quarta-feira, 5 de agosto de 2026

DE DEZ EM DEZ

 
Aos dez andava debaixo da asa
a sonhar com altos voos
Aos vinte caiu-lhe o dente do juízo
e perdeu para sempre os três da alegria
Aos trinta já só lhe faltava plantar
uma árvore no meio do deserto
e esperar que, verde de ciúme, a árvore
lançasse sobre as nuvens chispas de mau-olhado
Aos quarenta deu o nó aos sapatos
e caiu na real depois de tropeçar nos sonhos
Aos cinquenta viu-se grego para chegar a Roma
Aos sessenta logo se verá
se entretanto a cegueira não clarear o mundo

1 comentário:

João-Afonso Machado disse...

Aos 60 a artrose só atrapalha porque continuamos a ver-nos gregos para chegar a Roma e a outros lados