sexta-feira, 30 de maio de 2008
POESIA BRASILEIRA DO TERCEIRO MILÉNIO
segunda-feira, 26 de maio de 2008
O SENHOR E O ESCRAVO
Para o manuel a. domingos
o escravo não queria ser senhor. queria apenas não ser escravo. quando deixou de ser escravo
quis ser senhor. mas quando quis ser senhor já não era escravo.
DESOCULTAR O ÓBVIO
No ano passado a Palma de Ouro foi atribuída ao filme 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias, da romena Cristian Mungiu (n. 1968). O “hiperrealismo” do título faz justiça ao filme em si, uma abordagem ao aborto clandestino na Roménia comunista. A história decorre em 1987. Duas estudantes universitárias, Ottila e Gabita, resolvem recorrer a um tal de senhor Bebe para colocar fim à gravidez indesejada de Gabita. Além de dinheiro, Bebe exige que as duas amigas se prostituam com ele. O segredo entre ambas deixa de ser apenas o aborto de uma para passar a ser aquele acto de prostituição das duas, centrando-se o argumento na angústia de Ottila, claramente mais matura e esclarecida, e na sua dificuldade em lidar com a situação e, posteriormente, com o namorado. Várias questões de ordem ética e moral são ilustradas no drama de consciência que afecta Ottila, mas, à margem da própria história, ou talvez nem por isso, há uma cena que marca o filme. Um plano de Ottila ajoelhada na casa de banho do quarto onde o aborto é realizado. Ottila olha fixamente, num misto de tristeza e nojo, para o chão. Sabemos o que ela olha, mas não acreditamos que nos vá ser mostrado o objecto do seu olhar. Enganamo-nos. O que há de espantoso naquela cena é o facto de num filme onde a sobriedade é extrema sermos confrontados com a imagem de um feto expelido, embrulhado numa toalha, sem que nada o fizesse prever. Vivermos num mundo onde tudo se mostra transformou a arte, em certa medida, num saber da ocultação. Enquanto noutros tempos a arte foi sendo assumida como um dom de desocultação, decifração, revelação, agora parece fazer mais sentido o contrário, através de técnicas várias onde o segredo para mostrar melhor está, precisamente, em não mostrar. Cristian Mungiu resolveu mostrar-nos algo que, provavelmente, nós não esperaríamos ver, criando assim um inesperado efeito de surpresa. É curioso: noutro filme aquela cena talvez parecesse ridícula, neste não.
quinta-feira, 22 de maio de 2008
MÁGOA DAS PEDRAS
sexta-feira, 16 de maio de 2008
AÇO E NADA
terça-feira, 6 de maio de 2008
A “PRIMEIRA ANTOLOGIA DE MICRO-FICÇÃO PORTUGUESA”
foi o pretexto desta conversa Rui Costa – Luís Ene
Qual o teu interesse pelo que se pode designar como micronarrativa ou micro-ficção? Já agora, que expressão preferes?
O meu interesse pela micro-ficção tem a ver com a sua extrema aptidão para a promiscuidade. A micro-ficção é um tique nervoso, uma descarga eléctrica feliz, como quando vais pela auto-estrada a 140, durante três horas, e te cai um broche do céu. Prefiro a expressão micro-ficção, porque me parece mais abrangente, e porque soa melhor (Cristina, não vais levar a mal).
Concordas com a afirmação de que a micronarrativa instala a confusão, como sugere HMBF no prefácio, entre a poesia e a prosa?
Sim. Não há confusão nenhuma, tudo é confusão. Os nossos antepassados é que se sentiam confusos e desataram a fazer classificações: isto é poesia, aquilo é prosa, isto é pimba, aquilo já é a botar pró clássico, e por aí fora. Eu gosto de abstracto, mas também gosto de concreto. Gosto de leite com groselha, mas também gosto de absinto. Isto faz-te confusão? A mim não me faz confusão nenhuma.
É como aquela pessoa que entra no autocarro e se agarra ao primeiro varão. O autocarro enche, as pessoas que vão entrando querem passar, mas aquela pessoa está aparafusada ao chão. Passa a primavera, o verão, chega o inverno. A pessoa tem o primeiro neto, compra uma casa de férias. Eventualmente morre sem deslargar o varão. O varão salvou aquela pessoa da confusão, não foi? Mas agora não há nenhum varão que nos salve.
Qual foi e como decorreu o processo de selecção e organização dos textos? Quais os critérios que te orientaram?
Convidei, como explico numa nota do livro, os autores a enviarem-me textos com o máximo de 200 palavras. Houve uma excepção, o Alcides. É um indivíduo estranho, ameaçou convidar-me para provar empadinhas de tofu.
Os critérios: qualidade e variedade. Quanto à variedade, deixo esta precisão: há um dois autores com quem não tenho especial afinidade de escritas/gosto, mas achei que deviam integrar a antologia, por focarem um conjunto de temas e/ou processos que ainda não estava representado.
Uma boa parte dos autores antologiados vai publicar mais coisas no futuro, e com todo o mérito.
A ideia de indicação dos blogues dos autores foi tua? O que está por detrás dela?
Foi. Descobri (por mim e por indicação tua e do Henrique Fialho) quase todos os autores nos blogues, nada mais natural do que indicar a fonte. E é uma forma de dizer “aos blogues”: estavas aí, discreto e caladinho a escrever posts onde não passa a TVI, mas valeu a pena porque houve alguém que leu e gostou.
Achas que a micronarrativa é um novo género?
Acho que a micro-ficção é mais do que um género, é um peixinho amarelo de barbatanas peitorais.
