sábado, 21 de outubro de 2017

UM COMUNICADO DA QUERCUS

Ao longo dos séculos o Pinhal de Leiria sofreu numerosas catástrofes, como incêndios e ciclones. O recente incêndio, que devastou parte substancial do parque de Leiria no último fim-de-semana, não pode servir de desculpa para que de forma apressada e irreflectida se adoptem medidas que venham afastar a sua gestão da esfera do Estado.

Nos últimos anos várias empresas de celulose e outras têm assediado os sucessivos governos no sentido de obterem contratos de arrendamento ou de exploração de áreas florestais regidas pelo Estado, alegando que “a gestão florestal privada é melhor do que a gestão pública”. No entanto os incêndios deste ano queimaram também vastas áreas das empresas de celulose ALTRI, Navigator e de Fundos Imobiliários de Investimento Florestal, ficando assim demonstrado que a gestão de áreas florestais por parte de entidades privadas também não é a solução milagrosa para os incêndios, pois as áreas geridas por privados também ardem.

Num assunto de tal magnitude como a questão do Pinhal de Leiria, que entra mesmo na esfera da identidade nacional, o Governo não deve ter pressa e não deve ceder às pressões mediáticas e dos múltiplos grupos de interesse. Não é prudente nem ponderado decidir o destino da principal Mata Nacional, a “Joia da Coroa”, no espaço de uma semana.

Sendo Portugal o país da Europa com menor área de Floresta Pública (menos de 2%) não faz sentido entregar aos privados o que pouco resta nas mãos do Estado.

Assim, a Quercus pede ao Governo que não tome decisões apressadas no Conselho de Ministros de amanhã e que faça preceder de amplo debate público qualquer alteração que leve à diminuição da soberania do Estado sobre as Matas Nacionais.

Apesar de existirem alguns problemas na gestão desta Mata Nacional, principalmente nas suas orlas, o Estado assegurou uma gestão eficaz durante os últimos 100 anos.

É certo que poderia ter havido mais investimento em silvicultura preventiva, mas este incêndio, em particular, desenvolveu-se sob a forma de fogo de copas incontrolável, muito mais dependente da secura extrema da vegetação que se verificava, do que das opções de gestão florestal.

Em abono da verdade temos de dizer que os problemas e dificuldades, que efetivamente existem, na gestão florestal de áreas tuteladas pelo Estado em nada tem a ver com a falta de capacidade dos Serviços Florestais do Estado (atualmente Instituto da Conservação da Natureza e Florestas - ICNF), mas tem a ver sim com a falta de financiamento crónico e de esvaziamento de competências de que estes serviços têm sido vítimas dos sucessivos governos nas últimas décadas.

O caminho a seguir não pode ser o esvaziamento até à morte do ICNF, mas sim o reforço das competências e dos meios financeiros e humanos dos Serviços Florestais do Estado.

Consideramos que só o Estado pode garantir a perpetuação para o usufruto das gerações futuras, as funções ecológicas, sociais e económicas do Pinhal de Leiria, que pelas suas características e dimensões têm importância ao nível nacional e mesmo ao nível Europeu.

É fundamental que o Estado se dote de meios financeiros e humanos para fazer face à urgente e necessária recuperação e reestruturação do Pinhal de Leiria.

É necessário definir quais as áreas onde poderá ser feito o aproveitamento da regeneração natural e das áreas onde será necessário efectuar plantações.

Nos dias de hoje, com a crescente ameaça das alterações climáticas, é necessário mudar os modelos de gestão das florestas públicas, abandonando a lógica produtivista e abraçando uma estratégia que promova a conservação dos solos e da biodiversidade e começar a usar a floresta como aliada no combate às alterações climáticas.


Na íntegra, aqui.

JOSÉ SÓCRATES


Nunca votei em José Sócrates, nem sequer alguma vez simpatizei com a personagem. No entanto, dei-lhe o benefício da dúvida contra ataques de gente como Cintra Torres ou Manuela Moura Guedes ou a trupe do Correio da Manhã. Eu estava errado em dar o benefício da dúvida a um tipo que cada vez mais se confirma ser um pulha sem vergonha na cara. A atenuante de Sócrates poderá ser a doença mental. Já o desgraçado escriba não merece atenuante. E o mais repugnante é verificar que, afinal, Cintra Torres, Manuela Moura Guedes, a trupe do Correio da Manhã, tinham razões que não estavam desprovidas de razão. 

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

"Não tarda voltamos à normalidade dos estudos."

(...)
Vegetamos, é certo, mas ainda não somos uma espécie vegetal. Com o país a sonhos, modernos, construímos auto-estradas, urbanizações desreguladas, feias, cidades esquecidas da sua história e património (isso veio muito depois), e abandonamos, com enfado, a agricultura. Vieram as ligações público-privadas, os aviões, os helicópteros, as comunicações via satélite. Festejávamos (e festejamos) a época dos fogos com foguetes. Afinal, as bouças eram boas como depósitos de lixo, de abandono, e algum sexo à beira das estradas.

(…)

Gabriel Pedro, aqui.

#102


The Wild Bunch é o título de um western realizado por Sam Peckinpah no final da década de 1960, ao qual alguns músicos de Bristol foram buscar o nome para a incubadora do projecto que viria a gerar os populares Massive Attack. Entre eles, ainda numa fase iniciática, destacou-se o frenético Tricky. O álbum de estreia, intitulado Maxinquaye (1995), granjeou-lhe um lugar na história do então chamado trip hop. Tricky diferenciou-se por uma música onde confluíam as novas tendências da música electrónica e a velha inspiração dos blues, do rock, da soul. O mais recente Ununiform (2017) recupera-o numa forma invejável, mantendo a veia sombria que caracterizou muitos dos últimos trabalhos. Dark Days é puro electro-punk, com um riff de guitarra a pautar os sussurros do maestro e a voz límpida de Mina Rose (que voltamos a ouvir no excelente Running Wild). As colaborações com vozes femininas são, de resto, uma constante que Ununiform não interrompe. Francesca Belmonte oferece o tom bluesy e espiritual a New Stole, Avalon Lurks colabora numa versão para Doll, original das Hole de Courtney Love, Terra Lopez aparece em Armor num tema ao melhor estilo electropop com uma potente malha de baixo, a actriz, modelo e mais qualquer coisa Asia Argento oferece o tom sensual a Wait For Signal, Martina Topley-Bird, companheira de sempre, encerra o capítulo das parcerias femininas. Depois há ainda a participação de Scriptonite, rapper originário do Cazaquistão, a emprestar a alguns temas a excentricidade do idioma. Ao entrar na casa dos 50, Tricky não se desvia da zona de risco onde há muito se instalou. A sua música não é tipicamente de massas, ainda que nos ofereça momentos de uma simplicidade e de uma beleza que poucos quererão questionar (por tocarem, lá está, na ferida essencial):



quinta-feira, 19 de outubro de 2017

O SENTIDO DAS PROPORÇÕES

Ouvi ontem uma cliente comparar o Holocausto com o que se passou recentemente em Portugal em matéria de incêndios. Vinha levantar Nudge, do mais recente Nobel da Economia Richard Thaler. 

