sexta-feira, 29 de dezembro de 2006
O SOM ATINGE O CIMO DAS MONTANHAS
quinta-feira, 28 de dezembro de 2006
INTROUDÇÃO À FILOSOFIA POLÍTICA
- Olha filha, o pior português de sempre.
- Quem é, papá?
- É o Salazar, filha. A esse podes chamar todos os nomes que tu quiseres.
- Mas gaja não...
- Quem é, papá?
- É o Salazar, filha. A esse podes chamar todos os nomes que tu quiseres.
- Mas gaja não...
quarta-feira, 27 de dezembro de 2006
terça-feira, 26 de dezembro de 2006
JUVENTUDE EM MARCHA
de Pedro Costa
Esperei até hoje pelo meu filme do ano, ou lá o que isso seja, mas também por um desses filmes que fará parte do inventário essencial de uma vida. Tudo o que eu diga deve ser considerado suspeito, convencido que estou, desde O Sangue (1989), da genialidade de Pedro Costa (n. 1958). Juventude em Marcha é uma obra única, com uma ligação estética e ética a obras precedentes do mesmo autor: Ossos (1997), No Quarto de Vanda (2000). O personagem central, desta feita, é o pai de Vanda, um tal de Ventura a quem querem roubar a identidade que resta, atirando-o para uma casa nova onde terá que pagar água, luz e gás. Por onde quer que passe, Ventura verá sempre os vestígios da sua presença apagados. Dos pés ao rosto, apagam-lhe as impressões, a vida, os lugares. Restam as memórias de amigos perdidos, cartas nunca enviadas, fantasmas na memória de um homem velho, as nódoas. Restam as histórias para contar aos filhos e aos netos. Restam os dramas de uma vida na companhia dos mortos. Todas as personagens têm as suas histórias, mais ou menos caricatas, mais ou menos trágicas. Vanda conta como correu o parto da sua filha. A plateia ri. Vanda remata qualquer coisa do género: «Coitadinha, nunca mais me hei-de esquecer de ela a ressacar, como a mãe, ali aos saltos no berço». A plateia ajeita-se nos lugares, pressente-se algum desconforto na sala. Durante a projecção paira sempre esta percepção de um certo desconforto, de ora quem ri para, logo de seguida, estancar num cruel retrato da miséria. E como é bela esta forma de filmar a miséria! Uma miséria a rebentar de poesia, humana, com as Fontainhas em contraponto ao novo bairro social. Não sei se quem olhe o contraste sentirá o mesmo que eu: o bairro social parece-me sempre mais inóspito e sujo do que as Fontainhas, porque aqui ainda resta um pouco da identidade comunitária que no bairro novo parece desaparecer por completo. No bairro novo Ventura parece desapiedado, desintegrado, já só uma sombra de si próprio, ainda que para lá vá arrastando os seus fantasmas. Mas o que mais me impressionou em Juventude em Marcha foi o enquadramento das personagens, a forma como se nos apresentam em retratos de uma intimidade que transpira, ao mesmo tempo e na mesma medida, tristeza, melancolia, solidão e absurdo. Há uma nuvem de absurdo a pairar sobre todas as histórias contadas durante o filme, sobre todas as cenas, um absurdo existencial que nos coloca perante um olhar trágico, no sentido que os gregos lhe davam. Não vislumbro nesse olhar qualquer romantismo, sendo-me ali mais evidentes as marcas de um destino desgraçado, de uma fatalidade identitária punida com o exílio social. São as marcas de uma condenação cultural que me deixa resignado, porque sem grande esperança na nova vida que se avizinha. Tenho lido por aí ser este um filme de confidências. Soa-me bem. Sobretudo se alargarmos as confidências ao estranho, misterioso e fantasmagórico campo da reinvenção de uma vida. Porque o que este filme faz, quanto a mim, é reinventar um desventurado Ventura, restituindo a poesia onde, porventura, poucos dariam por ela. Só um olhar como o de Pedro Costa para no-la oferecer deste modo tão convincente.
