sexta-feira, 29 de junho de 2007
VIGARISTAS, LADRÕES & ASSASSINOS
terça-feira, 26 de junho de 2007
SISMO
ÚLTIMA HORA: Sismo com epicentro em Braga destrói a Universidade do Minho, vitimando dezenas de cidadãos anónimos. 15 minutos depois: Corrigimos a informação inicial sobre o sismo ocorrido em Braga. Afinal há a registar apenas uma vítima com dezenas de heterónimos.
sexta-feira, 22 de junho de 2007
O DIA DO DESESPERO

Li algures que Manoel de Oliveira filmou O Dia do Desespero, em 1992, enquanto aguardava que Agustina Bessa-Luís terminasse a história de Vale Abraão. Aclamado pela crítica, que o considerou um dos melhores filmes de Oliveira, o filme acabou sendo encarado, pelo próprio realizador, como uma obra menor. Trata-se, sem dúvida, de um filme curto, mas não necessariamente menor, até porque nos coloca, com inquestionável inteligência e sentido lúdico, perante uma das questões mais recorrentes na história do cinema: a fronteira que separa o documentário da obra de ficção. Filme austero e despojado, O Dia do Desespero percorre os últimos dias do escritor português Camilo Castelo Branco (n. 1825 – m. 1890), a partir de um conjunto de cartas por este escritas já no limite da sua atormentada existência. É do conhecimento geral que Camilo acabou pondo termo à sua vida, após lhe haver sido diagnosticada a irreversibilidade da cegueira que o atingira na sequência do contraimento de sífilis. Manoel de Oliveira serve-se das cartas do polémico escritor português, principalmente à sua filha Bernardina Amélia, fruto de uma relação intempestiva que levou Camilo à prisão acusado de rapto e desvio de dinheiro, para recriar os seus últimos dias na companhia de Ana Augusta Plácido. Antes destas relações, tinha Camilo casado uma vez, com Joaquina Pereira de França, de quem havia tido uma filha, ambas acabando por falecer pouco tempo depois do boémio escritor as ter abandonado. As relações amorosas do autor de Amor de Perdição davam, por si só, assunto suficiente para a realização de uma grande tragédia, mas não é esse o pano de fundo d’O Dia do Desespero, embora a relação com a femme fatale Ana Plácido, com quem manteve ligação adulterina, levando-o pela segunda vez à prisão, acabe bastante evidenciada no filme. De resto, Ana Plácido, representada por Teresa Madruga, ocupa um papel central nesta história. Isto deve-se ao facto de Ana Plácido ter sido o derradeiro testemunho de um desespero impossível de representar. Manoel de Oliveira não quis que o seu filme fosse visto como um documentário, mas a verdade é que a forma como o mesmo está construído torna inevitável que se levante a tal questão da fronteira entre o documentário e a ficção. Todo ele filmado na Quinta de São Miguel de Ceide, para onde Camilo e Ana Plácido se mudaram em 1864, tendo aí morrido o escritor a 1 de Junho de 1890, O Dia do Desespero é um dia que remete para toda uma vida, para toda uma obra, alicerçada numa ambígua relação com a morte e com o tempo. São lidos excertos das cartas de Camilo, mas também breves trechos de alguns episódios históricos da obra camiliana, sobretudo trechos onde a realidade do escritor se confunde com a dimensão ficcional do romance. Os actores começam por apresentar-se enquanto tal, percorrem os espaços da casa, aparecem alternadamente enquadrados nos papéis que representam e despidos desses mesmos papéis, como narradores actuais de um tempo passado que ali, nas paredes daquela casa, encontra-se inscrito mas não se pode reconstituir. Essa reconstituição não passa disso mesmo, de uma tentativa de recriação da realidade através de um artefacto ficcional. A interdependência entre o real e a ficção está, desta forma, originalmente demonstrada, ao mesmo tempo que desmonta as próprias fronteiras impostas ao cinema enquanto documentação da realidade. O filme de Oliveira não escapa a esse simulacro, não escapa ao fantasma que se sobrepõe à verdade por detrás da história, dissimulado no que há de nosso na reconstituição de um tempo que não foi o nosso. «Temos o que resta da memória». - dizem Mário Barroso e Teresa Madruga enquanto especulam sobre a personalidade de Camilo a partir da interpretação de dois quadros expostos nas paredes de uma das divisões da casa. «Não chega». - assevera, se bem me lembro, Teresa Madruga. Era preciso perguntar a Camilo o que via ele naquelas obras, fosse isso possível. O que há de verdade absoluta numa narrativa é, pois então, somente a consciência dessa fronteira que separa as águas entre o que aconteceu (de facto) e o que pode, à luz dos relatos, ser representado num tempo subsequente (aos factos). Daí a confusão voluntariamente exercida sobre o espectador entre aquele que representa e o que está a ser representado. Mais do que um filme-documentário sobre Camilo Castelo Branco, este é um ensaio sobre a ficção enquanto simulacro da realidade, um ensaio que é também, na mesma medida, uma prova acerca da inexorabilidade do tempo.
