sábado, 21 de outubro de 2017

PARÊNTESIS

(...) [— Claro que estes eram os políticos.
As suas bocas começaram a crescer e de cada vez que
as tentavam abrir uma parte do seu corpo desaparecia.
(Um dia o presidente convidou-os para jantar
e comeu-os a todos, acabando por asfixiar numa esmeralda
tépida.)] (...)



Rui Costa, in Mike Tyson Para Principiantes - antologia poética, org. André Corrêa de Sá (coordenador da edição), António Aguiar Costa, Cláudia Souto, Margarida Vale de Gato, Assírio & Alvim, Setembro de 2017, p. 145. Do poema Faca de Incêndio, que pode ser lido integralmente aqui.

BANDA SONORA ESSENCIAL #20


   Quando em Portugal a televisão tinha apenas dois canais, e gastávamos mais tempo a vê-la do que agora com duas centenas à disposição do freguês, apanhei um documentário sobre o pianista Glenn Gould. Oriundo do Canadá, Gould nasceu numa família com tradição musical. O bisavô do lado materno era sobrinho do compositor Edward Grieg. Excêntrico como só os génios podem ser, ficou célebre pelos sussurros que acompanhavam a execução das peças e são perfeitamente audíveis nas gravações. A postura corporal ao piano não era nada convencional, chegando a tirar do sério alguns puristas. No documentário supracitado, recordo-me de o ver sempre de sobretudo. Diz-se que não o abandonava, fizesse frio ou calor. Durante as gravações insistia que a temperatura da sala estivesse bastante quente, contando-se, com graça, que obrigava a tanto trabalho os técnicos de ar condicionado como os de som.
   São inúmeros os exemplos da excentricidade que caracterizou a sua personalidade, pelo que não valerá a pena concentrarmo-nos neles. Os génios têm sempre um lado picaresco que alimenta uma curiosidade mais focada na biografia e na personalidade do que nas obras outorgadas à posteridade. No domínio das obras, a gravação do recital de Salzburgo, acontecida a 25 de Agosto de 1959, dá bem conta da genialidade do pianista. Recorde-se que Gould foi o primeiro norte-americano a tocar na União Soviética depois da Segunda Grande Guerra, neste caso no ano de 1957 – com um repertório muito próximo do que se ouviu em Salzburgo dois anos depois: uma fantasia de Jan Pieterszoon Sweelinck, uma suite de Arnold Schönberg, uma sonata de Mozart, acerca de quem o pianista lamentava ter morrido demasiado velho, e as Variações Goldberg, compostas para cravo, de Johann Sebastian Bach. Esta última peça mereceu ao longo dos séculos inúmeras considerações, tendo sido tão desclassificada outrora como agora é elogiada. 
   As Goldberg Variations têm uma especial relevância no percurso de Glenn Gould, já que marcaram a sua estreia em disco no ano de 1955 oferecendo à Columbia Records o álbum de música clássica mais vendido de sempre. Talvez a inclinação do público se explique pela performance intimista, mais lenta do que seria suposto, quiçá excessivamente romantizada. Não domino os pormenores técnicos para arriscar sentenças. Baseio-me no que li. Mas baseando-me exclusivamente no que ouço, sinto haver neste como noutros momentos musicais de excepção aquele encontro isolado do artista com a sua arte. É como se ambos deixassem de ser dois e passassem a ser apenas um. Ouve-se a peça e é como se não houvesse pianista, é como se por detrás da música nada mais existisse senão música. E a música não mais é do que um sussurro reconfortante ao nosso ouvido.

A CEIBA


   Em Cuba, e noutros lugares da América, a ceiba é a árvore sagrada, a árvore do mistério. O raio não se atreve a tocar-lhe. O furacão também não.
   Habitada pelos deuses, nasce no centro do mundo e daí eleva o tronco imenso que sustém o céu.
   Para curar a arrogância do céu, a ceiba todos os dias lhe pergunta:
   - Em que pés te apoiarias, se não fosse eu?


Eduardo Galeano, in O Caçador de Histórias, trad. José Colaço Barreiros, Antígona, Setembro de 2017, p. 33.

SE A MEMÓRIA NÃO NOS FALHA


Incêndio florestal deixou de ser “crime de investigação prioritária” em 2015 graças aos votos a favor de PSD e CDS e abstenção do PS.