Que pensas do resultado final da antologia?
Ficámos todos contentes com o resultado final: um livro que ao mesmo tempo é um objecto bonito e tem um conteúdo variado e de qualidade. O meu maior gozo foi o de poder dar a conhecer autores que ainda não tinham tido oportunidade de publicar (e outros que andavam noutras lides).
Fico surpreso com o facto de esta ter sido a primeira antologia de micro-ficção portuguesa, sabendo nós como ela vem sendo praticada há alguns anos em Portugal e noutros países. Dizem que há muitas editoras? Se há, devem andar a dormir. A editora exodus apostou na minha ideia e diz que não se arrependeu: em pouco mais de um mês uma cadeia de livrarias reforçou os seus stocks duas vezes.
E o teu romance? Tem tido boa aceitação do público e da crítica?
O público (bem, nem todo) gosta de surpresas (um leitor falou-me do que chamou uma “nova experiência de leitura”); um excelente crítico vai falar alguns minutos sobre “A Resistência dos Materiais” no Programa da RTPN “Ler+, ler melhor” (ainda não sei a data mas, tendo em conta a pessoa, tou curioso).
Ei, reparo que parou de chover. Vou até ali ao bosque.
Até breve, amigo!
Qual o teu interesse pelo que se pode designar como micronarrativa ou micro-ficção? Já agora, que expressão preferes?
O meu interesse pela micro-ficção tem a ver com a sua extrema aptidão para a promiscuidade. A micro-ficção é um tique nervoso, uma descarga eléctrica feliz, como quando vais pela auto-estrada a 140, durante três horas, e te cai um broche do céu. Prefiro a expressão micro-ficção, porque me parece mais abrangente, e porque soa melhor (Cristina, não vais levar a mal).
Concordas com a afirmação de que a micronarrativa instala a confusão, como sugere HMBF no prefácio, entre a poesia e a prosa?
Sim. Não há confusão nenhuma, tudo é confusão. Os nossos antepassados é que se sentiam confusos e desataram a fazer classificações: isto é poesia, aquilo é prosa, isto é pimba, aquilo já é a botar pró clássico, e por aí fora. Eu gosto de abstracto, mas também gosto de concreto. Gosto de leite com groselha, mas também gosto de absinto. Isto faz-te confusão? A mim não me faz confusão nenhuma.
É como aquela pessoa que entra no autocarro e se agarra ao primeiro varão. O autocarro enche, as pessoas que vão entrando querem passar, mas aquela pessoa está aparafusada ao chão. Passa a primavera, o verão, chega o inverno. A pessoa tem o primeiro neto, compra uma casa de férias. Eventualmente morre sem deslargar o varão. O varão salvou aquela pessoa da confusão, não foi? Mas agora não há nenhum varão que nos salve.
Qual foi e como decorreu o processo de selecção e organização dos textos? Quais os critérios que te orientaram?
Convidei, como explico numa nota do livro, os autores a enviarem-me textos com o máximo de 200 palavras. Houve uma excepção, o Alcides. É um indivíduo estranho, ameaçou convidar-me para provar empadinhas de tofu.
Os critérios: qualidade e variedade. Quanto à variedade, deixo esta precisão: há um dois autores com quem não tenho especial afinidade de escritas/gosto, mas achei que deviam integrar a antologia, por focarem um conjunto de temas e/ou processos que ainda não estava representado.
Uma boa parte dos autores antologiados vai publicar mais coisas no futuro, e com todo o mérito.
A ideia de indicação dos blogues dos autores foi tua? O que está por detrás dela?
Foi. Descobri (por mim e por indicação tua e do Henrique Fialho) quase todos os autores nos blogues, nada mais natural do que indicar a fonte. E é uma forma de dizer “aos blogues”: estavas aí, discreto e caladinho a escrever posts onde não passa a TVI, mas valeu a pena porque houve alguém que leu e gostou.
Achas que a micronarrativa é um novo género?
Acho que a micro-ficção é mais do que um género, é um peixinho amarelo de barbatanas peitorais.
Que pensas do resultado final da antologia?
Ficámos todos contentes com o resultado final: um livro que ao mesmo tempo é um objecto bonito e tem um conteúdo variado e de qualidade. O meu maior gozo foi o de poder dar a conhecer autores que ainda não tinham tido oportunidade de publicar (e outros que andavam noutras lides).
Fico surpreso com o facto de esta ter sido a primeira antologia de micro-ficção portuguesa, sabendo nós como ela vem sendo praticada há alguns anos em Portugal e noutros países. Dizem que há muitas editoras? Se há, devem andar a dormir. A editora exodus apostou na minha ideia e diz que não se arrependeu: em pouco mais de um mês uma cadeia de livrarias reforçou os seus stocks duas vezes.
E o teu romance? Tem tido boa aceitação do público e da crítica?
O público (bem, nem todo) gosta de surpresas (um leitor falou-me do que chamou uma “nova experiência de leitura”); um excelente crítico vai falar alguns minutos sobre “A Resistência dos Materiais” no Programa da RTPN “Ler+, ler melhor” (ainda não sei a data mas, tendo em conta a pessoa, tou curioso).
Ei, reparo que parou de chover. Vou até ali ao bosque.
Até breve, amigo!
segunda-feira, 5 de maio de 2008
CALLEMA #4
Callema - publicação semestral
N.º 4, Maio de 2008
Director: M. Tiago Paixão
Edição: Cooperativa Literária
Recuperar Ema, pp. 29-32
domingo, 4 de maio de 2008
A RESISTÊNCIA DOS MATERIAIS
sexta-feira, 2 de maio de 2008
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