domingo, 19 de janeiro de 2014

DIGNIDADE


A história desta fotografia é sobejamente conhecida. Em 1936, um homem chamado August Landmesser não fez a saudação nazi para aclamar Hitler. Os tempos eram incomensuravelmente diferentes, o homem estava entre uma multidão vergada pelo medo, mas a sua postura revela algo mais do que um gesto simbólico. Resulta de um exercício de consciência que, servindo-se da mais nobre das conquistas humanas, a liberdade, garante ao indivíduo a sua condição de pessoa. Ele é uma pessoa. O mesmo não podemos afirmar, pelo menos com tanta certeza, dos entes que apoiados em declarações de voto e abstenções oportunistas se curvaram, com muito menos a perder do que Landmesser, a uma disciplina de voto pura e simplesmente usurpadora da consciência individual e, por consequência, da dignidade humana. Não foi por cobardia, é mesmo falta de dignidade.

4 comentários:

  1. Carreirismo. A consciência atirada para o lixo.

    ResponderEliminar
  2. Não cospem na gamela de onde comem.

    ResponderEliminar
  3. esta fotografia fez-me lembrar uma sessão de homenagem a um almadense antifascista e comunista (Alberto Araújo, que esteve preso no Tarrafal...).

    a sessão era pública organizada por várias colectividades e também pelo PCP. como já tinha biografado o autor, senti que devia estar presente.

    quase no final da sessão, houve alguém da mesa que resolveu transformar aquilo num comício politico e começou a gritar, de punho erguido: «PCP, PCP, PCP, PCP».

    toda a gente da plateia se levantou e imitou a mesa, excepto duas pessoas, eu e uma jovem jornalista que estava a meu lado.

    ali ficámos, isolados, a tentar esconder o desconforto da situação, sem contudo perdermos a dignidade.

    ResponderEliminar