SMSs DE LONDRES

O meu primeiro contacto com o Rui Costa ocorreu algures entre 2004 e 2005, antes da publicação de A Nuvem Prateada das Pessoas Graves (Quasi, 2005). Eu tinha um weblog intitulado Universos Desfeitos, assinava com o pseudónimo de Juraan Vink textos de que sobram alguns exemplos aqui, aqui ou aqui. O Rui encontrava-se então em Inglaterra, onde estudou e trabalhou. Pediu-me opinião sobre alguns dos seus poemas e questionou-me sobre a possibilidade de os divulgar no Universos Desfeitos. A empatia com os poemas que me apresentou foi imediata, tendo sido precisamente por aí que a nossa amizade se iniciou. Quando o livro de estreia foi premiado, eu já conhecia alguns daqueles poemas. À época, o Rui colaborava comigo num outro weblog. O Insónia surgiu da cessação do Universos Desfeitos e da minha vontade de então gerir algo colectivo, tendo sido o Rui Costa uma das primeiras pessoas que convidei para esse gozo conjunto. O primeiro post do Rui Costa no Insónia foi publicado a 25/Julho/2017, ainda não nos conhecíamos pessoalmente: «Só as loucas é que sonham com os príncipes encantados. Ou seja: altos, fortes, esbeltos, além de corajosos, gentis, amorosos, enfim, perfeitos. Isto é: chatos como a potassa posta em sossego no tubo de ensaio com uma boa meia-dose de pó de talco». Era assim o Rui, as suas palavras tinham uma força que tanto nos seduziam pela dança, como nos colocavam de atalaia pela provocação. Há um outro post dele no Insónia de que gosto muito. Não sei explicar porquê. É um post simples, que de algum modo antecipa a era Twitter e nos diz qualquer coisa sobre a distância entre o poder e as populações. Apetece-me partilhá-lo hoje aqui:

SMSs DE LONDRES

LONDRES I
Subitamente, pela primeira vez: as pessoas olhando umas para as outras.

LONDRES II
O senhor polícia veio tirar-me a lata de cerveja da mão: é proibido (disse) beber na rua em toda a área de Westminster.

LONDRES III
Dizia o António Aleixo (cito de memória mas acho que é assim), desconhecendo a cidade e os novos verbos:

Como um só não é bastante
nós vamos ter, certamente,
Um guarda por habitante
Pra que não roubem a gente.

Em muitos sítios públicos de Londres (pronto, reparei mais nos bares) pode ver-se um cartaz com o desenho de dois olhos e a frase: "A melhor arma contra o terrorismo".

LONDRES IV
Quando o blow job é ultrapassado pelo blow up job.

LONDRES V
O melhor presunto português comi-o em Londres (shame on me).

Rui Costa


30/Julho/2005

LIMPINHO, LIMPINHO

As pequenas editoras, que essencialmente só publicam poesia e têm vindo a divulgar vários e novos autores, resistindo ao espectáculo deplorável das grandes superfícies onde se vendem livros, vêem-se relegadas para segundo plano, ou para plano nenhum. É claro que pode ser alegado que as pequenas editoras, elas próprias, se remetem à penumbra, à margem. E haverá outra maneira de não chafurdar na merda?

manuel a. domingos, aqui.

REGRESSAR À NORMALIDADE


A CIA anunciou na quarta-feira que despediu uma jovem cadela que no programa de deteção de explosivos K9 (sic). A justificação? Lulu não mostrava interesse ou jeito para o trabalho.


Respigado no Diário de Notícias.

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

PEÇO DESCULPA



Desde muito pequenas que as minhas filhas ficaram a saber quão inútil é pedirem-me desculpa por qualquer coisa errada que tenham feito. Quando era professor, dizia sempre aos meus alunos que escusavam pedir-me desculpa pelos erros que cometessem. No trabalho, que ninguém se atreva sequer a pedir-me desculpa. Sempre detestei pedidos de desculpa, são o princípio da desresponsabilização. Pedir desculpa é varrer para debaixo do tapete, é fazer esquecer o essencial, é desviar a atenção das responsabilidades. As desculpas evitam-se, costuma dizer-se. Não está mal. Ainda há pouco, Passos Coelho dizia que não tinha dificuldade nenhuma em pedir desculpas. Há muito que percebemos isso. Ele e outros como ele não têm dificuldade alguma em pedir desculpas, é a forma mais fácil de poderem continuar a cometer os mesmos erros. PSD, PS, CDS têm todos as mãos sujas nesta matéria. Todos. Proliferam por aí dados históricos que o confirmam. Não é difícil encontrá-los nos últimos 43 anos. Capitalismo selvagem, mundo rural ao abandono, promiscuidade económica, terrorismo ecológico, incúria, desleixo, ao qual devemos juntar também, sim, uma tremenda falta de civismo que continua a grassar na nossa sociedade, incultura, desrespeito pelo património, tudo isso resulta nesta miséria de um Portugal em ruínas que não foram poucos a denunciar. Se vão agora pôr trancas na porta? Não sei. Depois de Armamar em 1985, Águeda em 1986, Caramulo em 2003, depois dos 16 bombeiros mortos em 2005, depois de tantos anos consecutivos a lamentar perdas, parece-me legítimo temer que tudo mude... para ficar na mesma. A fotografia ao alto foi tirada num lugar que já não existe em pleno Pinhal de Leiria. Julgo ser suficientemente ilustrativa do cuidado e do amor que os portugueses dedicam ao seu mais rico património histórico, uma paisagem que temos vindo a destruir como se nada fosse connosco. Tudo queimado, até parece que não teríamos todos, cada um de nós na medida das suas consciência e acções, que pedir desculpa pelo sucedido, valesse de alguma coisa fazê-lo. 

terça-feira, 17 de outubro de 2017

INTELIGÊNCIA E HABILIDADE

O Âncoras e Nefelibatas explica a diferença com exemplos. É só seguir os links: aqui.

UMA DÚVIDA


OS ABUTRES


Não tenho nenhuma simpatia pela ministra da Administração Interna, assim como nada me pesa na consciência enquanto eleitor. Nunca votei em nenhum dos partidos políticos que até hoje formaram governo em Portugal, perpetuando o estado absolutamente miserável da paisagem rural portuguesa num país reiteradamente assolado pelo flagelo dos incêndios. Sinto-me por isso à vontade para manifestar a minha total repugnância pela forma como certos jornalistas têm abordado a tragédia deste ano, manipulando descaradamente as afirmações da ministra Constança Urbano de Sousa e do secretário de Estado Jorge Gomes, assim como algumas do actual Primeiro-Ministro. Um exemplo recente, logo oferecido pelo Google em qualquer pesquisa relacionada com os incêndios de ontem, é o post manhoso de Bento Rodrigues no Facebook, usando sem qualquer pudor os nomes das vítimas em Pedrógão para fazer demagogia com uma frase descontextualizada da ministra Constança Urbano de Sousa. Veja-se a sequência acima. É preciso explicar a má intenção por detrás do post do jornalista da SIC? Perante isto, a proliferação de imagens com animais carbonizados, veículos calcinados, casas em chamas… é morbidez anódina.

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

UMA OPINIÃO VÁLIDA

Há pouco ouvi o meu conterrâneo Eugénio Sequeira afirmar que temos dez vezes mais ignições do que o resto da Europa, e não será por sermos dez vezes mais estúpidos. Pois não, provavelmente será por sermos dez vezes menos qualificados, por termos uma administração miserável, sempre em reestruturações, com a criação de múltiplos centros de decisão intermédios, cargos de chefia e papelinhos a subir e a descer, em que aos bombeiros se veda a acção antes da decisão dos coordenadores da protecção civil, com as suas parvas boinas militares e as aldrabices nas habilitações de cursos tirados à pala das equivalências, uma das muitas burlas que grassa por este país, a somar à legislação imbecil parida uns tipos quaisquer a partir dos gabinetes para somar à pobreza e à velhice das populações rurais. 