HOJE, NO PORTO


UM SONETO DE RUI COSTA

EM QUE POEMA TE VI NÉVOA OU BRUMA

Em que poema te vi névoa ou bruma
anémona agonizante cama ausente?
Em que recanto de meu medo te pressente
o desejo de seres todas. Ou nenhuma.

Em que silêncio poisas uma a uma
as luzes que vestiste? De repente
lamber-te o sexo querer o aroma quente
das laranjas e dizer-te que alguma

vez acabarias de nascer. Nascer.
Moscas de fogo. Em ti eu me deponho.
No teu pescoço de terra calcinada.

Acalantos. Água. Saber ou não saber
que nos faróis da noite vem o sonho
e depois do sonho não vem nada


Rui Costa, in Mike Tyson Para Principiantes - antologia poética, org. André Corrêa de Sá (coordenador da edição), António Aguiar Costa, Cláudia Souto, Margarida Vale de Gato, Assírio & Alvim, Setembro de 2017, p. 89.

UM COMUNICADO DA QUERCUS

Ao longo dos séculos o Pinhal de Leiria sofreu numerosas catástrofes, como incêndios e ciclones. O recente incêndio, que devastou parte substancial do parque de Leiria no último fim-de-semana, não pode servir de desculpa para que de forma apressada e irreflectida se adoptem medidas que venham afastar a sua gestão da esfera do Estado.

Nos últimos anos várias empresas de celulose e outras têm assediado os sucessivos governos no sentido de obterem contratos de arrendamento ou de exploração de áreas florestais regidas pelo Estado, alegando que “a gestão florestal privada é melhor do que a gestão pública”. No entanto os incêndios deste ano queimaram também vastas áreas das empresas de celulose ALTRI, Navigator e de Fundos Imobiliários de Investimento Florestal, ficando assim demonstrado que a gestão de áreas florestais por parte de entidades privadas também não é a solução milagrosa para os incêndios, pois as áreas geridas por privados também ardem.

Num assunto de tal magnitude como a questão do Pinhal de Leiria, que entra mesmo na esfera da identidade nacional, o Governo não deve ter pressa e não deve ceder às pressões mediáticas e dos múltiplos grupos de interesse. Não é prudente nem ponderado decidir o destino da principal Mata Nacional, a “Joia da Coroa”, no espaço de uma semana.

Sendo Portugal o país da Europa com menor área de Floresta Pública (menos de 2%) não faz sentido entregar aos privados o que pouco resta nas mãos do Estado.

Assim, a Quercus pede ao Governo que não tome decisões apressadas no Conselho de Ministros de amanhã e que faça preceder de amplo debate público qualquer alteração que leve à diminuição da soberania do Estado sobre as Matas Nacionais.

Apesar de existirem alguns problemas na gestão desta Mata Nacional, principalmente nas suas orlas, o Estado assegurou uma gestão eficaz durante os últimos 100 anos.

É certo que poderia ter havido mais investimento em silvicultura preventiva, mas este incêndio, em particular, desenvolveu-se sob a forma de fogo de copas incontrolável, muito mais dependente da secura extrema da vegetação que se verificava, do que das opções de gestão florestal.

Em abono da verdade temos de dizer que os problemas e dificuldades, que efetivamente existem, na gestão florestal de áreas tuteladas pelo Estado em nada tem a ver com a falta de capacidade dos Serviços Florestais do Estado (atualmente Instituto da Conservação da Natureza e Florestas - ICNF), mas tem a ver sim com a falta de financiamento crónico e de esvaziamento de competências de que estes serviços têm sido vítimas dos sucessivos governos nas últimas décadas.

O caminho a seguir não pode ser o esvaziamento até à morte do ICNF, mas sim o reforço das competências e dos meios financeiros e humanos dos Serviços Florestais do Estado.

Consideramos que só o Estado pode garantir a perpetuação para o usufruto das gerações futuras, as funções ecológicas, sociais e económicas do Pinhal de Leiria, que pelas suas características e dimensões têm importância ao nível nacional e mesmo ao nível Europeu.

É fundamental que o Estado se dote de meios financeiros e humanos para fazer face à urgente e necessária recuperação e reestruturação do Pinhal de Leiria.