domingo, 24 de dezembro de 2006
REVÓLVER
quarta-feira, 20 de dezembro de 2006
O CARTEIRO
de Michael Radford
Andava há muito tempo para escrever qualquer coisa sobre O Carteiro de Pablo Neruda, talvez desde que aqui cheguei. Fui adiando, adiando, adiando, até que soube do desaparecimento de Philippe Noiret, o actor que interpreta o Neruda do filme. Talvez não passe de mera coincidência, alinhavar agora, pouco depois da notícia da morte de Noiret, algumas palavras sobre um filme que comemorou 12 anos neste 2006 que ora finda. A verdade é que há coincidências embaraçosas, porque nos lembram ser a morte, essa porta aberta ao esquecimento, quase sempre a maior motivação da memória. E depois, ocupamos tanto do nosso tempo a pensar nos filmes que nos inquietam e nos intrigam que, por vezes, esquecemo-nos daqueles que muito simplesmente nos comovem. Il Postino é uma dessas raras experiências cinematográficas cuja magia reside no dom de nos comover, independentemente das circunstâncias íntimas que nos façam companhia nos momentos de revisitiação. Vi-o no cinema, como milhares de portugueses, já uns meses depois de se ter tornado num inexplicável e surpreendente fenómeno de bilheteira. Lembro-me de ter saído da sala com uma sensação de leveza apenas explicável pela noção de que havia aprendido algo, de que havia crescido mais um pouco por dentro e que isso só fora possível porque o que acabara de presenciar tocara-me nesse lugar mais íntimo da sensibilidade, nesse lugar sem marcação de onde vem toda a poesia, esse lugar a que gosto de chamar respiração. Há obras que nos ajudam, sem dúvida, a respirar melhor. O Carteiro de Pablo Neruda é uma delas. Realizado por Michael Radford, adapta a novela Ardiente Paciência de Antonio Skarmeta. O argumento desenvolve-se em torno da relação entre um humilde carteiro de uma ilha siciliana e o poeta Pablo Neruda que para aí vai viver, quando se encontrava no exílio por razões políticas. Essa relação despoletará no carteiro o gosto pela poesia, pelas metáforas, sobretudo por se convencer do poder encantatório das metáforas junto das mulheres. Pablo Neruda, poeta do amor, poeta do povo, poeta. Poeta do povo, demasiado ocupado consigo próprio e com a sua poesia; poeta do amor, especialmente apreciado pelas mulheres. É à sua poesia, às suas metáforas, que Mario, o carteiro, recorre quando pretende enfeitiçar a sua amada Beatriz. E consegue. Casam, honrados pela presença do poeta chileno como testemunha do matrimónio. Entretanto Neruda regressa ao Chile e Mario fica enclausurado na ilha de onde nunca saíra, fica e aguarda pacientemente notícias do seu grande amigo Pablo Neruda, notícias que tardam em chegar, notícias que se esvaem no esquecimento. Fiel ao poeta, mais que o poeta o fora a si, Mario converte-se ao comunismo, acabando por morrer numa manifestação onde leria, assim tivesse sido possível, um poema em honra do seu amigo ausente. É esse poema, esse poema do carteiro Mario, aquele que nunca chegamos a escutar, é esse o poema que mais importa neste filme. Ao pé desse poema silenciado pela morte toda a poesia de Neruda é mero adereço, porque esse poema é o poema da simplicidade, é o poema da fidelidade, é o poema da amizade, é o poema da ausência. É, talvez, o poema das coisas belas que Mario aprendeu a ver no ostracismo da sua ilha, as ondas do mar, o vento nas escarpas, as moitas, o silêncio de um imenso céu estrelado, as redes tristes de seu pai, pescador, e Beatriz. Sobretudo Beatriz, metáfora feita carne, feita corpo que não se explica, beleza inexplicável, como a poesia que explicá-la seria uma traição. Ao descobrir a poesia, Mario descobre também a beleza do mundo que o circunda, descobre-o com o espanto de quem vê pela primeira vez o mundo à sua volta. Massimo Troisi, o actor italiano que interpreta o carteiro, faleceu antes do filme estrear. Foi este o seu último fôlego, sereno, calmo, paciente, misteriosamente belo. Noiret junta-se-lhe agora, passados 12 anos. Que o esquecimento lhes seja tão leve quanto a poesia que nos proporcionaram neste filme.
terça-feira, 19 de dezembro de 2006
DIÁRIO ÍNTIMO
quarta-feira, 13 de dezembro de 2006
PREFLORAÇÃO
sexta-feira, 8 de dezembro de 2006
QUARENTA ROMANCES DE CAVALARIA
terça-feira, 5 de dezembro de 2006
BOCA DO INFERNO
- Gregório de Matos, Boca do Inferno, colecção Contramargem 15, & etc., 1982;
- Tomás Pinto Brandão, Vida e Morte de Tomás Pinto Brandão Escrita Por Ele Mesmo Semivivo – Este é o Bom Governo de Portugal, Publicações Europa-América, 1976.
sexta-feira, 1 de dezembro de 2006
ESTÓRIAS DOMÉSTICAS & OUTROS PROBLEMAS
Estórias Domésticas & Outros Problemas
OVNI
Dezembro de 2006
não tenho nada contra a poesia
mas é mais útil a limpeza a seco
Fernando Assis Pacheco
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