atitude de exame de consciência que tem na autocrítica e na ironia as suas características mais evidentes: «O meu olhar ocupou-se sempre muito mais com a linha do / horizonte, e não me lembro de levantar ou baixar os olhos. / Desconheço e, francamente, não me interessa o destino do / pai. / Como nunca me preocupou a origem de Deus. / Este autismo – ou ignorância, que me tem oposto a con- / ceituadas arrogâncias – alimenta-me a vagabundice intelectual. / Liberdade que nunca consentiria trocar por qualquer espe- / cialização. / Ou insónia.» (p. 15) São poemas apaixonados e sobre paixões que, em primeira instância, permitem um enquadramento mais fidedigno da matéria que se segue. As segunda e terceira partes de Longe do Mundo, são substancialmente diferentes, na forma e no conteúdo, da primeira. Nota-se-lhes o pendor imagético, traçado nos limites da vivência dos lugares - «ilhas da memória» - e das paisagens: «Nenhuma paria é suficientemente grande para me devolver / o mar.» (p. 65); assim como o carácter íntimo da escrita e as suas condicionantes: «Os melhores textos foram os que me ocorreram / durante o sono, e não me levantei para os escrever. Porque o / tempo é como as plantas: quanto mais atenção lhes damos, / mais depressa crescem e devoram o espaço de quem as trata.» (p. 91) De referir, por fim, uma espécie de crença no poder da memória sobre o esquecimento que, a bem dizer, nunca é propriamente assumida, mas saboreia-se em alguns tragos finais: «Ninguém nasce ou morre à hora da sesta, / só a memória vigia os trilhos por onde um dia a morte virá como um vagabundo sequioso, / enquanto puxamos o balde cabisbaixos e a corda nos sulca as mãos envelhecidas.» (p. 109) Longe do Mundo é, em minha opinião, o mais belo livro de Jorge Fallorca – poeta de grande valor, estranhamente ou talvez não, pouco reconhecido – e é também, sem dúvida, um dos livros de poesia portuguesa indispensáveis deste ano.
terça-feira, 21 de setembro de 2004
sexta-feira, 18 de junho de 2004
CEREJAS
Cerejas
poemas de amor de autores portugueses contemporâneos
Selecção e organização de Gonçalo Salvado e Maria João Fernandes
Abertura de Eduardo Lourenço
Posfácio de António Ramos Rosa
Editorial Tágide / Câmara Municipal do Fundão
Junho de 2004
Os samurais, p. 203; Cais, p. 204.
O VAGABUNDO DO DHARMA
Han-Shan chega a Portugal numa belíssima edição da Cavalo de Ferro, com tradução de Ana Hatherly. É importante começar por realçar o extremo e inquestionável gosto estético desta edição que faz acompanhar o original de cada poema, à semelhança do que acontecia na edição francesa, por uma versão em caracteres modernos, uma tradução literal e uma versão poética. Dado o carácter aberto e subjectivo da tradução, torna-se quase irresistível ao leitor arriscar a sua própria construção do poema como se de um lego se tratasse. Ana Hatherly, no prefácio, fala justamente do acto de traduzir estes poemas como uma "re-invenção" ou uma "reciclagem". Estamos, portanto, não apenas perante um mero livro, no sentido convencional, mas também perante a possibilidade de transformar a leitura numa espécie de jogo poético. Não se sabem ao certo muitos dados biográficos acerca deste poeta chinês, cuja vida inspirou ao longo dos séculos imensas histórias tão lendárias quão verosímeis. No prefácio à edição francesa dos "25 poemas de Han-Shan" (1974), da responsabilidade de Jacques Pimpaneau, refere-se a probabilidade de ter vivido no século VII, mas há quem o situe entre os anos de 630 e 830. Poeta eremita da dinastia Tang, foi ganhando com o tempo a fama de indivíduo excêntrico, louco asceta, espírito rebelde. Em suma, um espírito livre. E é precisamente esse espírito independente o que mais se reflecte na sua poesia: "Não desejo o caminho do mundo / Sua paixão não me atrai". Porém, talvez não seja má ideia começarmos por enquadrar a sua poesia no significado que terá tido no ocidente. O século passado foi profícuo em vanguardas literárias e artísticas que se estruturaram a partir de alicerces legados pelas mitologias ancestrais. Estou em crer que uma compreensão mais profunda de certas correntes literárias não pode deixar na penumbra tais aspectos, estejam eles mais ou menos evidenciados nas obras dos autores que constituíram esses mesmos movimentos. Tome-se, a título de exemplo, o surrealismo. Será possível compreendê-lo nas suas profundezas sem pensar o quão impregnado está dos mais diversos misticismos, hermetismos e mitologias? Julgo que não. Vejam-se as obras de Artaud, António Maria Lisboa, no caso português, ou, noutro contexto expressivo, Max Ernst. Está nelas presente todo um universo simbólico, linguístico e metafísico que remete directamente para um passado longínquo, repleto de imagens e conceitos mitológicos. Outro exemplo paradigmático é o da "beat generation", fulgurante