Almoço no Borges. Sobre a mesa, uma travessa de tempo. Os
tentáculos da falta de tempo para cumprir promessas, levar a cabo projectos,
concretizar planos que deixámos de fazer para não ter de lidar com frustrações.
Chegado a casa, divido-me entre o quarto, deitado na cama a ver reels, e a sala,
deitado no sofá a ver mais um episódio da saga Missão Impossível. Fosse este
tempo aplicado nos projectos, nas promessas, nos planos, levaríamos por certo à
mesa as espinhas da preguiça, a falta que nos faz não fazermos nada, o tempo
que dispensamos à indolência, a uma certa lazeira que nos protege da fatídica
saturação com que ainda colhemos o mundo dentro de nós.
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