É necessário definir quais as áreas onde poderá ser feito o aproveitamento da regeneração natural e das áreas onde será necessário efectuar plantações.

Nos dias de hoje, com a crescente ameaça das alterações climáticas, é necessário mudar os modelos de gestão das florestas públicas, abandonando a lógica produtivista e abraçando uma estratégia que promova a conservação dos solos e da biodiversidade e começar a usar a floresta como aliada no combate às alterações climáticas.


Na íntegra, aqui.

JOSÉ SÓCRATES


Nunca votei em José Sócrates, nem sequer alguma vez simpatizei com a personagem. No entanto, dei-lhe o benefício da dúvida contra ataques de gente como Cintra Torres ou Manuela Moura Guedes ou a trupe do Correio da Manhã. Eu estava errado em dar o benefício da dúvida a um tipo que cada vez mais se confirma ser um pulha sem vergonha na cara. A atenuante de Sócrates poderá ser a doença mental. Já o desgraçado escriba não merece atenuante. E o mais repugnante é verificar que, afinal, Cintra Torres, Manuela Moura Guedes, a trupe do Correio da Manhã, tinham razões que não estavam desprovidas de razão. 

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

"Não tarda voltamos à normalidade dos estudos."

(...)
Vegetamos, é certo, mas ainda não somos uma espécie vegetal. Com o país a sonhos, modernos, construímos auto-estradas, urbanizações desreguladas, feias, cidades esquecidas da sua história e património (isso veio muito depois), e abandonamos, com enfado, a agricultura. Vieram as ligações público-privadas, os aviões, os helicópteros, as comunicações via satélite. Festejávamos (e festejamos) a época dos fogos com foguetes. Afinal, as bouças eram boas como depósitos de lixo, de abandono, e algum sexo à beira das estradas.

(…)

Gabriel Pedro, aqui.

#102


The Wild Bunch é o título de um western realizado por Sam Peckinpah no final da década de 1960, ao qual alguns músicos de Bristol foram buscar o nome para a incubadora do projecto que viria a gerar os populares Massive Attack. Entre eles, ainda numa fase iniciática, destacou-se o frenético Tricky. O álbum de estreia, intitulado Maxinquaye (1995), granjeou-lhe um lugar na história do então chamado trip hop. Tricky diferenciou-se por uma música onde confluíam as novas tendências da música electrónica e a velha inspiração dos blues, do rock, da soul. O mais recente Ununiform (2017) recupera-o numa forma invejável, mantendo a veia sombria que caracterizou muitos dos últimos trabalhos. Dark Days é puro electro-punk, com um riff de guitarra a pautar os sussurros do maestro e a voz límpida de Mina Rose (que voltamos a ouvir no excelente Running Wild). As colaborações com vozes femininas são, de resto, uma constante que Ununiform não interrompe. Francesca Belmonte oferece o tom bluesy e espiritual a New Stole, Avalon Lurks colabora numa versão para Doll, original das Hole de Courtney Love, Terra Lopez aparece em Armor num tema ao melhor estilo electropop com uma potente malha de baixo, a actriz, modelo e mais qualquer coisa Asia Argento oferece o tom sensual a Wait For Signal, Martina Topley-Bird, companheira de sempre, encerra o capítulo das parcerias femininas. Depois há ainda a participação de Scriptonite, rapper originário do Cazaquistão, a emprestar a alguns temas a excentricidade do idioma. Ao entrar na casa dos 50, Tricky não se desvia da zona de risco onde há muito se instalou. A sua música não é tipicamente de massas, ainda que nos ofereça momentos de uma simplicidade e de uma beleza que poucos quererão questionar (por tocarem, lá está, na ferida essencial):



quinta-feira, 19 de outubro de 2017

O SENTIDO DAS PROPORÇÕES

Ouvi ontem uma cliente comparar o Holocausto com o que se passou recentemente em Portugal em matéria de incêndios. Vinha levantar Nudge, do mais recente Nobel da Economia Richard Thaler. 