em meados do século passado nos Estados Unidos da América do Norte, de onde saíram escritores como Jack Kerouac, Allen Ginsberg, Neal Cassady. Encontramos nessa geração de escritores toda uma atitude Zen que virá a desembocar na subcultura "hippy", no culto da liberdade e do despojamento material. Se foi o tradutor inglês Arthur Waley quem introduziu no ocidente o poeta chinês Han-Shan, terá sido Gary Snyder, um outro "beatnick" famoso, quem mais se deixou por ele impressionar, levando-o à letra na sua própria vida. Tal como não me parece possível compreender com profundidade o surrealismo sem o perspectivar na reforma de uma herança mitológica, também me parece difícil penetrar nos verdadeiros motivos da "beat generation" omitindo o papel fulcral que o Budismo Zen aí terá representado. Será precisamente neste universo criativo que a voz de Han-Shan mais ecoará a ocidente. Se ontologicamente não anda muito distante dos princípios confucionistas, esteticamente terá sido assaz revolucionário para a época. Percebe-se na sua poesia, obviamente por via da tradução aqui levada a cabo, uma linguagem descomplexada e livre: "Meu coração lua de Outono / Verde lago brilhante imaculado puro". Porém, o que mais impressiona é como todo um conjunto de imagens, por vezes quotidianas, se interpenetra com uma reflexão sobre a essencialidade das coisas vividas: "Hoje meditei numa distante falésia / Depois de muito tempo bruma e nuvens retiram-se // Um só caminho: o curso da fria água clara / Ao longe o cimo dos montes verdejantes // Calma a sombra matinal das nuvens brancas / A luz do luar brilhante flutua // No meu corpo não há pó nem sujidade / Porque está meu coração inquieto?" A contemplação do "tempo que passa docemente" aparece, assim, na poesia de Han-Shan, como o fundamento de uma proposta de libertação da materialidade para uma "vida humana" mais espiritual em comunhão com a natureza. E a questão fundamental ficará em aberto: "Quem consegue desligar-se do mundo / E sentar-se comigo no meio de nuvens brancas?"
Escrito para o Canal de Livros.
Escrito para o Canal de Livros.
segunda-feira, 17 de maio de 2004
SOB A LUZ DO MAR
Quando cheguei à denominada blogoesfera, um dos weblogs com que mais facilmente me identifiquei foi o Tempo Dual, mantido por Sandra Costa e Cláudia Caetano. Por mero acaso, soube, muito recentemente, que Sandra Costa era igualmente autora de um livro editado pela Campo das Letras. Procurei-o, encontrei-o e adquiri-o. Dou-vos agora conta do mesmo, apesar de a 1ª edição datar já de Outubro de 2002. Duvido, somente pelas contingências do mercado literário português, que entretanto tenha sido efectuada uma segunda edição. Digo somente porque, pela qualidade da poesia ali reunida, não me espantaria nada que tal facto extraordinário pudesse ter sucedido. A poesia de Sandra Costa, pelo menos a poesia contida em Sob a luz do mar, é de uma transparência atroz. A contenção e mestria na depuração do verso afastam-na de qualquer tipo de excesso lírico, bastas vezes presente numa poesia mais luminosa e diáfana como é o caso presente. Confesso que, por mera questão de gosto, identifico-me mais, enquanto leitor, com uma poesia não tão desnudada. Talvez por isso me sinta mais à vontade para sublinhar o estranho prazer que me deu ler este livro. A opção pelo poema curto, por vezes epigramático, ajuda a uma respiração serena, assim como a obsessão clara por um certo conteúdo lexical (a palavra “maresia”, por exemplo, repete-se à exaustão) torna a leitura de Sob a luz do mar bastante aprazível, dada a leveza com que o universo da autora se vai impondo, progressivamente, ao leitor. Encontram-se afinidades claras com as poéticas de alguns mestres mais ou menos óbvios, mas Sandra Costa consegue ser suficientemente singular para que não se justifique uma qualquer conotação de tipo mais redutor. Em jeito de conclusão, diria apenas que há neste volume uma intimidade poética que se revela com a leveza de um “movimento invisível” e as palavras acabam por deslizar como «o silêncio / suspenso / dos sonhos».terça-feira, 20 de abril de 2004
MELANCOLIA
Levarei para o meu túmulo todas as cores que povoaram o meu olhar. Por me haverem lido em meia dúzia de frases, julgarão saber-me de cor e salteado. Mas num homem encerra-se algo mais que um mero cacho de versos rarefeitos. Um homem não é só o que mostra, o que se mostra é muito pouco do que se é e o que se é não se vê. Por vezes, convém-nos esquecer que por dentro dos contornos há universos indecifráveis. O homem é um universo indecifrável. Um silêncio calado por trás do ruído, um matiz explosivo por dentro do branco. Nada do que importa se diz, por isso tudo pode ser dito. Nada será revelado, nada do que importa. O que importa fica sempre para lá daquilo que pode ser revelado.
