sexta-feira, 2 de outubro de 2026

A MULHER QUE CANTA

 



Baseado na peça homónima do libanês Wajdi Mouawad (1968), Incendies (2010), do canadiano Denis Villeneuve, esteve nomeado para melhor filme estrangeiro nos Oscars. Ganhou Hævnen, do dinamarquês Anders Thomas Jensen. É frequente nas peças de Mouawad os tempos misturarem-se, o passado conviver com o presente em dramas familiares que exploram a descoberta da humanidade ocultada por detrás da barbárie. Incendies é o segundo tomo de uma tetralogia iniciada em 1997 com Littoral, proposta de reflexão sobre o problema das origens. O filme começa com a leitura do testamento de Nawal Marwan, uma mulher cuja trágica história de vida vamos descobrindo enquanto acompanhamos os filhos gémeos, um rapaz e uma rapariga, na tentativa de cumprir os últimos desejos da mãe: entregar duas cartas, uma ao pai desaparecido, outra a um irmão desconhecido. As revelações surpreendentes, mais do que reabrir feridas de um passado marcado por conflitos vários, lutas políticas, prisões, massacres, tortura, exílio, pretendem sarar o que a memória manteve vivo. Esquecendo? Não. Buscando uma reconciliação com a dor fundada no amor.  

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