Baseado na peça homónima do libanês Wajdi Mouawad (1968), Incendies (2010), do canadiano Denis Villeneuve, esteve nomeado para melhor filme estrangeiro nos Oscars. Ganhou Hævnen, do dinamarquês Anders Thomas Jensen. É frequente nas peças de Mouawad os tempos misturarem-se, o passado conviver com o presente em dramas familiares que exploram a descoberta da humanidade ocultada por detrás da barbárie. Incendies é o segundo tomo de uma tetralogia iniciada em 1997 com Littoral, proposta de reflexão sobre o problema das origens. O filme começa com a leitura do testamento de Nawal Marwan, uma mulher cuja trágica história de vida vamos descobrindo enquanto acompanhamos os filhos gémeos, um rapaz e uma rapariga, na tentativa de cumprir os últimos desejos da mãe: entregar duas cartas, uma ao pai desaparecido, outra a um irmão desconhecido. As revelações surpreendentes, mais do que reabrir feridas de um passado marcado por conflitos vários, lutas políticas, prisões, massacres, tortura, exílio, pretendem sarar o que a memória manteve vivo. Esquecendo? Não. Buscando uma reconciliação com a dor fundada no amor.

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