Ricardo António Alves, no Abencerragem.

LUTO


2017 será para sempre um ano de luto. Sobre o luto, pairam os abutres. Ferreira & Ferrão na SIC Notícias são especialmente nojentos. O país a arder, e estes abutres não pensam em mais nada senão em demissões de ministros para alívio das populações. Alívio, mais que não seja. Diz o abutre Ferrão. Fazer política do jornalismo é uma trágica confusão de papéis, fazer da tragédia argumento político é simplesmente nojento. Com outros ministros seria diferente? Abutres nojentos. Na Califórnia, em Espanha, tudo a arder. A culpa é da ministra. Ganhem juízo.

DE IR ÀS LÁGRIMAS


O PARAÍSO A ARDER

A dimensão da tragédia é inimaginável a quem não esteja por perto. Para memória do que também se perdeu nas últimas horas, um post de 2014 escrito entre sombras no Pinhal de Leiria: aqui.

MÃO CRIMINOSA

Califórnia a arder, Espanha a arder, Portugal a arder... Ninguém fala da mão criminosa de Deus?

domingo, 15 de outubro de 2017

MILHÃO


Só agora reparei que a Antologia do Esquecimento ultrapassou a fasquia do milhão. Muito grato a todos quantos têm por aqui passado, sobretudo não sabendo ao que vêm. Aos comentadores, os meus sinceros agradecimentos. São, desde sempre, o salário do weblogger que vos escreve. Uma palavra especial para os anónimos que, odiando este espaço, continuam a contribuir para que seja visitado. São a garantia de um futuro risonho. 

Aos portugueses, aos americanos, aos brasileiros, aos russos, aos alemães, aos chineses, aos súbditos de Sua Majestade Britânica, aos franceses e aos espanhóis, aos catalães, aos ucranianos e demais visualizadores, bem hajam pela simpatia. Fica a promessa de que não descansarei enquanto se tornar evidente ser a Antologia do Esquecimento visitada de Tiavea por um qualquer descendente de Tuiavii. Do além, já recebemos visitas. Agradecido.  

BANDA SONORA ESSENCIAL #19



   Depois dos incêndios, veio o concerto de solidariedade. Fica sempre bem homenagear os heróis, mesmo que os relatórios voltem a confirmar a pobre humanidade a qua estamos confinados. Dois momentos marcaram a celebração. Primeiro, o Presidente da República e o ministro da Cultura, em fila escolhida a dedo no meio dos pobres, curtindo a loucura minimal repetitiva de um tal Matias Damasio. Segundo, o nosso herói Eurovision a incendiar, passe o termo, plateia e redes sociais, quase tudo em tempo real, com uma boca foleira, mas certeira, sobre peidos. O público tem destas coisas, foca-se com extraordinária eficácia e quase invariavelmente no acessório.
   Poucos terão reparado na versão de Both Sides Now oferecida por Salvador naquela noite. Que bela escolha! Gravada por Judy Collins em 1967, a canção de Joni Mitchell surgiu em 1969 num dos seus mais celebrados álbuns: Clouds. À entrada do séc. XXI, foi recuperada numa belíssima versão para a colectânea com o mesmo título. A canadiana Joni Mitchell, que é uma compositora e tanto, inspirou-se num romance de Saul Bellow para escrever o tema. Por cá, nunca lhe ligaram muito. Quem tem o mestre da bricolagem Tony Carreira, precisa de Mitchell para quê?
   Com o primeiro álbum publicado em 1968, Joni Mitchell começou por fazer sucesso à segunda tentativa com o supracitado Clouds (1969). Blue (1971) repetiu o êxito, sendo For The Roses (1972) logo do ano seguinte. Por que gosto tanto de For The Roses? Desde logo, pelas boas companhias. Graham Nash e Stephen Stills, por exemplo, surgem algures a tocar harmónica e guitarra. A influência jazz é outro forte motivo, algo que se nota logo, ainda que discretamente, nos sopros em Cold Blue Steel And Sweet Fire (canção arrepiante sobre uma viciada em heroína). A guitarra folk e o piano são a base de um álbum que explora novos territórios para o formato canção, sobre letras de uma poesia poucas vezes atingível na música dita popular. Lesson In Survival, por exemplo, fala-nos directamente ao coração sobre as dificuldades de uma relação amorosa, estabelecendo uma ponte sem tempos mortos para Let The Wind Carry Me, retrato penoso da vida doméstica.
   Mas o que me interessa mais nas canções de Joni Mitchell, sobretudo nas de For The Roses, entre as quais a que ofereceu título ao álbum pode servir de exemplo, é a eleição do mundo natural enquanto refúgio das tempestades domésticas e quotidianas. O interruptor das luzes da ribalta a ser desligado por uma necessidade de isolamento que proteja o ser das multidões, da influência traumatizante das multidões. Para lá do quarto de Hotel, a vista. E é na paisagem, debaixo de chuva, embalada pelo vento, mergulhada no sol-posto, perdida na floresta, surpreendida por borboletas e outras figuras mitológicas como as borboletas, que a canção emerge e pacifica o coração. You Turn Me On I’m A Radio obteve êxito considerável. Não é difícil perceber porquê.


A ENTREVISTA


— Como é que o senhor ganha a sua vida?

— Ó francamente… Isso é pergunta que se faça a um morto?

sábado, 14 de outubro de 2017

NUNO MOURA VEZES TRÊS



Em 1938, o então muito popular escritor português Albino Forjaz de Sampaio (1884-1949), o mesmo das Palavras Cínicas (1905), reuniu um conjunto de crónicas dispersas num volume intitulado No Porão da Vida (Livraria Civilização — Editora). Entre essas crónicas, constava uma com o título Um Poeta em Rilhafoles. Para quem não saiba, Rilhafoles foi primeiro convento, depois hospital. A partir de 1911 passou a ser Hospital Psiquiátrico Miguel Bombarda, constando hoje no seu acervo uma alargada colecção de art brut (em termos genéricos, arte produzida por artistas com perturbações mentais). Ângelo de Lima é o poeta que Sampaio foi descobrir em Rilhafoles: «Ângelo, que tinha momentos lúcidos, pediu ao director do Manicómio, o saudoso Miguel Bombarda, para ir às salas da Academia, no vélho convento de S. Francisco, ver a Exposição de Belas Artes que ali se realizava. Foi com Gameiro e, à volta, Ângelo perguntou ao seu companheiro do que é que êle tinha gostado mais na Exposição:

   — Do que eu gostei mais foi do elevador da Biblioteca.» Deixada de lado a anedota, Albino Forjaz de Sampaio oferece-nos uma biografia de Ângelo de Lima ainda hoje válida, dizendo sobre a sua poesia pouco mais que isto: «A loucura povoou abundantemente aquelas páginas, enchendo-as de guinchos, de exclamações, de trechos incompreensíveis». Servissem hoje de diagnóstico os poemas que um homem escreve, talvez o meu amigo Nuno Moura (n. 1970) não pudesse andar tão à solta. Desde sempre que a sua poesia mantém com a de Ângelo de Lima uma fascinante e indisfarçável empatia, utilizando as possibilidades do discurso poético para romper a camisa-de-forças imposta aos homens ditos normais. Por camisa-de-forças entendamos aqui, desde logo, as regras gramaticais que nos introduzem numa língua, entendamos a família, entendamos a lei, a norma, o social opressivo e repressivo, entendamos tudo quanto impõe ao homem um modo de ser que não seja da sua inteira e exclusiva vontade. 
Nuno Moura é um menino mal comportado, recusa obstinadamente obedecer à catequese do "meio" vindo há anos alimentando o sonho de uma linguagem própria, singular, única como a dos loucos a quem, por vezes, atribui-se o epíteto de poetas. Em A Minha Casa (Tea For One, 2016) recuperou um texto de 2004 onde o território familiar surge minado por uma auto-ironia demolidora do lirismo geralmente oferecido ao tema: «A minha professora primária chamava-se Aurora / e levava-me muitas vezes para uma casa / do partido comunista em Sete-Rios / com corredores científicos, da estreiteza / de que eram feitos, que eu admirava cá de baixo. // O meu pai é comunista mas que eu me lembre / nunca se demorava por lá quando me ia buscar. // A minha mãe é do pp» (p. 5). Lido atentamente o Manual de Prestidigitação, o poeta trabalha a arte do prestidigitador que, qual Harry Houdini, escapa para espanto de todos à camisa-de-forças com destreza e agilidade raras. Podíamos estar no domínio da ilusão, não nos encontrássemos antes no domínio da arte. As memórias aludidas no texto traem uma suposta verdade por detrás das palavras, encenam essa verdade para provocarem um efeito disruptivo nos tempos do leitor. 
Em Clube dos Haxixins (Douda Correira, Outubro de 2016) também vários textos de proveniência diversa são recuperados, podendo o volume ser entendido como uma espécie de antologia de dispersos. Talvez seja relevante sublinhar esta relação de Nuno Moura com o disperso, sobretudo por não estarmos a falar de um autor determinado pelo convencional. Isso reflecte-se, igualmente, na sua frenética actividade enquanto editor e performer. Não se vislumbra nesta bibliografia uma preocupação cronológica, pelo menos não tanto quanto se nos apresenta sob a forma de apanhado das circunstâncias. A nota prévia no final do livro não é casuística, ela demarca o território da desconstrução exercida nos textos. Também aqui a loucura é o ímpeto que pontua a criação. Num diálogo aberto com outras artes, a escrita automática monitoriza o drama de um humor cheio de «de guinchos, de exclamações, de trechos incompreensíveis». E de imagens que são ideias para instalações artísticas: «Deitei-me vestido, fato completo, gravata, colete. A tábua de engomar era pouco estável mas dava espaço suficiente para cruzar os braços em cima da barriga, sem tocar com a cabeça no ferro quente. O gerente da loja de roupas imediatamente em frente conseguiu que quatro seguranças do centro comercial fizessem finalmente uso do ferro» (s/p). Mais uma vez, a normalidade resulta afrontada no texto. Desta feita, não tanto pelos jogos fonéticos ou sintácticos como pela situação em si. 
Cavalo Alucinado (Douda Correira, Setembro de 2017) extrema a afronta. O método é o do recorte e da colagem. Frases provenientes do nosso quotidiano jornalístico são retiradas do contexto original e reorganizadas, por assim dizer, numa caótica sobreposição de frases que redunda numa delirante transfiguração da realidade. O poético sobrepõe-se ao informativo, o informativo traz o poético no ventre. Para quê voltar a falar nas experiências de poesia fonética levadas a cabo por Hugo Ball, nas colagens que celebrizaram Kurt Schwitters, nos jogos linguísticos de Max Bense, no humor, no sarcasmo e na ironia que Nicanor Parra cultivou com os seus “artefactos visuais” e com a “antipoesia”, nas experiências formalistas e lúdicas de Joan Brossa, nas acumulações do artista plástico Arman?… Moura mantém vivas todas estas experiências poéticas, sem compromisso que não seja o de se libertar e de nos libertar da camisa-de-forças, pois «nem todos queremos ser vítimas / de canonização, entalar um dedo na porta da cidade / ou ter que invocar menos estreias absolutas» (s/p). As 31 Orações que se seguem ao Cavalo Alucinado propriamente dito dão bem conta desse princípio libertador, insistindo numa poesia que é prática, uma prática que a não existir tornaria a nossa realidade poética muito mais entediante. Quase tão entediante quanto logra sê-lo o quotidiano desmontado num verso simples e certeiro: «a pior severidade, conversas entre libertinos».

NUNO MOURA DIZ #3:

6

guardião do estilo
a dinâmica sonora e colorida da sua obra
não esconde a água no pântano
penetra sem recorrer a 
delicadas construções etéreas
sem recorrer à ajuda
da família
as delicadas construções etéreas servem
apenas para te esconder ó guardião do estilo
a loucura lamenta ter eclipsado
o guardião do estilo
mas é de eriçar
os pêlos dos braços, a sua obra, fatalmente marginal,
sempre presente nas fases de luto para meter o dedo
na ferida, a sua obra, com aquela infame tendência
de repetir, a sua obra
ó guardião do estilo


Nuno Moura, in Cavalo Alucinado, Douda Correria, Setembro de 2017, s/p.

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

NUNO MOURA DIZ #2:

(20 segundos)

y — já não te vejo há séculos.
x — isso quer dizer que não tens pensado em mim.

Nuno Moura, in Clube dos Haxixins, da secção A Função Reprodutiva no Macho (escrita automática), Douda Correria, Outubro de 2016, s/p

NUNO MOURA DIZ #1:

Fala de um amigo e de terem ido os dois
à estátua do Camões e de terem seguido
para a esquina entre o céu e a terra
(o resto da turma entrou na estátua).


Nuno Moura, in A Minha Casa, Tea For One, 2016, p. 6.