quarta-feira, 14 de abril de 2004
DUAS EDIÇÕES DE AUTOR
Não faço a mínima ideia de quem sejam Jorge Roque e Catarina Herdeiro, mas isso não tem qualquer importância. Suponho que não haja nada de comum entre os dois, a não ser o facto de terem publicado estes dois livros de poesia, duas edições de autor, e de eu os ter adquirido na mesma livraria: a Assírio & Alvim dos cinemas King. O de Jorge Roque custou-me 50 cêntimos. Há mais de onde ele veio, numa banca com saldos junto à prateleira dos filmes. Intitula-se O chão serviu-lhe de céu e foi publicado em 1999. São 22 poemas em prosa, alguns bastante curtos, povoados por uma espécie de necessidade catártica: «Choro, mas nenhum sentido ilumina o meu choro», «...deitar fora o teu nome como o cigarro que esmago no cinzeiro». Há uma terapêutica do abandono que, ficando por cumprir nas palavras, encontram no poema a sua morte: «O tiro atingiu o pássaro em pleno voo. O chão serviu-lhe de céu». Já o livro de Catarina Herdeiro é bem diferente. Curtas Metragens Poéticas. 19 (2003), do qual se fizeram apenas 76 exemplares, serviu de base a uma instalação co-criada com André Sier na última Bienal de Cerveira.
Daqui se depreende uma forte componente imagética nos poemas que compõe este livro, muitos deles com dedicatórias que assumem as vozes que aí ecoam: António Ramos Rosa, Herberto Helder, Jorge Luís Borges, entre outros. Acompanhados de algumas imagens, os poemas são, por si só, bastante visuais, mesmo quando resvalam para uma torrente mais reflexiva: «a fé desculpem meus senhores / só tem existência concreta depois da pancada seca / (...) depois da morte a horas tardias acontecemos para as coisas / apresentamo-nos à vida com o ticket que já foi chamado / (...) o poema é então oralidade do universo / (...) o poema é um funcionário de imagens e raízes / sem muita burocracia coisa própria de bibliotecas (...)» (in uma criança sentada entre palavras de uma arte poética) Porém, aquilo que há de mais forte nestes textos parece-me ser a verbalização do sujeito em múltiplas formas: lapisam-me, arbusto-me, violetar-me, alarajam-se, poemo-me. Cada um destes actos contém um programa de “analfabetização da intuição” que remete para uma liberdade extrema, onde o poema se alicerça e constrói um sentido único e irredimível.
