o vento é um ar que dança
sexta-feira, 26 de outubro de 2007
APÓCRIFO
segunda-feira, 15 de outubro de 2007
CONTOS DE SÃO PETERSBURGO
terça-feira, 9 de outubro de 2007
FOI NA CRUZ
Che é um símbolo do comunismo, o comunismo matou milhões, logo Che matou milhões. Hmmmm… Jesus é um símbolo do catolicismo, o catolicismo matou milhões, logo Jesus matou milhões. Mas o homem não morreu na cruz?
segunda-feira, 8 de outubro de 2007
PREGUIÇA
Hoje estou com muita preguiça. Precisava para aí de uns cinco fins-de-semana.
Matilde (4 anos)
OPEN RANGE
Se o passado te atormenta, não atormentes o amor com o passado. O amor não tem culpa de não teres sido amado.
sexta-feira, 5 de outubro de 2007
O AMANHECER DA REPÚBLICA
Ao diante Catarina a pé, na cabine do DJ, enamorada de penteados sem solução, abraços disparados de estilo a favor dos comediantes da noite profana. Vejo Catarina, chula do blasé, pegando na mão do amante, fixando ao longe o fumo fugidio de quem apenas olha e não vê. Mas logo ali ao lado, uma velha passa batom pelos lábios das rugas, rouge pelas faces caucionadas, abre a boca ao hálito, imita a tristeza disfarçada das canções parolas. É um palhaço morto no feminino, como já Catarina, a pé, junto ao seu domínio de leveza. Tão nova, tão nova. E à memória venho-me de frases batidas: está sim, podia falar com a senhora dona Catarina, por favor. Não está. Cá dentro algo me impede. Para ti, cada vez mais, somente a velha. E alguns pés chatos.
SALOON
segunda-feira, 1 de outubro de 2007
DIA MUNDIAL DA MÚSICA
A educadora de infância da Matilde tinha-me pedido que fosse à escola tocar qualquer coisa para os meninos. Querendo dar uma de encarregado de educação empenhado, acedi ao convite. Devia ter ponderado melhor, corria o sério risco de traumatizar de tal maneira aquelas crianças a ponto deque elas nunca mais quereriam ouvir (falar de) música. Mas a actuação até não correu mal. Comecei por lhes perguntar o que julgavam eles ser música. Uma menina respondeu-me que música é cantar canções. E assobiar? – questionei. Concordaram todos que assobiar também era música. E bater palmas? Bater palmas também. Felizmente ficámos por ali, não fosse o caso de algum petiz mais desatado lembrar-se de sugerir outras formas de fazer música com o corpo. Depois contei-lhes das sete notas musicais, tantas quantos são os anões da Branca de Neve, os dias da semana, as cores do arco-íris. Pareceram intrigados com esta conversa à volta do número mágico. Um deles, muito sério, olhou para a minha guitarra e perguntou por que razão a guitarra tinha apenas seis cordas. Com a pergunta atravessada na garganta, tive de engolir o sapo da estupidez. Por que raio tinha a guitarra apenas seis cordas? Apresentei-lhes então alguns instrumentos. No final, em jeito de recapitulação, a concertina chamava-se piano, a cuíca era cueca, a flauta de cana era cana de pesca. Só a guitarra era guitarra. Uma menina começou a chorar quando dei início à cantiga do pato, o que me valeu uma forte dor no peito. Mas depois lá secou as lágrimas a mexer na cueca. Perdão, na cuíca. A canção do pato é uma matildosca que escrevi há anos para ensinar a Matilde a pronunciar algumas consoantes (pato, sapo, gato, rato, fato, bato…). Acho que a Matilde gostou, olhava para mim como se eu fosse uma estrela de Hollywood. Só por aquele olhar, todas as figuras de pato valem a pena.
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