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

INSANUS

Carlos Querido (n. 1956) é autor de dois romances históricos com Caldas da Rainha em pano de fundo. Insanus (Abysmo, Julho de 2017) introduz o autor num outro género, embora possamos dizer que o pano de fundo se mantém. Ao longo das 29 pequenas histórias aqui coligidas, são várias as alusões a locais, monumentos, espaços públicos facilmente identificáveis na paisagem caldense. Não é de todo original que um autor opte pelo seu lugar de origem enquanto microcosmo narrativo, estabelecendo dessa forma um nexo entre realidade e ficção capaz de armadilhar o terreno interpretativo em que o leitor se movimentará. No entanto, a paisagem geográfica é, no contexto das personagens destes contos, um elemento assessório. Muito mais determinante é o que se passa no interior de cada uma dessas personagens, na forma como percepcionam a realidade, no modo como essa percepção nos é apresentada, nos bloqueios, nas ilusões, nas confusões, nas anomalias que manifestam e as colocam num plano de insanidade não necessariamente paralelo ao da realidade, por, de facto, ser essa a sua realidade, mas de algum modo perturbador da ordem. 
Neste sentido, é deveras relevante a referência recorrente a um lugar de ordem, de norma, de lei, como o da Repartição que surge em diversos contos. «A Repartição, com as suas horas certas, com os seus formulários e os seus carimbos» (p. 40) é o local de trabalho, é o palco onde a norma se impõe à personagem mas da qual a personagem se desliga, a Repartição é o princípio da Vida de Cão (vide conto da página 43) que oprime as personagens, que as impele para o plano da insanidade, num jogo paradoxal de causa e efeito que nos permite associar a esse lugar de norma o princípio fundador das «sessões de terapia» (p. 89). «Lá na Repartição, no rame-rame do trabalho burocrático, os dias passavam assim-assim, sem sobressaltos nem novidades» (p. 99). Mas fora da Repartição os sobressaltos sucedem-se, o acaso toma conta do quotidiano, o inesperado manifesta-se, a vida ganha a forma de uma aventura nos limites do razoável, o novo é o inesperado, as palavras provocam dor, as sombras autonomizam-se, as estátuas ganham vida própria, o passado da amada fere como se fosse presente, a imaginação toma conta da razão, a vida vira-se do avesso, as memórias são como que feridas abertas, a lógica do raciocínio deixa os psiquiatras pensativos. 
Igualmente curiosa é a ligação que em alguns destes contos se estabelece entre luz e sombra. Somos tentados a julgar que, por vezes, é na sombra que a verdade melhor se manifesta. As personagens fecham os olhos, voltam-se para dentro, imersas no escuro do pensamento vêem com clareza que os olhos não logram os interstícios da intimidade. Logo num dos contos iniciais, a personagem fecha os olhos à beira do esquecimento. No conto justamente intitulado Sombras, esta frase: «As pessoas não se preocupam com as sombras, até ao dia em que perdem aquela que os deuses lhes destinaram» (p. 18). É como se à sombra se fizesse equivaler a identidade, uma identidade que os arquivos da Repartição não determinam nem a lógica da ciência desvela. Trata-se de uma identidade à qual chegamos pela via da solidão, porventura mística, perceptível apenas no silêncio da respiração mais profunda. 
No conto O Sussurro, a título de exemplo: «Fechou os olhos e confirmou o que sempre soubera: há um mundo de trevas em permanente ebulição, uma tempestade infinita, origem e fim do universo» (p. 39). Ora, uma pessoa fecha os olhos para dormir, para descansar, quando não os fecha para ver melhor. É precisamente isso que sucede nestes contos, as personagens fecham os olhos para ver melhor, fecham os olhos no encalço das suas confirmações. Insanus tenta oferecer-nos as visões daquele que fecha os olhos e imagina o mundo dos outros, a vida dos outros, a partir de personagens inquietantes nas quais a loucura e o delírio são apenas pretextos para repensar a realidade. Note-se, mais uma vez, como no já supracitado Vida de Cão a personagem descobre o caminho para casa: «Fechou os olhos para melhor descobrir o caminho para casa» (p. 45). Ao gesto de fechar os olhos corresponde um método alternativo aos métodos da razão, é um método sensível que nos devolve à casa essencial, talvez a uma paz interior que no limite se confunde com a cegueira enquanto alegoria de um afastamento relativo ao mundo visível, o da percepção, o dos fenómenos, o violento mundo dos fenómenos: «Pensou um dia que a libertação poderia estar na cegueira, porque a escuridão era o único bálsamo que conhecia, sem vísceras, nem ossos, nem sangue. Desejou-a ardentemente: uma parede sem brechas, por onde não entrasse um único raio de luz. E ficou cego. Diziam que era cegueira psicológica. Talvez. A verdade é que deixou de ver, e isso dava-lhe uma imensa tranquilidade» (p. 70).

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

UM CONTO DE CARLOS QUERIDO

PENDÊNCIAS

   Numa sessão de psicoterapia, desenterrou memórias do passado relacionadas com a perigosa gravidade. Na infinita aridez da planície, um pinhal manso de copas entrelaçadas a esconder o céu; num recanto secreto, por entre heras e musgo, um fio de água silencioso e breve, a derramar-se na terra argilosa; na velha mina da nascente, o esconderijo perfeito dos tesouros dos piratas e das coleções de cromos; caminhava de mão dada com a avó, quando uma pinha cheia caiu lá do alto; estendido na terra, com um doloroso hematoma, ouviu as palavras animadoras da avó: Deus na sua infinita sabedoria fez bem todas as coisas, olha os melões, imagina que nasciam nos pinheiros; à noite agradeceu a Deus por não ter sido atingido por um melão; mas ficou sempre aquela cisma: o que paira no ar pode cair; com a agravante que o avô lhe ensinou: quanto maior a altura, maior o tombo. No domingo seguinte, ao dirigir-se à igreja com os avós, ouviu um grande alarido; o sacristão desancava o sino com frenesim, a anunciar a ressurreição do Senhor, quando o badalo se soltou e lhe aterrou na cabeça; os paroquianos não ganharam para o susto, e o infeliz acólito levou dezoito pontos e não tugiu nem mugiu durante igual número de dias.
   Eram coincidências a mais. Antes prevenir do que remediar. Passou a evitar as sombras das árvores, porque nunca se sabe o que escondem as copas frondosas, bem como o lado interior dos passeios, porque há vasos e outros objetos em precário equilíbrio nas varandas. Mas o que mais o atormentava eram os sinos, com os seus badalos pendentes, arredondados e obscenos, prestes a abaterem-se sobre ele em repetidos pesadelos.
   Um dia teve um sonho estranho. Corria pela praia completamente nu, ao som do sino da aldeia dos avós: dlim... dlão... dlim... dlão dlim... dlão. Com a cadência do badalo do sino, baloiçavam-lhe os testículos. O ritmo tornou-se frenético e com um súbito estrondo o badalo caiu na areia. No silêncio que se seguiu acordou em sobressalto e tateou com mão trémula a confirmar que tudo estava no seu lugar. No dia seguinte, a mesma mão voltou a confirmar, na vã tentativa de afastar a inquietação que persistia em atormentá-lo. O gesto tornou-se um hábito. Não conseguia, nem por um momento, deixar de aconchegar aquela parte do corpo, de tal forma que, quando a namorada o deixou comentou jocosamente com as amigas, que uma das causas era a sua "relação obsessiva com os tintins".
   Decidiu procurar ajuda junto de um psicoterapeuta a quem expôs o seu caso. O médico sossegou-o: pende, mas não cai, fique tranquilo; pende, mas não cai. Depende, senhor doutor, depende. Imagine que alguém nasce com uma fragilidade congénita, e que a constante oscilação provoca um desgaste nos tecidos que leva à queda dos ditos. Não será possível fazer uns suplentes? É que eu só tenho estes e se tivesse um par de reserva, dava-me uma grande tranquilidade. Constou-me que os especialistas de medicina regenerativa desenvolveram uma tecnologia que permite criar tecido humano a partir das nossas células e conseguem manipular esse tecido de modo a construir órgãos. Fazia-se um molde com estes e resolvia-se o problema. O que é que o senhor doutor acha?
   Pensativo, o médico coçou a cabeça calva e sábia, em busca da melhor solução. Talvez não haja necessidade. Ora dispa-se e deite-se naquela marquesa. Agora dê um puxão. Com força. Ó senhor doutor, não me peça uma coisa dessas. Puxe, homem, puxe! Garanto-lhe que não caem e que isso vai restituir-lhe a confiança e desmistificar os seus receios. Puxe!, gritava desesperado perante a passividade do paciente. Desculpe mas não o faço. Tantos anos cheio de cuidados e agora ia dar cabo de tudo? Em desespero de causa, o médico calçou uma luva de latex e deu um puxão súbito e firme. O paciente soltou um grito aflitivo e ficou-se, hirto, tolhido, sem palavras. Didático, explicava o médico: trata-se de terapia de choque, o senhor vai fazer isto todas as manhãs, antes de sair de casa, e sentir-se-á muito melhor.
   Já na rua, fez o gesto habitual, para confirmar se estava tudo no lugar. Aterrorizado galgou as escadas do consultório. Bem o avisei! O senhor doutor desgraçou-me. Agora não os sinto! Não os sinto! Por favor, ajude-me a procurar debaixo da marquesa.


