PARÁFRASE
Este poema começa por te comparar
com as constelações,
com os seus nomes mágicos
e desenhos precisos,
e depois
um jogo de palavras indica
que sem ti a astronomia
é uma ciência
infeliz.
Em seguida, duas metáforas
introduzem o tema da luz
e dos contrastes
petrarquistas que existem
na mulher amada,
no refúgio triste da imaginação.
A segunda estrofe sugere
que a diversidade de seres vivos
prova a existência
de Deus
e a tua, ao mesmo tempo
que toma um por um
os atributos
que participam da tua natureza
e do espaço criador
do teu silêncio.
Uma hipérbole, finalmente,
diz que me fazes muita falta.
Pedro Mexia, in Avalanche, Quasi Edições, 1.ª edição, Dezembro de 2001, pp. 13-14.
Adenda: «(...) acho que um dos poemas mais representativos que escrevi é um que se chama «Paráfrase», que é um poema de amor em forma de análise literária de um poema de amor. Dizendo, aqui uma metáfora, depois há duas alegorias, depois usa-se uma imagética que vem do Petrarca, etc. Que é a maneira de, ao mesmo tempo, eu deixar escrito o que está escrito no poema mas de recuar um passo. Pessoalmente, acho que esse poema é mais interessante assim do que seria sem esse dispositivo. A mim interessou-me precisamente por isso, e tem a ver também, um bocadinho, com a ideia de que é complicado fazer paráfrases em poesia, ou de que é sempre muito empobrecedor» (Pedro Mexia entrevistado por Francisco José Viegas, in Revista LER, n.º 139, Outono de 2015, p. 29).
fiquei curioso quanto ao recursos expressivos encontrados no texto será que me pode informar quais sao existentes
ResponderEliminarsim, daria muito jeito
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