SMSs DE LONDRES

O meu primeiro contacto com o Rui Costa ocorreu algures entre 2004 e 2005, antes da publicação de A Nuvem Prateada das Pessoas Graves (Quasi, 2005). Eu tinha um weblog intitulado Universos Desfeitos, assinava com o pseudónimo de Juraan Vink textos de que sobram alguns exemplos aqui, aqui ou aqui. O Rui encontrava-se então em Inglaterra, onde estudou e trabalhou. Pediu-me opinião sobre alguns dos seus poemas e questionou-me sobre a possibilidade de os divulgar no Universos Desfeitos. A empatia com os poemas que me apresentou foi imediata, tendo sido precisamente por aí que a nossa amizade se iniciou. Quando o livro de estreia foi premiado, eu já conhecia alguns daqueles poemas. À época, o Rui colaborava comigo num outro weblog. O Insónia surgiu da cessação do Universos Desfeitos e da minha vontade de então gerir algo colectivo, tendo sido o Rui Costa uma das primeiras pessoas que convidei para esse gozo conjunto. O primeiro post do Rui Costa no Insónia foi publicado a 25/Julho/2017, ainda não nos conhecíamos pessoalmente: «Só as loucas é que sonham com os príncipes encantados. Ou seja: altos, fortes, esbeltos, além de corajosos, gentis, amorosos, enfim, perfeitos. Isto é: chatos como a potassa posta em sossego no tubo de ensaio com uma boa meia-dose de pó de talco». Era assim o Rui, as suas palavras tinham uma força que tanto nos seduziam pela dança, como nos colocavam de atalaia pela provocação. Há um outro post dele no Insónia de que gosto muito. Não sei explicar porquê. É um post simples, que de algum modo antecipa a era Twitter e nos diz qualquer coisa sobre a distância entre o poder e as populações. Apetece-me partilhá-lo hoje aqui:

SMSs DE LONDRES

LONDRES I
Subitamente, pela primeira vez: as pessoas olhando umas para as outras.

LONDRES II
O senhor polícia veio tirar-me a lata de cerveja da mão: é proibido (disse) beber na rua em toda a área de Westminster.

LONDRES III
Dizia o António Aleixo (cito de memória mas acho que é assim), desconhecendo a cidade e os novos verbos:

Como um só não é bastante
nós vamos ter, certamente,
Um guarda por habitante
Pra que não roubem a gente.

Em muitos sítios públicos de Londres (pronto, reparei mais nos bares) pode ver-se um cartaz com o desenho de dois olhos e a frase: "A melhor arma contra o terrorismo".

LONDRES IV
Quando o blow job é ultrapassado pelo blow up job.

LONDRES V
O melhor presunto português comi-o em Londres (shame on me).

Rui Costa


30/Julho/2005

LIMPINHO, LIMPINHO

As pequenas editoras, que essencialmente só publicam poesia e têm vindo a divulgar vários e novos autores, resistindo ao espectáculo deplorável das grandes superfícies onde se vendem livros, vêem-se relegadas para segundo plano, ou para plano nenhum. É claro que pode ser alegado que as pequenas editoras, elas próprias, se remetem à penumbra, à margem. E haverá outra maneira de não chafurdar na merda?

manuel a. domingos, aqui.

REGRESSAR À NORMALIDADE


A CIA anunciou na quarta-feira que despediu uma jovem cadela que no programa de deteção de explosivos K9 (sic). A justificação? Lulu não mostrava interesse ou jeito para o trabalho.


Respigado no Diário de Notícias.