Carlos Querido, in Insanus, Abysmo, Julho de 2017, pp. 77-79.

terça-feira, 10 de outubro de 2017

AN OPEN LETTER TO MADONNA

Dear Madonna,

I heard that you can’t find a house in Lisbon. Let me tell you that I live in a small but very nice village named Caldas da Rainha. It’s near Lisbon. My wife works in Lisbon, but lives in Caldas. She goes every day to our beautiful capital. Anyway, you have to know this: Portugal begins in Caldas:



If you want, if you need, I’ll show you very nice places here that can be a beautiful house for you. Listen to me, we have in Caldas the most precious buildings crying for some kind of renovation. I think you have the money to buy, restore and be happy near the black swans and peacocks of our great Park. Know what I mean? Pea-cocks!!! Look at this and tell me if it is not a potential brutal home for you:



Concentrate, please, in my words.  I have not much time for you, but if you need I can show more of this nicest places in Caldas. I am very sure that you will love my suggestions like a virgin loves Caldas faience. Just a joke.


Love you,

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

VIVA O CAPITALISMO

Japonesa morreu após um mês com duas folgas e 159 horas de trabalho extra. Caso de 2013 veio a público agora. Fenómeno de karoshi - morte por excesso de trabalho - revela um problema social do Japão.

Notícia do Público.

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

GAME OVER

Aquando da primeira edição de Game Over (&etc, Maio de 2002), Manuel de Freitas (n. 1972) tinha já publicado alguns livros cuja recepção crítica confirmou a sua poesia como das mais relevantes de uma nova geração de poetas surgidos na viragem do século XX para este novo, mas algo repetitivo, século XXI. O texto de Joaquim Manuel Magalhães, originalmente publicado no jornal Público em Agosto de 2002, agora incluído nesta segunda edição de Game Over (Alambique, Março de 2017), dá conta do entusiasmo: «O mundo da literatura, ou o da poesia simplesmente, é habitado por seres que já nem sequer sabem onde têm a caneta, quanto mais a cabeça. Só sabem a melhor maneira para arranjar dinheiro literário. Por mim, posso garantir que admiro Manuel de Freitas pela segurança da sua obra, pela sua intensidade, ainda tão recente» (p. 111). Vinda de onde veio, a admiração não admirava. A poesia de Manuel de Freitas respondia de formas natural e positiva a todo um conjunto de críticas dirigidas à contemporaneidade que Magalhães foi elaborando em textos contundentes, acusando, nomeadamente, a esterilidade dos diversos hermetismos que pendurando-se em obras precariamente entendidas, como, por exemplo, a de Herberto, foram produzindo uma poesia fechada sobre si mesma, indiferente ao leitor, tantas vezes ilegível, outras tantas simplesmente exibidora de um contorcionismo verbal redutor e resistente ao sentido.  
   A poesia de Manuel de Freitas situava-se e situa-se nos antípodas desses contorcionismos, optando por um registo quotidiano por vezes erroneamente confundido com mero confessionalismo. Contra mim falo. A releitura de um livro como Game Over ajuda-nos a compreender nesta poesia elementos que a tornam muito mais forte do que ela seria caso se subsumisse num mero inventário prosódico das amarguras quotidianas. Foquemo-nos no corpo, assim mesmo, isolado, como no primeiro verso deste livro. Foquemo-nos no corpo e nas suas rugosidades, no corpo que ama, no corpo enquanto lugar de paixões, o corpo que caminha junto a outros corpos, o corpo que frequenta a rua, corpo próximo por onde perpassam fenómenos, o corpo que experiencia, o corpo aberto ao mundo através da experiência sensível, o corpo existencial, aquele que experimenta a finitude no confronto com a morte e com a ruína, o corpo cativo do tempo, da experiência do tempo. Os poemas de Game Over são corpos dotados de uma materialidade que liga as palavras à terra, que resgata o poeta do palco nefelibata e o recoloca na rua. Ao contrário do que se diz/disse, não enjeitam a metáfora nem sequer a evitam: «estrume dos conceitos» (p. 14), «infância triste do mundo» (p. 29), «uma pulga dadaísta / salta-me às vezes para as costas» (p. 37)… Simplesmente a usam com a parcimónia de quem reconhece no poema uma capacidade comunicacional ferida de morte quando os poemas acabam reduzidos às cinzas da pura abstracção lírica. 
   Parafraseando Joaquim Manuel Magalhães, «Manuel de Freitas é um poeta do contemporâneo político» (p. 114). Assim é por vislumbrarmos na sua poesia uma paisagem humana e urbana na qual identificamos um tom crítico, por vezes áspero, relativo à modernidade. De aparentes minudências quotidianas, ele dá forma a observações ora violentas, ora irónicas, acerca do estado do mundo. E sendo o tempo ou a morte os seus grandes temas, não deixa de ser sintomático que desse estado do mundo se conclua uma entediante repetibilidade: «Nos cafés também «espero a vida / que nunca vem ter comigo», / a putéfia. Nada mudou. Nada, / Mário. Só que nos «cafés», agora, / pedem-se empréstimos para comprar / carro e casa ou manuseiam-se discos / por sinal merdosos, propícios / a uma época que voa ao rés da Bolsa. / A vida, claro, continua sem aparecer por aqui. // Mas lepidópteros ainda há, uivando de alegria alegre – e restos / de nada nas coisas, a chamarem-nos de tão longe / para a proximidade do fim. // Era só para te dizer isto» (p. 43). A missiva tem destinatário, neste caso um poeta português como muitos outros a quem os poemas de Game Over vão aludindo. 
   Mas importa aqui, antes de mais, desfazer um preconceito relativo à poesia de Manuel de Freitas, como à de outros poetas portugueses que se foram situando, digamos assim, num mesmo campo discursivo. Refere-se esse preconceito à relação desta poesia com um putativo real, de resto bem desmontado num parêntesis do poema Arte Poética I: «(De resto, será o «real» / assim tão real?)» (p. 15) A pergunta não é meramente retórica, já que introduz no seio do poema uma dúvida acerca do princípio pelo qual aparentemente o próprio poema se rege. O real nunca foi nestes poemas uma reivindicação política, muito menos estética, de tipo naturalista, pelo menos não tanto quanto se afirma pela subjectividade daquele que observa. O real não se esgota no corpo, mas tudo quanto dele logramos alcançar passa inevitavelmente pelo corpo. Assim sendo, o corpo impõe as fronteiras subjectivas de captação e assimilação do real. Não o esgota, pois não há um corpo único. Há uma multidão de corpos através dos quais o real se manifesta. E a marca fundamental do real parece ser, assim se nos impõe, a própria finitude do corpo, a percepção da ruína e da morte para que tudo tende. 
   Depois do fim, título do primeiro conjunto deste livro, sobrarão poemas enquanto inscrições de uma passagem pelo mundo salvaguardada pela música, mais do que pela própria poesia, e pelo amor. É relevante a alteração da epígrafe inicial da primeira para a segunda edição deste livro. Também o amor, sobretudo presente no conjunto intitulado O Rumor das Saias de Inês, parece surgir de uma impossibilidade: «Um dia vamos saber que nada disto / aconteceu. Forma corpos, / apenas, numa cidade agonizante / que apagou passos nunca dados» (p. 97). Ou, de um modo mais dilacerante, um verso de All You Need Is Love I: «O amor? Não me fodam. / Apenas um filme sem enredo / que já vimos demasiadas vezes / e que vai continuar a acabar mal // - como a puta da vida, aliás» (p. 99). Não se trata, pois, da confusão de um amor fusão, isto é, de um amor em que dois corpos possam supostamente fundir-se um no outro. O «amor sem trela» protagonizado nos versos de Manuel de Freitas não sujeita o corpo a um esvaziamento da sua individualidade, é também ele motivo de desconfiança. Ao contrário do que geralmente sucede na lírica amorosa tradicional, em que o amor enleva e eleva os amantes num êxtase desmesurado, lírica essa paradoxalmente evocada desde logo na erótica epígrafe camoniana, o amor não surge nestes poemas separado do mundo, não coloca os amantes um palmo sequer acima da terra, não os protege nem os endeusa, antes os ameaça enquanto lugar de incerteza, ameaçado também ele pela morte, pela efemeridade, pela finitude, pelas coisas do mundo. 
   A poesia de Manuel de Freitas é, neste sentido, um permanente desafio às construções herdadas de uma tradição que coloca o poeta acima do mundo. Nestes poemas, o poeta é aquele que entre os demais nos confronta com o mundo. Se isso é muito ou pouco para um poeta, não sei. Também não me cabe determinar a lucidez do diagnóstico. Posso apenas revelar que, ao lê-lo, me questiono. Esta é uma poesia que interpela o leitor, o que é mais do que tantas vezes acontece: «O futuro é dos outros, como tudo, e seria lastimoso / que viessem dar contigo numa antologia chata, / dessas de encomenda e tudo. O que disseste / foi para ser dito, não para ser lembrado. E a eternidade / tem nomes que cheguem para várias gerações / que talvez achem, com a razão lá delas, uma perda / de tempo os versos e a literatura uma coisa vil / como comer carne ou sexo. A posteridade / foi talvez a única puta com quem não desejaste estar, / até porque já cá não estarás então – e a lógica, / para estas coisas, ainda vai servindo, reduzas / ou não ao absurdo os gestos com que foste pó movível» (pp. 54-55).