terça-feira, 17 de fevereiro de 2004
PERCURSOS
A: Os percursos fazem-se de mão dada. Antes de atravessares a estrada, não te esqueças de olhar para um lado e, depois, para o outro. Lembra-te: há estradas que são tão fundas quanto os rios. B: Vínhamos do açude, onde era costume tomarmos banho em dias de calor. Pelo caminho, roubávamos maçãs das macieiras que ladeavam os carreiros. Brincávamos aos pais e às mães no milheiral. Fumávamos barba de milho calcada em carrinhos de linha. Íamos para a escola, se bem me lembro. Uma pancada de um lado, uma pancada do outro e uma terceira... definitiva. O cão ainda se arrastou até aos meus pés. Sangrava pelos cantos da boca, tinha um olhar de morte. Foi a primeira vez que vi a morte. O tempo parou, caiu num silêncio branco. Mas foi nesse parar que a consciência do fim pariu uma forma de ver o mundo. Esta forma. Há um frémito de futuro nestas imagens do passado, o saber que na morte nasceu uma maneira de ver a vida que à morte há-de um dia regressar. C: Aquilo em que acreditamos basta para que possamos construir a nossa verdade do mundo. A minha verdade é esta: a matéria é tudo. O pensamento é tão matéria quanto a rocha. Ser é ter uma espécie de vida, seja ela qual for. Porque a vida é o tempo de, rasgada a pele, chegar o sangue. E chegado o sangue, fazer-se pústula. E debaixo da pústula surdir a pele renovada. A ser alguma coisa, a morte é apenas um artifício de Deus, o Deus-ideia que, tal como poetizava Ruy Belo, serve para pouco mais do que dar o nome de divinas a algumas coisas como o mar. A morte é um chamamento para cima, o fantasma que se mostra às crianças para que elas evitem tocar no açúcar. O açúcar da vida. Por isso a matéria vive e, na podridão, borbulha a vida e vive a própria podridão. Por isso tudo sobrevive a uma vida: o tempo de, rasgada a pele, o sangue chegar.sexta-feira, 1 de agosto de 2003
SÃO MARTINHO DO PORTO

Em São Martinho do Porto comecei a nascer pela segunda vez. Já nessa altura a Casa das Palmeiras fora destinada a transformar-se num bloco de apartamentos; os elogios à baía predilecta de Rei D. Carlos haviam sido substituídos pelas críticas amarguradas de Eduardo Prado Coelho; os banhos termais das Caldas da Rainha tinham dado lugar a discussões políticas intermináveis; e o gosto pela enseada das famílias nobres e ilustres - como, por exemplo, os marqueses de Rio Maior (onde nasci) - há muito fora traído pelas piscinas algarvias.

Só o nevoeiro, o microclima, permanece como elo inexpugnável de uma terra com a sua história. Porque São Martinho do Porto, como a maioria dos lugares, não resistiu à fome dos homens e, com o tempo, perdeu o que de mais importante o tempo nos come: a alma. Seja como for, foi por ali que eu comecei a nascer... pela segunda vez.

Subo a duna de Salir e sigo, por carreiros facilmente rastreados, até à quebrada de São Romeu. Ainda logro algum silêncio, a paz marítima do outro lado da cimentada civilização. Espero que o sol caia e a respiração se recomponha. Depois regresso a casa, bebo uma cerveja, articulo umas palavras. Escrevo sobre o assunto:
SÃO MARTINHO DO PORTOINCOMPLETO
as constelações emanam estranhos perfumes
contemplo a luz magoada da lua
evado-me na ciranda do álcool
compareço ao âmago de faca na mão
perscruto o elixir das lágrimas indistintas
feéricas sombras acasalam nas barcas
fico prisioneiro de uma prosa de poeta
se a deus desse o corpo ao diabo roubaria a alma
in antologia do esquecimento, 2003
quinta-feira, 1 de maio de 2003
ANTOLOGIA DO ESQUECIMENTO
Antologia do Esquecimento
Desenhos do autor e de Joaquim Rocha
Edição de Autor
Maio de 2003
Minha cabeça estremece com todo o esquecimento.
Eu procuro dizer como tudo é outra coisa.
Herberto Helder
sábado, 1 de julho de 2000
ENTRE O DIA E A NOITE HÁ SEMPRE UM SOL QUE SE PÕE
Entre o Dia e a Noite Há Sempre um Sol que se Põe
Desenhos de capa e interior do autor
Edição de Autor
Julho de 2000
Nada mais existe, nada mais tem importância,
para quem viu a treva nos intervalos das coisas.
Jorge de Sena
segunda-feira, 1 de setembro de 1997
NEOMÉNIA seguido de OUTROS EXORCISMOS
Neoménia seguido de Outros Exorcismos
Associação Cultura Jovem
Setembro de 1997
Passam por mim, transtornadas, coisas que não são nada,
e até dessas me arrependo, me culpo, e não durmo.
Álvaro de Campos
sábado, 18 de março de 1995
DA POESIA
Da Poesia
Antologia de Poesia Portuguesa Contemporânea
Volume I
Coordenação de Ângelo Rodrigues
Editorial Minerva
Março de 1995
Elegia do Momento (devido a erro de impressão, deve ler-se da p. 94 para a p. 93)
Subscrever:
Mensagens (Atom)