quinta-feira, 21 de junho de 2007
AS MORADAS INÚTEIS
quarta-feira, 20 de junho de 2007
SIÃO
segunda-feira, 11 de junho de 2007
LISBOETAS

Há coisa de dez anos, a Antígona – Editores Refractários publicou entre nós uma memorável antologia de textos extraídos da revista Internationale Situationniste. Para quem não esteja a par, a Internationale Situationniste foi um dos órgãos de divulgação do movimento situacionista, no qual sobressaíram nomes como os de Raul Vaneigem e Guy Debord, entre outros. Permitam-me que abra aqui um parêntesis algo despropositado, mas ultimamente tenho-me interrogado sobre quem serão os outros que tantas e tantas vezes acabam escondidos nas traseiras desse paredão aniquilador que é a enunciação «entre outros». Não flagelemos o cavalo morto. Só para dar alguns exemplos de alguns outros entre os quais também podiam constar Raul Vaneigem e Guy Debord, dependendo, obviamente, dos critérios de notoriedade aplicados por quem cita, mencionarei Asger Jorn, Alexander Trocchi e Mustapha Khayati, tudo nomes que deram corpo aos textos constantes na tal antologia publicada pela Antígona. Lembrei-me hoje deste volume por ter sido dos poucos que adquiri na Feira do Livro de Lisboa quando ainda era frequentador, nomeadamente quando vivi na capital (entre 1992 e 2000). Ao prefácio de Júlio Henriques, tradutor de serviço, usurpo, à minha maneira, uma possível explicação do que terá sido a organização revolucionária situacionista (1957-1972): resultando «da unificação de três agrupamentos de artistas em dissidência com a arte (o Comité Psicogeográfico de Londres, a Internacional Letrista e o Movimento por uma Bauhaus Imaginista)», a actividade dos situacionistas, permanentemente envolta numa “aura de escândalo”, destacou-se nos campos da crítica da arte e do urbanismo, assim como da subversão cinematográfica. Drogas, «atentados aos costumes», «iniciativas antimilitaristas», promoção da «destruição da Universidade», foram apenas métodos mais radicais ao serviço de uma crítica acérrima do capitalismo, da sociedade de consumo, das técnicas de manipulação das massas, nomeadamente o discurso persuasivo, contagiante e contaminador da publicidade e da propaganda, assim como uma denúncia não menos acutilante da intelligentsia instalada nos laboratórios universitários ao serviço dos arquitectos do poder. Convém, no entanto, citar com mais precisão Júlio Henriques: «politicamente anarquista, segundo o princípio de que não há melhor governo do que governo nenhum, promotora dos Conselhos Operários e da autogestão generalizada, a I.S. fundamentou-se, no entanto, numa parte da obra de Marx, nomeadamente na relativa ao feiticismo da mercadoria e à alienação central dela decorrente». A prática extinção deste tipo de pensamento, que hoje tende a ser visto como utópico, megalómano, talvez incompatível com si mesmo, dever-se-á, em parte, ao facto de ser um pensamento em contradição com a natureza ambígua do ser humano. Ao mesmo tempo tribal e egoísta, a humanidade parece organizar-se em sistemas de preservação dessa mesma ambiguidade. Tudo o que a ponha em causa, quer pela radicalização de um dos pólos ou pela tentativa de assimilação de um no outro, está condenado, à partida, mais que não seja por aquela desconfiança que impede o desabrochar da floresta temendo a possibilidade de um incêndio. Piaget era capaz de não estar longe da verdade quando referiu ser a adaptação a essência do funcionamento intelectual, o que justifica, desde logo, o célebre dito: quem está mal, mude-se. A questão é que ontem, mais uma vez, eu estive mal. Mas não me parece que, apesar de ter estado mal, seja eu quem deva mudar. Estive mal porque revi o documentário de Sérgio Tréfaut pertinentemente intitulado de Lisboetas. Toda a gente sabe que aqueles lisboetas visados no documentário são, digamos assim, os filhos de uma imigração que é toda ela vítima do monstro que os pobres situacionistas tentaram combater, o monstro de uma sociedade alicerçada numa técnica de respiração que se reparte entre a capacidade de produzir tendo em vista o desejo de consumir. Eu não sei, muito sinceramente, se o mundo que os situacionistas propunham – será que propunham algum mundo? – era bom, mas estou convencido que o mundo que eles quiseram combater é péssimo. Mas eu há muito que deixei de ir com frequência à Feira do Livro de Lisboa, embora de vez em quando ainda passe pelo Martim Moniz.
METAMORFOSE
De um momento para o outro, passámos de um país exemplar na evasão fiscal para um país inflexível na invasão fiscal.
quarta-feira, 6 de junho de 2007
VERTIGEM
sábado, 2 de junho de 2007
SAUDADE #9
Saudade - Revista de Poesia
N.º 9, Junho de 2007
Director: António José Queirós
Associação Amarante Cultural
Quando morava na cidade, pp. 27-28
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