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

UM POEMA DE MANUEL DE FREITAS

LISBOA, HORA ZERO

Eis o fim do mundo, amiga.
Tudo o que não repousará na lousa fria
que lembra limpa os teus gestos,
sob terra e voz. Esmorecem aqui
os rudes intentos do Inverno
- e nem uma canção sobrará,
se os deuses preclaros puderem.

Foi um cansaço de versos
o teu nome derradeiro, e despeço agora
essa música que parou no sangue
e os lugares inconclusivos
que à beira do nada se alimentaram
dela, de ti tão-só, extremamente.

Direi por fim que não há resgate
para o abolido corpo das horas
e que a «cultura», o que assim chamamos,
é um reino inabitável
onde nos não veremos mais.

Há asas de rancor nas coisas,
corredores de medo que esperam
em vão pelos teus passos. Mas foi sempre
assim, esta morte. No punhal dos dias
te encontrei, no punhal dos dias
te abandono agora. E regresso,
se não ao silêncio pelo menos à certeza
póstuma de que os oficiantes de aqui
fumam cigarros diferentes dos meus.

É tudo uma questão de sombra,
demorada e simples.
E sobre o Tejo uma gaivota morta
diz muito melhor do que nós a irrisão
que abençoou o meu mais mudo apelo.

É tua, esta coroa de papel manchado
- o país em que inventei sem lágrimas
o teu nome verdadeiro, para me enamorar
ou quase de águas poluídas e poder, enfim,
desaparecer das páginas, escondido na paisagem

de um mar que foi apenas a vontade
de o ser, mas não muita.


Manuel de Freitas, in Game Over, Alambique, Março de 2017, pp. 104-105.

ÓDIO À POESIA

Comecemos por Platão. Parece-nos inevitável começar por Platão sempre que se fala de um hipotético ódio à poesia. Aguardamos sentados o ensaio dedicado ao tema que deixe o filósofo em paz. Ainda não foi desta. A história está mal contada. Platão não odiava os poetas, simplesmente os considerava má influência junto da juventude no contexto de uma cidade ideal. A cidade ideal é a cidade da verdade, a mesma que admite a mentira útil em determinadas circunstâncias. Essa é outra história. A expulsão dos poetas da República não tem na sua origem um ódio à poesia, que o próprio Platão praticava, mas sim um amor à verdade que Platão coloca num plano distinto do da poesia. Porquê? Porque a poesia oferece representações, ao passo que a filosofia almeja ideias. A ideia é a verdade, o poema poderá participar apenas da ideia enquanto sua representação, ou seja, é já uma deturpação da ideia. Tudo isto parece muito lógico no plano das ideias, num contexto, como agora se diz, académico. Na realidade, as ideias são meros postulados. A ideia de Verdade, a ideia de Bem, a ideia de Belo, a ideia de Absoluto, todas as ideias são postulados da mente. No mundo dos fenómenos, durante muito tempo os poetas foram vendendo o produto do seu trabalho enquanto aproximações à verdade. O poema colocar-nos-ia em contacto com a essência das coisas, o poema desvelaria, seria revelação, e o poeta uma espécie de demiurgo capaz de nos transportar através das palavras numa viagem até à Verdade, ao Belo, ao Bem, ao Absoluto. Nada disto faz hoje sentido, como sabemos. A poesia, pela mão de quem a cultiva, foi assumindo-se enquanto arte literária, uma forma de expressão mais ou menos subjectiva, mais ou menos universal, mais ou menos capaz de comunicar. Não sendo essa a sua função, pois para comunicar os homens servem-se de linguagens mais simples, mais úteis, mais práticas, a poesia assumiu-se como forma de expressão de um eu objectivo ou de um todo subjectivado pelos filtros de quem o observa. 
Partir de um princípio de ódio à poesia, como faz Ben Lerner (n. 1979), parece-nos manifestamente exagerado. Teremos, porventura, em repartições desconexas pela geografia onde o poema se manifeste, teremos, dizia, mera indiferença, algum desprezo, porventura desinteresse e ridicularização, mas temos também o culto de certos nichos capazes de regarem a poesia com festivais, soirées, edições a granel, numa proliferação de projectos editoriais, sítios on-line, festas, feiras, sessões, intensas querelas e nervos à flor da pele, que colocam a poesia ao nível da doçaria conventual. Para não referir as manifestações multidisciplinares em que ela aparece confundida, misturada ou de mão dada com a música, com a pintura, com a dança, com a performance… Ódio à Poesia (Elsinore, Setembro de 2017), de Ben Lerner, serve-se de um título provocador para divagar sobre uma dúvida algo capciosa: ««Poesia»: que espécie de arte acomoda o desagrado do seu público e que espécie de artista se alinha em defesa de tal desagrado, até mesmo encorajando-o? Uma arte odiada de fora e de dentro. Que espécie de arte tem como condição da sua possibilidade um perfeito desprezo?» (p. 9) Mas que público? Que público o da poesia senão aquele que comparece na soirée, mantém viável a publicação adquirindo livros ainda que à margem do mercado dito oficial, se afirma pela margem enquanto honrosa excepção capaz, incrivelmente, de seduzir críticos e congéneres numa avidez de artigos dedicados ao tema que poucas outras artes almejam? 
O ódio à poesia, a aversão à poesia, são noções claramente exageradas. Não tanto quanto a morte da poesia, que Lerner aflora, no sentido de uma declaração de óbito a certa concepção clássica e universalista de poema. O alcance deste ensaio é outro: «O ódio à poesia é intrínseco à arte, porque é tarefa do poeta e do leitor de poesia usarem a temperatura desse ódio para dissiparem o real do virtual, como nevoeiro» (p. 47). Repare-se o quão poética é a própria linguagem do ensaísta, como se fosse impossível falar-se de poesia sem ceder à linguagem poética. Ben Lerner está claramente mais interessado na defesa de uma ideia de poesia, uma ideia que liberte o poema das amarras da representação e o aceite enquanto manifestação de uma linguagem plástica, mais ampla do que a linguagem comum, capaz de desbravar os caminhos da mente para experiências que não estejam delimitadas pela percepção dos fenómenos. O poema virtual, que ele contrapõe ao poema real, é o foco do seu esforço. 
««Poesia» é uma palavra para uma espécie de valia que nenhum poema em particular pode concretizar: a valia de pessoas, a valia da actividade humana além da divisória trabalho/lazer, uma valia aquém ou além do preço. Assim, odiar-se poemas pode ser tanto um modo de expressar negativamente a poesia como um ideal — um modo de expressar o nosso desejo de exercitar tais capacidades imaginativas, de reconstituir o mundo social — como uma raiva defensiva contra a mera sugestão de que outro mundo, outra medida de valor, é possível» (p. 65). Portanto, o ódio à poesia questionado neste livro resulta numa espécie de defesa da poesia contemporânea, ou, pelo menos, de certa poesia contemporânea, aquela que não usurpa à linguagem poética a sua capacidade de gerar novos mundos para lá daqueles em que a linguagem geralmente se materializa, mundos em que o tempo e a geografia não espartilham a linguagem poética enquanto potência imagética e imaginativa. 

