Regressar a um texto e repensá-lo a partir das vozes de terceiros. Expor o processo, constantando que tudo pode ser diferente. Sete simpáticas e disponíveis criaturas em torno de Quem está aí? dividem-se espontaneamente e sem qualquer indicação nesse sentido pelas oito cenas, oferecendo-lhes novas cambiantes e dimensões. Uma imagem que se me cola à cabeça: a de um caracol como animal de estimação. Recolho-me a pensar em Richter e na autoficção, no eu que se desdobra enquanto se põe em causa. O problema de uma escrita demasiado autobiográfica é, cada vez mais, não haver biografia que chegue. A quem interessará as milhares de horas despendidas a resolver problemas quotidianos? A quem interessarão as nossas dores? Este o quarto de três actos frustrados, isto é, a sombra do trio reunido. Onde terei lido que as sombras têm cheiro? (Vila Real, Fundação da Casa de Mateus)
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