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

PEÇO DESCULPA



Desde muito pequenas que as minhas filhas ficaram a saber quão inútil é pedirem-me desculpa por qualquer coisa errada que tenham feito. Quando era professor, dizia sempre aos meus alunos que escusavam pedir-me desculpa pelos erros que cometessem. No trabalho, que ninguém se atreva sequer a pedir-me desculpa. Sempre detestei pedidos de desculpa, são o princípio da desresponsabilização. Pedir desculpa é varrer para debaixo do tapete, é fazer esquecer o essencial, é desviar a atenção das responsabilidades. As desculpas evitam-se, costuma dizer-se. Não está mal. Ainda há pouco, Passos Coelho dizia que não tinha dificuldade nenhuma em pedir desculpas. Há muito que percebemos isso. Ele e outros como ele não têm dificuldade alguma em pedir desculpas, é a forma mais fácil de poderem continuar a cometer os mesmos erros. PSD, PS, CDS têm todos as mãos sujas nesta matéria. Todos. Proliferam por aí dados históricos que o confirmam. Não é difícil encontrá-los nos últimos 43 anos. Capitalismo selvagem, mundo rural ao abandono, promiscuidade económica, terrorismo ecológico, incúria, desleixo, ao qual devemos juntar também, sim, uma tremenda falta de civismo que continua a grassar na nossa sociedade, incultura, desrespeito pelo património, tudo isso resulta nesta miséria de um Portugal em ruínas que não foram poucos a denunciar. Se vão agora pôr trancas na porta? Não sei. Depois de Armamar em 1985, Águeda em 1986, Caramulo em 2003, depois dos 16 bombeiros mortos em 2005, depois de tantos anos consecutivos a lamentar perdas, parece-me legítimo temer que tudo mude... para ficar na mesma. A fotografia ao alto foi tirada num lugar que já não existe em pleno Pinhal de Leiria. Julgo ser suficientemente ilustrativa do cuidado e do amor que os portugueses dedicam ao seu mais rico património histórico, uma paisagem que temos vindo a destruir como se nada fosse connosco. Tudo queimado, até parece que não teríamos todos, cada um de nós na medida das suas consciência e acções, que pedir desculpa pelo sucedido, valesse de alguma coisa fazê-lo. 

terça-feira, 17 de outubro de 2017

INTELIGÊNCIA E HABILIDADE

O Âncoras e Nefelibatas explica a diferença com exemplos. É só seguir os links: aqui.

UMA DÚVIDA


OS ABUTRES


Não tenho nenhuma simpatia pela ministra da Administração Interna, assim como nada me pesa na consciência enquanto eleitor. Nunca votei em nenhum dos partidos políticos que até hoje formaram governo em Portugal, perpetuando o estado absolutamente miserável da paisagem rural portuguesa num país reiteradamente assolado pelo flagelo dos incêndios. Sinto-me por isso à vontade para manifestar a minha total repugnância pela forma como certos jornalistas têm abordado a tragédia deste ano, manipulando descaradamente as afirmações da ministra Constança Urbano de Sousa e do secretário de Estado Jorge Gomes, assim como algumas do actual Primeiro-Ministro. Um exemplo recente, logo oferecido pelo Google em qualquer pesquisa relacionada com os incêndios de ontem, é o post manhoso de Bento Rodrigues no Facebook, usando sem qualquer pudor os nomes das vítimas em Pedrógão para fazer demagogia com uma frase descontextualizada da ministra Constança Urbano de Sousa. Veja-se a sequência acima. É preciso explicar a má intenção por detrás do post do jornalista da SIC? Perante isto, a proliferação de imagens com animais carbonizados, veículos calcinados, casas em chamas… é morbidez anódina.

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

UMA OPINIÃO VÁLIDA

Há pouco ouvi o meu conterrâneo Eugénio Sequeira afirmar que temos dez vezes mais ignições do que o resto da Europa, e não será por sermos dez vezes mais estúpidos. Pois não, provavelmente será por sermos dez vezes menos qualificados, por termos uma administração miserável, sempre em reestruturações, com a criação de múltiplos centros de decisão intermédios, cargos de chefia e papelinhos a subir e a descer, em que aos bombeiros se veda a acção antes da decisão dos coordenadores da protecção civil, com as suas parvas boinas militares e as aldrabices nas habilitações de cursos tirados à pala das equivalências, uma das muitas burlas que grassa por este país, a somar à legislação imbecil parida uns tipos quaisquer a partir dos gabinetes para somar à pobreza e à velhice das populações rurais. 

Ricardo António Alves, no Abencerragem.

LUTO


2017 será para sempre um ano de luto. Sobre o luto, pairam os abutres. Ferreira & Ferrão na SIC Notícias são especialmente nojentos. O país a arder, e estes abutres não pensam em mais nada senão em demissões de ministros para alívio das populações. Alívio, mais que não seja. Diz o abutre Ferrão. Fazer política do jornalismo é uma trágica confusão de papéis, fazer da tragédia argumento político é simplesmente nojento. Com outros ministros seria diferente? Abutres nojentos. Na Califórnia, em Espanha, tudo a arder. A culpa é da ministra. Ganhem juízo.