quinta-feira, 5 de março de 2015

TRÍPTICOS DA NUDEZ #6

A vocação literária deste espaço não podia ser indiferente à nudez dos escritores, os quais se despem segundo variadíssimos critérios. Em sentido figurado, encontramos nudez onde menos a esperaríamos. Por exemplo, nas confissões de Jean-Jacques Rousseau (que não irei citar sob pena de me julgarem presunçoso). Se a opção pela literalidade for assumida desde logo, nenhum escritor foi mais prolixo em nus do que o poeta norte-americano Allen Ginsberg. Podemos contemplá-lo em postura decalcada de Robinson Crusoe ou, porventura num estilo mais ousado, abraçado ao amor de uma vida. A fotografia com Peter Orlovsky gerou polémica, sobretudo quando o autor de Howl pretendeu torná-la capa de livro.
 
Não tanta, porém, quanto a polémica gerada pelas imagens póstumas de Simone de Beauvoir em ambiente doméstico e íntimo. O traseiro surpreendente de Simone perturbou os mais fervorosos racionalistas, não sendo de todo descartável a hipótese de certos zeladores da alvura divina terem lançado a compostura às couves enquanto redescobriam o onanismo pelos olhos. As feministas não gostaram, talvez devessem mandar currículos para o Blogger.
 
 
 
Por cá, o feminismo esboça outros semblantes. Justiça lhe seja feita, Clara Pinto Correia não foi de modas nem de costas. Deixou-se fotografar no momento do orgasmo - entre outros -, provocando efeitos contraditórios. Confesso que não sendo especialmente sensível à estética Poltergeist, a ideia de me ver espelhado no instante da ejaculação desgrenha-me. Há um mérito qualquer neste trabalho que ainda não consegui descobrir, mas dou de barato a ignorância.  O close-up não favorece a personagem.
 
Mais discreto, salvo seja, o bardo valter hugo mãe não enjeitou o ridículo ao fazer-se capa. Felizmente, não está a descabelar o palhaço nem a atingir o ponto alto na tensão do drama. Infelizmente, a fotografia é toda uma encenação infeliz de coisa nenhuma. Papel de parede estragado, tectos húmidos, as divisões de uma casa abandonada, uma porta ou algo parecido fora do lugar, e um homem nu a coçar as costas com óculos pendurados nas orelhas. É escusado perguntarmo-nos sobre o que faz ali porque não faz nada, ao contrário do que sucede nas imagens arriba: o primeiro pesca, os segundos abraçam-se, a terceira arranja-se, a quarta vem-se, este posa para a fotografia.   
 
 
P.S.: bem sei que não é um tríptico. As minhas desculpas pelo entusiasmo.


8 comentários:

  1. sim, há uma foto de que gosto muito. Lennon nu e a Yoko vestida, ele em postura fetal. Vou guardá-la para um tríptico de músicos. ;-)

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  2. O pá, não!! Ninguém merece a foto do VHM....
    O dia já foi mau que baste!

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. Apesar dos estragos, gosto do papel de parede.

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    1. Oh não! Agora estou a fazer associações mentais com mofo e assim! É mau demais...

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  5. Na porta dos fundos há um desumidificador. Tu é que não o vês. Certo que cortaram a electricidade. Mas sobre o desumidificador está um ambientador.

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