terça-feira, 3 de outubro de 2017

AUTÁRQUICAS 2017


Algumas notas rápidas e avulsas:

1. Isaltino Morais é o rosto da noite. Outrora autarca modelo do PSD, foi condenado, preso, escreveu o livro A Minha Prisão, onde, entre outras confissões, relatou os sonhos eróticos que teve na cadeia, voltou a candidatar-se em lista dita independente e ganhou com maioria absoluta. 34.264 oeirenses votaram nele, no município com maior percentagem de licenciados e doutorados em Portugal. Para quê especular? Melhor retrato de um país é impossível.

2. O camarada Bernardino Soares foi reeleito com mais votos do que em 2013, mas menor percentagem. O candidato racista do PSD conseguiu 18.877 votos, mais do que o partido tinha conseguido em 2013, e aumentou de 2 para 3 os vereadores. Quer que o partido que o apoiou “ponha os olhos” no seu resultado, mas o mais certo é que o partido faça como os três macacos e finja que não viu, que não ouve, que não vê.

3. Isaltino Morais saltou da prisão para a maioria absoluta. O que é isso de fraude fiscal, abuso de poder e corrupção?

4. Em 2013, o PSD obteve 834.455 votos sozinho e 379.110 coligado com o PP. Este ano conseguiu 831.551 sozinho, mais 454.290 em coligação com o PP. Esqueçam lá isso da derrocada. Em concelhos como Rio Maior e Caldas da Rainha, os mais cá de casa, até podiam concorrer com o macaco Adriano.

5. A CDU continua a ser a terceira maior força autárquica, apesar da perda de municípios históricos e de votos. 552.690 em 2013, 489.189 em 2017. O BE cumpriu a sua missão.

6. Isaltino Morais já está a escrever os sonhos eróticos que teve durante estas autárquicas. Prevê-se um segundo tomo dessa obra magna do ex-candidato modelo do PSD. Oeiras – A Minha Prisão, seria por certo um projecto que a editora A Esfera dos Livros não enjeitaria.

7. A cantora Ágata, candidata do CDS em Castanheira de Pêra, só conseguiu 90 votos. Vais-te embora, podes levar daqui tudo o que houver… Mas não ficas com a Pêra.

8. O PNR teve 4.740 votos a nível nacional, mais de 1700 do que tinham conseguido em 2013. O futuro de André Ventura é animador.

9. Ao contrário de Isaltino, Valentim Loureiro não conseguiu reconquistar o seu antigo bastião. Os gondomarenses não foram sensíveis à pena suspensa como os oeirenses foram à prisão efectiva. Ainda assim, amealhou 16.238 votos contra os modestos 9.003 do seu antigo partido – o PSD, quem mais?

10. Joana Amaral Dias, candidata do Nós, Cidadãos!, conseguiu 4741 votos. Foram menos os votos do que as aparições mediáticas no ano corrente para discutir os mais variados assuntos. Ainda assim, julgamos que merece um lugar só para ela em qualquer transporte público à sua escolha. Tipo prémio de consolação. 

11. Na noite eleitoral, a SIC e a TVI escolheram os seus comentadores com o mesmo critério de sempre. Nem um afecto ao PCP. Em compensação, essa força viva que é o BE lá teve o Louçã e a Marisa a defenderem os excelentes resultados autárquicos almejados com tanto esforço e tanta contrariedade entre Melgaço e Olhão.


12. Isaltino Morais. Maioria absoluta. No concelho com maior percentagem de licenciados e doutorados em Portugal.



13. Je Suis Esposende merecia melhor sorte, assim como a Tixa ou a Salomé ou lá quem é. Ficaram ao nível da Joana Amaral Dias. Já não é mau. Boa sorte a todos no Instagram e bom trabalho no Facebook. 

MICROBLOGGING

Nos Camarões também há quem queira ser independente. A resposta foi, segundo corre nas notícias, um banho de sangue. Testemunhas afirmam ter avistado algumas vítimas a serem alvejadas a partir de helicópteros. Paul Biya, presidente da República dos Camarões, segue o exemplo de Trump e dirige-se à nação via Twitter.

TOM PETTY (1950-2017)


Morreu um dos símbolos da canção norte-americana. Cheguei a Tom Petty através de Bob Dylan, com quem colaborou em inúmeras ocasiões. 
Damn the Torpedoes (1979), o terceiro álbum com os The Heartbreakers, mora cá em casa em versão vinil. Foi o primeiro grande sucesso de vendas de Tom Petty. Mas a sua canção mais conhecida talvez seja Free fallin’, do álbum Full Moon Fever
Into the Great Wide Open (1991) é um dos meus álbuns preferidos de Tom Petty & The Heartbreakers. À época, as críticas não foram generosas. No entanto, continua a ser um álbum que se escuta com bastante satisfação.


domingo, 1 de outubro de 2017

OS BAMBI

Os Bambi
Pedro Serpa – Saxofone / Nuno Moura – Texto / Henrique Manuel Bento Fialho – Guitarra (em substituição de José Luis Costa, em missão no Mali)

Festival Silêncio
30.09.2017 / GIV LOWE